terça-feira, 27 de novembro de 2007

Brevíssima História da Origem do Estado Acre (II)


Por: Abnael Machado (04 de novembro de 2007).


No dia 19 de outubro de 1899, o engenheiro Gentil Noberto encontrava-se no Seringal Bagaço com um pequeno grupo de revolucionários, sendo informado que Dom Perez Velasco e o Dr. Ismael Monte, respectivamente Vice-Presidente e Ministro de Guerra da Bolívia haviam saído do seringal Volta da Empresa com destino a Puerto Alonso sem guarnição militar, resolveu prender essas autoridades, o que fez com seus liderados, abordando de surpresa as duas lanchas que as conduziam, aprisionando todos seus passageiros e tripulantes. Posteriormente ponderando seu ato impensado, pois não dispunham de forças armadas organizadas, libertou os capturados, os quais em suas lanchas seguiram rio abaixo para Puerto Alonso.


Os bolivianos por medida acauteladora prenderam o engenheiro Gentil que estava no seringal Bagaço e o coronel Pedro Braga em Riozinho levando-os para Puerto Alonso. O cônsul brasileiro Joaquim Domingos Carneiro aconselhou a Dom Munhoz libertar os dois prisioneiros, visto que o coronel Souza Braga vinha com força armada para fazê-lo, sendo, portanto, prudente o Delegado se antecipar evitando em confronto, este o atendeu.


O engenheiro Gentil apesar de haver firmado por escrito, ter renunciado a causa da revolução, posto em liberdade retornou aos atos sediciosos de guerrilha tocaiando os bolivianos no rio e nos varadouros.Em 12 de dezembro de 1900, às 6 horas da manhã as tropas revolucionárias comandadas por Hipólito Moreira, Edmundo Bastos, Alexandrino José da Silva e Leôncio Moreira atacaram as tropas bolivianas em Riozinho, comandadas pelo coronel Ismael Monte, o combate durou duas horas com muitas baixas entre os acreanos os quais se retiraram.


O coronel Monte resolveu atacar Volta da Empresa base de operação dos acreanos. Ao amanhecer do dia 24 de dezembro iniciou marcha por densa floresta, no seringal Amapá a tropa trocou tiros com os acreanos escondidos na mata. Ao entardecer ao se aproximarem do seringal Bagé os bolivianos sustentaram um combate que durou uma hora com os acreanos, entrincheirados protegidos por pelas de borracha. O coronel Monte ante a impossibilidade de prosseguir marcha para Empresa, ordenou a retirada retornando a Riozinho aonde chegaram à meia-noite, após 52 horas de jornada.


Expedição dos poetas


Após a saída de Galvez do Acre restabelecendo-se o domínio da Bolívia ao sul da linha Cunha Gomes limite com o Brasil, os impostos de importação de borracha produzida nos seringais de proprietários brasileiros, situados em territórios bolivianos passaram a ser recolhidos pela alfândega boliviana, não mais pelo estado do Amazonas implicando numa redução de uns três mil contos de reis em sua composição orçamentária, bem como em prejuízos financeiros as casas aviadoras e ao comércio em geral.


Em Manaus iniciou-se um movimento de protestos contra a ocupação do espaço do ex-Estado Independente do Acre pela Bolívia, organizado pela nata intelectual do estado, estudantes e políticos apoiados pelo povo e pelo governador Silvério José Néri, recém eleito. As manifestações públicas eram realizadas por intermédio de passeatas, comícios e artigos nos jornais. Foi fundado o Comitê Acreano para defender os direitos dos brasileiros que conquistaram, desbravaram o Acre, nele habitando transformando em um espaço gerador de riquezas para o país.


Os paraenses aderiram ao movimento dispondo-se a cooperar com o Comitê. Este nos comícios de rua e pela imprensa concitava o povo a apoiar a rebelião e aos empresários o apoio financeiro a organização de uma expedição armada ao Acre. Em Belém-PA, o coronel Rodrigo de Carvalho representante do comitê se empenhava em conseguir a adesão dos empresários e da imprensa ao movimento revolucionário. Realizou um encontro presidido pelo coronel Souza Braga com a presença do presidente da Associação Comercial do Pará, José Marques Braga, jornalista paraense atuante na imprensa do Rio de Janeiro, sendo redigida uma moção em nome do povo paraense manifestando solidariedade aos patriotas que no Acre sustentavam a honra e os brios brasileiros.


E ao governo da União declarando confiar patrioticamente, na sua enérgica interferência na pendência acreana para garantir os direitos que assistem aos 18.000 cidadãos brasileiros que povoaram o Acre transformando-o em um pólo produtivo gerador de rendas econômicas para o Brasil, os quais reivindicam e lutam pela manutenção da integridade do território nacional.


O CORONEL Rodrigo de Carvalho conseguiu reunir víveres e medicamentos embarcando-os no vapor Macuripe. Viajou à Manaus atendendo ao chamado dos chefes da Expedição Floriano Peixoto (Expedição dos poetas) chegando em 10 de novembro de 1900, seus companheiros do comitê haviam fretado por onze contos de reis o vapor Solimões, neste embarcando um pequeno canhão, metralhadores, rifles, munições doados pelo governador, víveres e pequeno destacamento militar que Silvério Néri achou de bom alvitre juntar aos expedicionários.


Dia 15 de novembro os expedicionários durante a madrugada se apossaram de uma lancha boliviana a Alonso, carregada de material bélico prestes a seguir para o Acre. Mudaram seu nome para Rui Barbosa e despacharam para um lugar seguro longe de Manaus para aguardar o navio Solimões.


Essa movimentação revolucionaria era também contra um Protocolo assinado em 30 de outubro de 1899 pelos ministros Olinto de Magalhães do Brasil e Salinas Vega da Bolívia relativo a verificação da exata posição das nascentes do rio Javari e a demarcação da fronteira pela linha geodésica Beni\Javari, a priori sendo sabido ser favorável a Bolívia, em detrimentos as posses de bens que os acreanos julgavam serem de seus legítimos direitos. Liderava o comitê o jornalista Orlando Correia Lopes ao lado de João Barreto Menezes, Efigênio Sales, Epaminondas Jacomo. Arnaldo Machado Vieira, Trajano Chacon, Vitor Francisco Gonçalves, Jose Maria dos Santos e outros intelectuais, tribunos e poetas tendo por conselheiros o coronel Rodrigo de Carvalho.


Dia 16 de novembro de 1900 a expedição cautelosamente saiu de Manaus. Os expedicionários chegaram dia 02 de dezembro a progressista cidade de Lábrea no rio Purus sendo entusiasticamente recebidos. A noite promoveram uma reunião no auditório da intendência municipal com a participação das autoridades civis, militares e eclesiásticas, empresários, comerciantes e personalidades de destaque social, sendo-lhes exposto as finalidades da expedição e lhes pedido apoio.


Foi aclamado presidente do Estado Independente do Acre o coronel Rodrigo de Carvalho, aceita a aclamação foi lavrado a ata do ocorrido, sendo assinada por todos os presentes, a expedição saiu de Lábrea no dia seguinte, a bordo do Solimões rebocando a lancha Rui Barbosa, agora tornada aviso-de-guerra, subindo o rio Purus, ao chegarem a foz do rio Acre foram informados que os revolucionários concentraram em três locais: O batalhão coronel Rodrigo comandado por J. Xavier, no seringal Bagaço, o batalhão Luiz Galvez comandado Por Alexandre José da silva, no seringal Volta da Empresa e no seringal Bom destino o batalhão comandado por Luiz Caldas.


E que o engenheiro Gentil Noberto arregimentava voluntários para atacar Puerto Alonso. Rodrigo de Carvalho achou a situação confusa por falta de um comando geral, determinou a Orlando Lopes que auto se intitulou comandante-chefe, seguir no aviso-de-guerra Rui Barbosa com a missão de encontrar o engenheiro Gentil Noberto e lhe oferecer o governo ditatorial, comandante supremo das forças revolucionárias. Orlando partiu de imediato, porém por conta própria deteve-se na cidade de Floriano Peixoto mobilizando as autoridades a fim de obrigarem um comerciante a lhe entregar todos os rifles e munições existentes em sua loja.


Nessa pendenga o encontrou Rodrigo de Carvalho, dirimindo a contenda e lhe ordenando a cumprir a missão junto ao engenheiro Gentil, bem como se entender com o coronel Carneiro e dele saber com quantos homens dos seringais Bom Destino Caquetá, eles poderiam contar. Orlando prosseguiu a viagem. Às 9 horas da noite do mesmo dia em que havia saído de Floriano Peixoto, a lancha Rui Barbosa retornou trazendo correspondência de Orlando solicitando o envio do canhão e sua guarnição, ambulância e enfermeiros. Rodrigo de Carvalho decidiu não atender e colocar a lancha a reboque do Solimões.


No dia 20 de dezembro às 10 horas da noite o Solimões atracou no seringal Esperança, Orlando veio ao navio e comunicou ao presidente que tudo estava combinado com o engenheiro Gentil.


No dia seguinte chegou o vapor Labrea carregado de mercadorias para os bolivianos de Puerto Alonso sendo preso por ordem do presidente Rodrigo, ato do qual discordou Orlando por achar ser de sua atribuição, na condição de comandante-chefe. No dia 22 reuniu-se no Solimões o conselho de guerra com a presença do engenheiro Gentil, em clima de desacordos e acusações mutuas sem planos e nem coordenação militares. Cada um tinha seu plano julgando-o perfeito.


Ante a falta e consenso, Rodrigo renunciou o cargo de presidente, propondo a constituição de uma junta governativa formada por gentil Noberto, Joaquim Vitor, e mais um membro indicado pelos acreanos. A renúncia não foi aceita. No dia 23 a noite Orlando foi ao camarote de Rodrigo que estava febril, para lhe comunicar que o ataque a Puerto Alonso seria no dia seguinte (24).


O presidente ponderou ser prudente aguardar 48 horas pelas tropas de Manoel Felício Maciel e Luiz Caldas totalizando 250 soldados.


O comandante-chefe não aceitou a sugestão e afoitamente junto com Gentil comandando 132 homens, na tarde do dia 24 de dezembro atacaram Puerto Alonso defendido com disposição por denodados soldados orientados por competentes oficiais, impuseram uma desastrosa derrota aos poetas expedicionários, além dos mortos e dos feridos, presentearam os bolivianos com o canhão e metralhadoras abandonadas na precipitada retirada.


Os derrotados recolheram-se em Caquetá culpando-se mutuamente, todos incriminando o comandante-chefe Orlando, imperando a desordem anárquica. Na realidade todos queriam debandar rumo a Manaus.


Enquanto isso em Puerto Alonso, Dom André Muñoz, o tenente-coronel Pastor Baldivieso e vice-presidente Dom Peres Velezco, diante da situação de penúria com grande numero de doentes com febre palustre e a falta de víveres alimentícios, todos passando fome e mais o assedio dos acreanos, decidiram evacuar a cidade retirando-se para o rio Ortón na Bolívia, porém foram salvos da derrota pela fome com a chegada de vários navios na manhã de 29 de dezembro, os quais abasteceram Puerto Alonso não só de gêneros alimentícios mas também com medicamentos, armas e munições.

Brevíssima História da Origem do Estado Acre (III)

Por: Abnael Machado (nov/2007) Fonte:http://www.gentedeopiniao.com.br/ler_coluna.php?codigo=26910&colunista=3 BOLIVIAN SYNDICATE O Ministro Felix Avelino Aramayo cônsul da Bolívia em Londres, o presidente da república general Pando e o ministro plenipotenciário Fernando Guachalle, junto ao governo dos Estados Unidos/USA, concluíram que não havia possibilidade da Bolívia manter a posse do Acre sem auxilio político e financeiro das potências estrangeiras. O general Pando autorizou ao ministro Felix Avelino Aramayo a proceder as negociações de arrendamento do Acre a um sindicato internacional. Este manteve contato com empresários belgas e Alemães ambos recusaram em aceitar a proposta. Dirigiu-se a empresários ingleses, os quais aceitaram associando-se aos norte-americanos de Nova Iorque fundando a empresa financeira Bolivian Syndicate, em 14 de julho de 1901, formado com o capital de quinhentas mil libras esterlinas. O contrato, assinado por Aramayo e o presidente do sindicato, concedia a empresa o direito de, por um período de trinta anos, administrar e explorar as riquezas naturais do Acre, cobrar impostos, renda e tarifas alfandegárias, navegar livremente por todos os rios da área sob sua jurisdição, a manter forças armadas terrestres e navais, usufruir 40% dos lucros obtidos. Obrigava-se a repassar à Bolívia 60% dos lucros, construir canal ou estrada de ferro unindo o rio Acre aos rios Ortón e Madre de Dios, nomear um delegado com residência no Acre. O contrato foi aprovado pelo parlamento boliviano, sob protestos do governo do Peru e do Brasil, considerando o perigo que tal empresa a serviço do capitalismo e do imperialismo colonialista europeu e norte-americano representavam para a integridade e para a soberania dos estados sul-americanos a exemplo do que estava ocorrendo na áfrica, Ásia e Oceania pela atuação dos Chartered Company submetendo seus estados independentes e seus povos a condições de domínios coloniais europeus e norte-americanos. Os acreanos ao tomarem conhecimento do acordo Bolívia/Sindicato, decidiram a retornar estabelecer a República do Estado Independente do Acre, e a luta armada não permitindo a tomada de posse e a instalação do Sindicato em territórios acreanos e desses expulsar definitivamente os administradores e tropas militares bolivianas. Os lideres da conspiração contataram em Manaus/AM, com o ex-major do exercito José Plácido de Castro, agora civil exercendo as atividades de agrimensor no Acre, convidando-o a assumir o comando em chefe da revolução acreana. Quem era José Plácido de Castro? Era gaúcho de São Gabriel/RS filho, neto e bisneto de militares. Seu pai foi um dos comandantes de tropa na Batalha de Tuiuti, na guerra do Paraguai. Ficou órfão muito jovem, assumindo a responsabilidade de sustentar sua mãe e cinco irmãos menores. Foi comerciário numa loja de armarinhos em São Gabriel, aprendiz do oficio de relojoeiro em Bagé. Assentou praça no 1o Regimento de Artilharia de Campanha, como cadete. Posteriormente matriculou-se na escola Tática de Rio Pardo. Retornou ao 1o. Regimento de Artilharia no posto de 2o sargento. Em seguida transferiu-se para Porto Alegre ingressando na Escola Militar, quando a cursava ocorreu a revolta da armada contra o governo do presidente da república, Floriano Peixoto. Os seus oficiais, alunos e soldados ofereceram-se o defenderem pedindo-lhe por intermédio de um manifesto, a permissão de se juntarem as tropas regulares, ao qual o cadete Plácido de Castro se recusou a assinar. Chegada a Porto Alegre a ordem de engajamento a Escola foi fechada e o recusante transferido na condição de prisioneiro para um Corpo de Transporte em Bagé, deste desertando passando-se para as tropas revolucionarias federalista (maragatos) sob o comando do general Joca Tavares, em campanha no Rio Grande do Sul contra as tropas do exército regular e as castilhistas aliadas do presidente Floriano Peixoto, lideradas por Júlio de Castilho, adversário político de Gaspar da Silveira Martins, líder federalista. Plácido de Castro combateu durante dois anos, chegando ao posto de Major em 1895, quando foi assinada a paz de Pelotas/RS. Apresentou-se ao Distrito Militar, porem recusou a anistia concedida aos combatentes federalistas e o direito de se integrarem as forças armadas mantendo os seus postos militares. Exonerou-se do exercito nacional, mudando-se em 1896 para o Rio de Janeiro/RJ aonde conseguiu emprego de guarda de 2a classe no colégio militar, sendo após um ano, promovido para o corpo de inspetor de alunos exercendo-o por doze meses, solicitando exoneração, mudou-se para São Paulo empregando-se nas Docas de Santos em 1898. Os seus amigos gaúchos engenheiros Orlando Lopes e Gentil Noberto residentes em Manaus e no Acre, o convidaram a se mudar para o Amazonas, aonde poderia conseguir vantajosas empreitas de demarcações, havendo trabalho sem falta nos seringais. O ex-major chegou a Manaus em 1899 acertando na qualidade de agrimensor uma empreitada de demarcação de um seringal no rio Purus, hospedou-se no barracão do seringal Boca do Paivini de propriedade da senhora Quitéria Sobreiro. Viajou a Manaus/AM e a Fortaleza/CE em busca de tratamento médico por haver acidentalmente, envenenado-se com o vegetal açacu. De retorno a Manaus, foi procurado por Rodrigo de Carvalho, Jose Galdino Assis Marinho e Joaquim Alves Maia os quais o propuseram assumir o comando da rebelião acreana visando impedir a instalação do Bolivian Syndicate e a expulsão definitiva dos bolivianos. P ediu três dias de prazo para responder. Quando os três retornaram, expôs aceitar o encargo sob as seguintes condições. Não ser permitido a interferência do governador do estado do Amazonas Silvério Neri, no movimento revolucionário., Ser constituída uma Junta Revolucionária a ser dissolvida ao serem iniciadas as operações de guerra. Centralizar na pessoa do comandante em chefe, todos os poderes civis e militares., Ser fuzilado quem faltasse aos deveres impostos pela campanha ou aos compromissos assumidos., Caso não aceite integralmente as condições, não aceitaria o encargo. Os lideres revolucionários aceitaram sem nenhuma objeção as condições impostas por Plácido de Castro. Após os fracassos das expedições de astrônomos portugueses no século XVII e as do século XIX de Tefé-Blake em 1874, de Soares Pinto Paz Soldan em 1876 e de Cunha Gomes Lopes de Neto de 1897 de localizarem as nascentes do rio Javari, finalmente a expedição mista boliviana/brasileira chefiada pelo cientista brasileiro Luis Cruls e pelo boliviano Don Adolfo Bollivian, realizada em cumprimento ao Protocolo de 30 de Outubro de 1899, firmado entre o Brasil e a Bolívia, incumbida de descobrir a verdadeira nascente do rio Javari e suas respectivas coordenadas geográficas, a localizaram no dia 28 de agosto de 1901, sendo a cabeceira do rio Jaquirana, seu formador, na posição geodésica de 7º 6´66´´3 e não 10º e 20´ como era pretendido, ficando confirmado pertencerem a Bolívia os territórios do Alto Purus, Iaco e Acre. Ruía assim a expectativa de posse desses espaços pelo Brasil. Os amazonenses e os acreanos se os quisessem tornar brasileiros, teriam de fazê-lo por conta própria. Don Lino Romero o novo Delegado Nacional das Colônias, acompanhado de numerosa comitiva, chegou a Puerto Alonso em 03 de abril de 1902, com a incumbência de executar um programa traçado pelo alto escalão governamental, constando em síntese, extinguir definitivamente o movimento revolucionário acreano; imprimir eficácia e observância às leis bolivianas por todos habitantes do Acre e preparar a transferência da administração fiscal do Acre ao Bolivian Syndicate. O Delegado expediu decretos elevando os impostos sobre os produtos importados e exportados, criando o imposto de capitação pago em valor monetário ou por intermédio de dois dias de trabalhos públicos e estabelecendo o prazo improrrogável de seis meses para que fosse feito o registro dos seringais, devidamente demarcados. Que esgotado esse prazo, as propriedades seriam declaradas terras devolutas de domínio da Bolívia, esse ultimo decreto tinha por objetivo favorecer a Sociedad Gomera Boliviana a adquirir terras devolutas (os seringais espoliados) e revende-las com elevados lucros ao Boliviano Syndicate. Medidas ditatoriais que inquietavam e aumentavam a disposição de reação armada dos brasileiros. Dom Lino mudou a denominação de Puerto Alonso para Puerto Acre. Enquanto esses fatos ocorriam Plácido de Castro mediante a concordância de suas imposições, seguiu para o Acre no mês de abril de 1902, no vapor Tamanduá subindo o rio Purus, em Caquetá manteve entendimento com Rodrigo de Carvalho acertando o inicio da rebelião no dia 14 de julho. Prosseguindo viagem, manteve conversação com Joaquim Vitor, no seringal Bom Destino sobre o mesmo assunto, seguindo para o seringal Vitória, de José Galdino, nesse permanecendo para concluir a sua demarcação. Porem aliava atividades profissionais, as de contactar com empresários de maiores destaques, quanto a possibilidade de apoiaram a revolução. Em Xapuri agora denominada Mariscal Sucre, as pessoas de projeção social se mostraram arredias e discordantes do projeto de emancipação. Conviviam em paz com o intendente Juan de Dios Barrientos, governador de Xapuri, muitas das quais faziam parte do conselho municipal, entre estas Antonio Antunes Alencar, Vitorino Maia, Antonio Vieira de Souza, João Evencio Gonzaga da Igreja e Francisco Teixeira de Magalhães. Argumentavam que era extraída muita borracha, circulava bastante dinheiro, o comércio e vilas prosperavam, assim sendo, não havia motivo para perturbar essa ordem socioeconômica. Plácido de Castro desanimado em conseguir adesão aos seus planos de guerra, retornou ao seringal Vitória retornando ao seu trabalho, abatido por constatar que a maioria dos habitantes não acreditava no êxito da revolução proposta. Porém um fato novo o favoreceu. No inicio do mês de junho chegaram a Xapuri os jornais de Manaus contendo na integra a copia do contrato do Boliviam Syndicate, Paiva de Melo exibindo os jornais na sessão do conselho, conclamou os conselheiros municipais a renunciarem seus cargos em sinal de protesto, em nome da dignidade da pátria, ferida pelo arrendamento do Acre aos anglo-americanos. Os conselheiros imediatamente apresentaram suas renuncias ao intendente boliviano e se comprometerem apoiar a revolução. Paiva de melo seguiu para o seringal Vitória levando para Plácido de Castro os jornais e noticia de adesão dos cidadãos de Xapuri ao seu projeto revolucionário. Porém Plácido de Castro se encontrava no interior do seringal, recebendo a correspondência de Paiva somente do dia 23 de junho. Neste mesmo dia dirigiu-se para a margem do rio Acre descendo com destino ao seringal Bom Jardim. No percurso em cada seringal conclama seus proprietários a apoiarem a luta armada de libertação do Acre ameaçado agora de transformar-se em domínio colonial do capital internacional pior do que o boliviano, por criar perigosas ameaças a soberania e ao patrimônio dos povos da Amazônia brasileira, peruana e boliviana, e em geral ao Brasil forçando-o a permitir a navegação internacional nos rios amazônicos. Chegando a Bom Destino se entendeu com Joaquim Vitor, seguindo os dois por terra para Caquetá, aonde se realizaria a reunião geral que marcaria o inicio da revolução. A esta compareceram Domingos Leitão, Domingos Carneiro, Rodrigo de Carvalho, Hipólito Moreira, André Avelino Albuquerque Arco-Verde, o tenente Antonio Alves de Carvalho e outros proprietários de seringais e comerciantes. Na reunião foram resolvidas importantes questões políticas e determinadas as diretrizes da campanha e constituída a Junta Revolucionaria formada por Joaquim Vitor da Silva, José Galdino de Assis Marinho e Rodrigo de Carvalho, sendo Plácido de Castro aclamado comandante-chefe das operações militares e definido que ao se iniciarem as operações bélicas, todos os poderes ficariam concentrados no comandante–chefe, que quem se insurgisse ao regime de disciplina e obediência seria sumariamente fuzilado, que a data para eclosão da revolução seria 6 de agosto em Xapuri, no alto Acre. Concluídos os acordos e registrados em ata por todos assinada, Plácido de Castro e Rodrigo de Carvalho seguiram para o povoado Boca do Acre a fim de comprarem armas, munições, alimentos e saberem noticias de Manaus pelas embarcações em transito no rio Purus, sendo informados que Gentil Noberto estava subindo esse rio com armamentos e um pelotão de soldados da força policial do Amazonas, enviado pelo governador Silvério Néri, para guarnecer o posto fiscal de Caquetá. Os dois desceram o rio Purus ao encontro de Gentil Noberto. Este inicialmente disse não reconhecer a Junta e nem suas deliberações, que não entregaria a essa o armamento em seu poder por esse lhe haver sido dado por seu amigo governador, o qual lhe dera instruções e a incumbência de dirigir a rebelião. Após muito dialogo Rodrigo conseguiu convencer Gentil a aderir e a concordar com todas as iniciativas e planos para a luta armada. Plácido de Castro regressou a Caquetá e daí em canoa por ele só conduzida, subiu o rio Acre estacionando em Puerto Acre com o objetivo de conhecer a sua topografia, as suas defesas e os seus recursos humanos. Foi recebido por Dom Lino Romero que disse ser agrimensor e que tinha vindo à delegação a fim de obter licença das autoridades e o devido passaporte lhe permitindo o trânsito e o desempenho se sua profissão em território boliviano no Acre. Dom Lino contra a vontade de Moisés Santivañez, expediu os documentos pleiteados. Plácido de Castro prosseguiu viagem com destino a Xapuri, parando nos seringais para requerer de seus proprietários o cumprimento do acordo estabelecido na reunião em Caquetá, quanto ao recrutamento de homens, fornecimento de mantimentos e ajuda financeira. Dia 4 de agosto com alguns companheiros, altas horas, noites cautelosamente a fim de não serem notados ultrapassaram a Vila de Xapuri. Plácido de Castro mandou um dos seus acompanhantes seguir por terra para o seringal Vitória, avisar a José Galdino da sua próxima chegada, e lhe pedia que reunisse pessoal para a tomada de Xapuri. Chegaram ao seringal às 9 horas da manhã do dia 5, José Galdino havia conseguido reunir trinta e três seringueiros. Na noite desse dia, todos embarcaram em companhia de Plácido de Castro e do filho de Galdino, rumo a Xapuri, chegando na madrugada do dia 6 desembarcando para deflagrarem o ataque em três frentes – As casas de Alfredo Peres, a de Augusto Maria da Rocha Neves e a Intendência, na qual residia o intendente Dom Juan de Dios Barrientos. A operação ocorreu conforme programaram, sem o disparo de um tiro foram ocupados os locais pré-determinados e presos seus ocupantes. Ao amanhecer de 6 de agosto, dia da independência da Bolívia, em vez dos festejos programados, Xapuri encontrava-se em poder dos Revolucionários. O povo saiu à rua para se inteirar da ocorrência e conhecer o líder do levante. Plácido de castro convocou uma Assembléia popular e reuniu-se a 2 horas da tarde do dia 7, grande numero de pessoas compareceu ao local da reunião, Plácido de Castro fez uma exposição sobre motivos e os objetivos da revolução em especial o de impedir a posse do Acre, pelo Bolivian Syndicate um consorcio de capitalistas internacionais, aos quais o governo boliviano arrendou os territórios do alto Purus, do Iaco e do Acre, sujeitando seus habitantes ao domínio de aventureiros estrangeiros, na condição de escravos, despojados dos seus bens e propriedades conquistados com ingentes trabalhos e sacrifícios. Foi lavrada a ata da sessão, validada por quarenta e uma assinaturas, registrando e aprovando a proclamação do Estado Independente do Acre. Cópias da ata foram remetidas aos seringais e ao governador boliviano de Puerto Acre. Plácido de Castro requer dos empresários o recrutamento de homens para a formação do exército revolucionário. Dentro de uma semana, reuniu em Xapuri, 150 futuros soldados os quais passaram a receber adestramentos militares. A operação de tomada de Xapuri foi concluída com a determinação as autoridades bolivianas, o intendente Juan de Dios Barrientos, o advogado Jose Gutierrez, os comissários de policia Rodolfo Alarcon, Antonio Nicolly e alem desses, os soldados e funcionários, civis se retirarem por terra ate o rio Iaco daí embarcando seguindo para Manaus. Em 20 de agosto Plácido de Castro lança um manifesto a Cláudio Farfan e aos demais cidadãos bolivianos residentes no Alto Acre conclamando-os a apoiarem o recém estabelecido Estado do Acre na luta para impedir o estabelecimento do Bolivian Syndicate. Neste manifesto declara guerra sem trégua a Nicolas Suares & Cia. Ao tomar conhecimento dos termos do manifesto de Plácido de Castro, Cláudio Farfa, Juan Mendieta, Moises Artgas e outros bolivianos resolveram se retirar das margens do rio Acre, indo para os seringais Buenos Aires e Porvenir no rio Tauamanu, organizando um comitê Directivo sob a presidência de Nicolas Suarez empresário presidente da empresa R. Suarez & Cia, sediada em Belém no Para com agencias em Londres e Nova York e matriz em Cachuela Esperanza no rio Beni (Suarez e Hermanos), proprietária dos seringais do rio Acre dos quais Farfan era gerente. O comitê tinha por fim agregar homens, materiais, mantimentos, armas e munições, constituir um pelotão para combater os acreanos. Organizado esse, foi denominado Coluna Porvenir composta por oitenta combatentes. Em quanto isso o comando acreano de Xapuri enviava para o rio Acre uma pequena tropa sob o comando de Manuel Nunes e Candido Tavares em operações de conquistas planejadas por Plácido de Castro. Os expedicionários no dia 25 de agosto ocuparam o barracão abandonado do seringal Baia, prosseguiram até Santa Cruz, aonde ocorreu o primeiro combate dessa nova fase da revolução acreana. O gerente do seringal Gonçalo Moreno se opôs a invasão, porem sendo ferido abandonou o campo de luta, e seus comandados se internaram na floresta recolhendo-se em Porvenir. O comando geral das tropas e as operações no alto Acre ficaram sob a direção de José Galdino em Xapuri. Plácido de Castro desceu o rio a fim de se encontrar com os revolucionários do baixo Acre e recrutar mais homens para a formação de seu exercito. Ao chegar em Caquetá foi cientificado das prisões de Joaquim Vitor proprietário do seringal Bom Destino, de Pergentino Ferreira do seringal Bagé e mais todas pessoas de destaque e muitas outras temerosas de serem presas haviam se refugiado em território do estado do Amazonas. Que Dom Lino havia expedido decreto estabelecendo estado de sitio nos territórios bolivianos do Acre e do Madre de Dios. Para completar a situação adversa, o engenheiro Gentil Noberto vindo de Manaus trazendo 120 rifles, munições e viveres, se dizia encarregado do governador do estado do Amazonas a comandar a guerra do Acre. Vivia em discussões e troca de insultos com Rodrigo de Carvalho, obrigando a adverti-lo ser ele o comandante–chefe e que se fizesse necessário para assegurar o êxito da revolução, não vacilaria em prendê-lo e ate mesmo condená-lo ao fuzilamento. Reuniu o estado maior da revolução com a participação de Joaquim Vitor libertado pelos bolivianos sob o compromisso de não participar da insurreição acreana. Ficando decidida a mobilização de todo pessoal do baixo Acre e seu adestramento militar no seringal liberdade, acantonar cinqüenta combatentes no seringal Bom Destino sendo fixado os pontos principais da campanha. Plácido de Castro retira-se de Caquetá indo para os seringais Bom Destino e Bagaço para recrutar homens desses locais e os adestrar para guerra. Uma patrulha do destacamento de Liberdade detectou uma coluna do exercito boliviano, vindo de Abunã guiada por Antonio Português (acreano), se encontrava no barracão Missão deslocando-se para ocupar Volta da Empresa. Esta informação recebida no dia 17 de setembro de 1902, Plácido de Castro organizou um grupo de 63 combatentes e sai do seringal Empresa à zero hora, o qual fica uma hora de marcha por terra de Volta da Empresa, e alcançando às cinco horas da manhã, pretendia compensar a inferioridade numérica com a emboscada e o ataque de surpresa a tropa adversária comandada pelo coronel Rosendo Rojas. Porém ele foi surpreendido pela descarga de armas bolivianas atingindo-os frontalmente, em campo aberto ao chegarem em Volta da Empresa, resistiram e revidaram o tiroteio inimigo. Acabando a munição foram obrigados a recuar o fazendo em ordem, recolhendo vinte e dois mortos e dez feridos, Os bolivianos contabilizaram dez mortos e oito feridos. Plácido de Castro de volta ao seringal Empresa organiza o contra-ataque. O coronel Rosendo despacha um mensageiro para Puerto Acre comunicando ao Delegado Nacional a vitória obtida e solicitando o envio de armas e munições a fim de aniquilar o inimigo. Manda cavar trincheiras em frente a Volta da Empresa e despacha patrulhas para acompanhar a movimentação dos acreanos. Dom Lino Romero antes de receber a comunicação do coronel Rosendo, preocupado com a movimentação bélica no seringal Bom Destino, resolveu ordenar um ataque ao barracão Telheiro e averiguar a quantidade de pessoas existentes em Bom Destino, caso fossem poucas, atacar de surpresa tomar o reduto e conduzir os prisioneiros para Puerto Acre. O coronel Ibanez comandante da expedição saiu de Puerto Acre, alta madrugada desembarcando em Telheiro ao amanhecer, cercando o barracão iniciando o tiroteio o qual não durou mais que quinze minutos, resultando na prisão de sete combatentes, na fuga de seis e na morte de três todos brasileiros. Com êxito dessa operação Dom Lino resolveu organizar outra operação composta por cem soldados comandados pelo coronel Conseco para tomar Bom Destino. Os expedicionários seguiram embarcados em sete batelões, ao amanhecer desembarcaram em Telheiro abandonado prosseguindo para Bom Destino, antes de chegarem à orla da floresta foram surpreendidos por um sentinela disparando sua arma. Os acreanos sob o comando do coronel Ladislau Ferreira da Silva, entrincheirados em posição favorável, iniciaram a fuzilaria sobre os soldados bolivianos em campo aberto. Com cinco soldados feridos, um tenente e um sargento mortos, recuaram para Telheiro e deste para Puerto Acre. Plácido de Castro desceu o rio recrutando pessoal concentrando seus combatentes no seringal Bagaço e enviando mensageiros a Xapuri solicitando o envio de tropa. Do Riozinho chegou o coronel Antunes Maciel acompanhado de cem homens armados. Juntamente com este e o coronel Alexandrino estabeleceu o plano de combate e suas estratégias fixando o inicio da ofensiva contra Volta da Empresa, no dia 5 de outubro. As tropas acreanas foram concentradas em dois flancos de Volta da Empresa. Na parte de cima do rio no seringal Empresa e na parte de baixo no seringal Panorama. A campanha ia se desenvolver em três frentes de lutas, no alto Acre, no baixo Acre e no Tauamanu. Dia 5 de outubro como havia sido definido as tropas acreanas iniciaram o ataque as posições bolivianas de Volta da Empresa estrategicamente bem fortificadas com trincheiras e proteção de cerca de arame farpado o assedio ao reduto se prolongou até o dia 14 de outubro quando o coronel Rosendo Rojas aceitou o armistício proposto por Plácido de Castro, depuseram as armas. Sendo redigido em português e espanhol, em documento dispondo as condições da rendição – garantia de vida para o comandante, seus oficiais e soldados, concessão de liberdade a todos os prisioneiros, concessão de licença aos indígenas e soldados casados a retornarem com suas mulheres e filhos a Bolívia via rio Madre de Dios, conduzidos por seus comandantes, ao coronel Rosendo demais oficiais e praças seguirem livremente para a Bolívia, por Manaus/AM, concessão de assistência aos feridos e quando sarados, permissão a retornarem a Bolívia. No dia 9 de setembro (1902) a Coluna Porvenir comandada por Dom Nicolas Suarez atacou o destacamento acreano de uns cem militares comandados por Manuel Nunes, no seringal Baia, o qual no meio do combate fugiu para Xapuri deixando abandonados seus comandados, dos quais pereceram 53 em luta, 13 foram aprisionados dos quais sete feridos, foram fuzilados. O barracão do seringal incendiado, os bolivianos regressaram para Porvenir. Por Falta de comunicação o comando geral dos acreanos ficou sem saber dessa ocorrência. Ocupara Volta da Empresa determinou que parte da tropa sob o comando do coronel Alexandrino subisse o rio e estacionasse em Capatará, enquanto ele com uma tropa de 60 soldados desceriam o rio conduzindo os prisioneiros ate Caquetá sede da Junta Revolucionária, o que foi feito. E dai os enviados para a Bolívia via o consulado em Manaus, como acordado no armistício. Plácido de Castro acompanhado por Jose Galdino seguiu rio acima ate Capatará. Galdino foi para Xapuri e Plácido de Castro sabendo que tropas bolivianas encontravam-se em Abunã para retornar a Xapuri, resolveu atacá-la seguindo com sua tropa de 400 soldados atravessando a floresta que medeia os rios Acre e Iquiri, estacionando nesse último no dia quatro de novembro permanecendo ate o dia quinze quando iniciaram o deslocamento em direção ao barracão Bela Vista no rio Abunã, onde chegaram no dia dezessete iniciando na manhã seguinte a travessia do rio e o ataque as posições bolivianas, combate que durou cinco horas seguidas com a derrota da tropa adversária dispersando-se na floresta. Os acreanos incendiaram casas e trincheiras arrasando Bela Vista. Depois de um descanso, Plácido de Castro ao amanhecer do dia vinte, frente a sua tropa iniciou o deslocamento para atacar Palestina no rio Ortón. Porém atendendo as ponderações dos seus oficiais quanto a distância que se encontravam das bases de abastecimento do rio Acre, correndo o risco de um desastre por falta de munição e viveres alimentares, aquiesceu as ponderações, desistindo de atacar Palestina. Mesmo porque havia alcançado o seu objetivo principal afastar o perigo da retomada do alto e médio Acre pelos bolivianos. Retornou Vitorioso a Xapuri. Após cento e oito dias de campanha os acreanos dominavam quase todo vale do Acre restando em posse dos bolivianos apenas Puerto Alonso, totalmente cercado sem condições de ser socorrido. Plácido de Castro após a vitoriosa campanha derrotando as tropas bolivianas no vale do rio Abunã (igarapé Baia e Santa Rosa) deslocou-se em revista aos combatentes concentrados em Iquiri, Capatará, Soledade e Xapuri certificando-se da solidez dessa posição no alto Acre, garantindo sua retaguarda quando investisse contra Puerto Alonso. Para melhor se resguardar resolveu atacar os bolivianos concentrados no seringal Costa Rica, no rio Tauamanu. Com 300 soldados seguiu para esse reduto, em meio caminho foi surpreendido por uma emboscada inimiga, vencendo-a, prosseguiu destruindo Costa Rica, incendiando suas instalações e desbaratando os adversários, em apenas trinta minutos de combate. No dia seguinte 10 de dezembro, retornou a Xapuri, seguindo para Caquetá onde nos primeiros dias do mês de janeiro reuniu-se com a Junta Revolucionária acertando os últimos detalhes para a tomada de Puerto Alonso. No dia 9 reunia-se com os comandantes dos navios mercantes que pretendiam subir o rio Acre, determinando que permanecessem estacionados em Caquetá. Plácido de Castro contava com mil combatentes distribuídos em três batalhões – o Independência comandado pelo coronel Jose Brandão, o Acreano comandado pelo coronel Jose Antonio Duarte e o franco atiradores comandado pelo coronel Antunes Alencar, substituído durante o embate, pelo coronel Hipólito Moreira. Em Puerto Alonso Dom Lino Romero tinha – o 3o. batalhão Cochabamba e Coluna 6 de Agosto composta por combatentes civis distribuídos em trincheiras protegidos por guaritas, um fortim e os acidentes do terreno. Dia 14 emissários de Plácido de Castro portando bandeira branca, foram recebidos no porto boliviano, por Dom Lino, entregando-lhe um ofício pelo qual era comunicado o inicio do combate dia 15 de janeiro de 1903, e reiterado a proposta de um hospital de sangue comum instalado numa zona neutra em Caquetá. Às nove horas da manha do dia 15 os acreanos deram inicio a fuzilaria respondida pelos bolivianos desencadeou-se um tiroteio tão intenso, que em pouco tempo a vanguarda acreana estava muito perto das trincheiras do 3o. Batalhão salvas por uma repentina contra-ofensiva afastando o perigo, obrigando os acreanos a recuarem para suas trincheiras com baixa de cinqüenta mortos, entre estes os tenentes Jose Faustino, João Ferreira e Leopoldo. Plácido de Castro assume o comando do navio Independência, carregado de borracha para trocá-la por armas e munições em Caquetá, ultrapassando as defesas de Puerto Alonso, missão da qual desistiu o coronel Antunes Alencar alegando motivo de doença. Após os soldados do batalhão Franco Atiradores haverem conseguido serrar a grossa corrente estendida de uma a outra margem do rio impedindo a navegação, o Independência sob intensa fuzilaria e tiros de canhão, forçou a passagem por Puerto Alonso chegando a Caquetá. A batalha em torno do reduto boliviano prosseguia com intensa fuzilaria, os acreanos ganhando cada vez mais espaços chegando a uns oitenta metros das fortificações dos adversários. Dia 23 pela manha foi hasteada a bandeira branca no quartel general dos bolivianos. Dom Lino Romero, enviou Dom Moises Santivañez ao acampamento de Plácido de Castro propondo um armistício temporário para enterrar os mortos. Plácido de Castro recusou. Continuando a ofensiva, Na manhã do dia seguinte (24), novamente foi hasteada bandeira branca, o mesmo emissário do dia anterior trazia uma proposta de paz com uma serie de cláusulas inconvenientes, repelidas por Plácido de Castro, respondendo a Dom Lino que a paz seria estabelecida apenas com uma única condição, a garantia de vida dos bolivianos e de transporte até Manaus. O emissário retornou a seu reduto, regressando ao acampamento acreano acompanhado por Dom Lino Romero, este pediu a Plácido de Castro que escolhesse o local para a assinatura da rendição e indicou Puerto Alonso. Sendo lavrada ata contendo apenas duas clausulas – 1o. citando a entrega do porto e a praça de guerra pelo Delegado Nacional o chefe das forças revolucionarias, 2o citando obrigar-se ao chefe das forças revolucionarias a garantir a vida e a liberdade de todos cidadãos que se encontravam na guarnição, dando-lhes meios de transporte ate Manaus. Os dois chefes D. Lino Romero e Plácido de Castro a subscritaram. As tropas revolucionárias vencedoras ocuparam o Puerto Acre. A revolução iniciada 6 de agosto de 1902 em Xapuri encerrava vitoriosa esta fase, no dia 24 de janeiro de 1903. Dia 26 com desfile militar em continência ao comandante-chefe e seu estado maior, instala-se em Porto Acre a V Republica acreana, o Estado Independente do Acre tendo por presidente provisório Jose Plácido de Castro. Em fevereiro de 1903 o presidente da republica Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves de acordo com a nova política do chanceler Barão do Rio Branco, deslocou tropas do exercito sob o comando do general Olimpio da Silveira, para ocuparem o espaço compreendido entre a linha Cunha Gomes e o paralelo 10o.20` agora denominado Acre Setentrional considerada litigiosa. Sendo o referido general nomeado seu governador, com expressas ordens dos ministros da Guerra e das Relações Exteriores, de – manter-se dentro dos limites desse território, de que Plácido de Castro ficaria investido do cargo e funções de governador do Estado Independente do Acre (Acre Meridional), que o exercito acreano permaneceria em armas, porém em atitude defensiva. Ordens que propositalmente, o general ocultou não cientificando ao chefe revolucionário. Plácido de Castro tendo sido informado que o general Manuel Pando Presidente da Bolívia, comandando uma força expedicionária do exército, havia transposto o rio Abunã para retomar pelas armas os territórios ocupados pelos acreanos exterminar a revolução e repassa-los a posse do Bolívia Syndicate, o qual se comprometera a fazer um adiamento de alguns milhares de libras referentes ao pagamento das prestações do contrato. Plácido de Castro pessoalmente comunicou ao general que pretendia deter o avanço do exercito boliviano, não havendo o general concordado, dizendo-lhe que deveria aguardar as providências do governo brasileiro. Porém Plácido de Castro a frente de sua tropa de setecentos homens, dirigiu-se para Xapuri, convocando os batalhões que estavam estacionados em Iracema e no igarapé Baia, juntando suas forcas para atacar as tropas bolivianas constituídas pelo 1o. batalhão comandado pelo Ministro de Guerra Ismael Ponte e o 5o. batalhão comandado pelo general Pando, Presidente da Bolívia, vindos de La Paz acampando em Puerto Rico na confluência dos rios Tauamanu e Manuripe formadores do rio Orton. A vanguarda do exercito acreano a nove de abril se aproximou de Puerto Rico, trocando tiros com seus ocupantes, enquanto Plácido de Castro ocupou Gironda, local um pouco acima do Puerto Rico. No dia 21 de abril as tropas acreanas ocuparam a margem direita do rio Ortón, sob cerrada fuzilaria dos inimigos. A manobra visava o cerco do reduto. Durante cinco dias a praça de guerra foi atacada pelos acreanos, quando Plácido de Castro recebeu um oficio do General Olimpio de Magalhães comunicando-lhe que os governos do Brasil e da Bolívia haviam firmados um modos vivendi, a 21 de março mas que mantivesse as posições conquistadas. As hostilidades de ambas as partes foram cessadas. Enquanto ocorriam estes fatos nas margens do Tauamanu, o general Olimpio pratica as mais torpes traições e desmandos, tripudiando sobre o povo acreano, desagregando o exército fomentando a indisciplina, saqueando armazéns se apossando indevidamente de armas, munições e viveres, prendendo os oficiais do estado-maior do exercito acreano e confiscando a flotilha de guerra. Gerando a expedição de procalmas do general e de Plácido de Castro ao povo acreano e dissolução do exército acreano por Plácido de Castro, viajando por fim no mês de maio a Manaus a fim de prestar explicações às autoridades do país. Enquanto isso o general Olimpio se arvorava a ministro das Relações exteriores agindo com espantosa desenvoltura estabelecendo acordos com o general Pando, definindo limites fronteiriços, estabelecia relações comerciais, nomeava autoridades civis e comandantes militares. O Ministro de Guerra determinou ao general que se limitasse a cumprir as instruções do governo federal e veementemente reprovou os seus procedimentos. O general Olimpio por telegrama desaforado pediu demissão. Foi substituído pelo general Luis Antonio Medeiros, o qual vindo do Rio de Janeiro aguardou em Manaus o general Olimpio o qual chegou a esta cidade no dia 02 de setembro, transmitindo o comando do distrito militar ao general Medeiros, seguindo para o Rio de Janeiro. O coronel Rafael Augusto da Cunha Matos assumiu o Comando em Geral das Forças de Ocupação e o cargo de governador do Acre Setentrional. O coronel Plácido de Castro reassumiu o governo do Estado Independente do Acre (Acre Meridional) e o comando acreano, sendo-lhe restituído tudo que indevidamente havia sido confiscado e pago a indenização de seiscentos contos de reis, sendo reconhecido todas suas prerrogativas e seus títulos. Fotografia tirada a 18 de novembro de 1903 após a assinatura do Tratado, na residência do barão, em Petrópolis. Da esquerda para a direita: Fernando Guachalla, ministro-plenipotenciário da Bolívia; Ernesto Ferreira, oficial-de-gabinete do Barão; contra-almirante José Cândido Guilhobel, consultor-técnico do Itamarati; J.F. Assis Brasil, ministro-plenipotenciário do Brasil; Cláudio Pinilla, ministroo-plenipotenciário da Bolívia; Zacarias de Góis, oficial-de-gabinete do Barão; Chanceler Rio Branco; Domício da Gama, oficial-de-gabinete do Barão; Campos Parededa, idem; Raimundo Pecegueiro do Amaral, idem; Paula Fonseca, idem; Emílio Fernandez, secretário dos plenipotenciários bolivianos. Após exaustante trabalho diplomático, discussões, propostas e contrapropostas, chegaram a consenso os plenipotenciários da Bolívia Fernando Guachalla e Cláudio Pinilla e do Brasil Barão do Rio Branco e Assis Brasil, aprovando no dia 17 de novembro de 1903, o Tratado de Petrópolis, definindo os limites fronteiriços entre Brasil e Bolívia, solucionado em definitivo o litígio do Acre e sustando a instalação do Bolivian Syndicate instrumento do colonialismo e expansionismo europeu e norte americano, que se estabelecido no Acre, comprometia a segurança e a integridade dos países sul-americanos. Foi aprovado pelas Câmaras da Bolívia por 41 votos a favor e 11 contra, no dia 24 de dezembro de 1903, pela Câmara Federal por 118 votos a favor e 13 contra, no fim de janeiro de 1904 e pelo Senado Federal por 27 votos a favor e 4 contra, em 12 de fevereiro de 1904, ambas instituições do Poder Legislativo brasileiro. O Brasil por esse Tratado comprometeu-se a construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, contornando o trecho encachoeirado do baixo Mamoré e do Alto Madeira, cujo reinicio da construção ocorreu em 4 de julho de 1907, tendo o local conhecido por Porto Velho e também por Porto do Velho, como marco zero, isto é a estação inicial, dando origem ao povoado de Porto Velho, atual capital do estado de Rondônia. Escrevemos esta síntese histórica do Acre, rememorando o feito épico da Revolução Acreana, no ensejo da passagem do centenário do reinicio da construção da ferrovia Madeira Mamoré e do surgimento do povoado de Porto Velho no local a 7 km abaixo da cachoeira de Santo Antonio, na margem direita do rio Madeira até então (1907), conhecido como Porto Velho dos Militares, Porto Velho e Ponto do Velho. Os cem anos (1907 A 2007) destes dois fatos históricos de Rondônia, são decorrentes da Revolução Acreana e do Tratado de Petrópolis que ensejou.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

CHICO MENDES E PLACIDO DE CASTRO

FONTE: http://www.maryallegretti.blogspot.com/2007/03/chico-mendes-e-placido-de-castro.html

"Foram os nordestinos, os seringueiros, que se transformaram em soldados, de uma hora para a outra, prá defender, quer dizer, tomar, conquistar essa terra que pertencia aos bolivianos. Eles julgam, por isso, eles se julgam donos da terra, porque foram seus antepassados que lutaram por ela." Entrevista de Chico Mendes a Mary Allegretti, maio de 1981, Rio Branco, Acre.Assisto com um dia de atraso, no meu computador, aqui em Madison, Wisconsin, a minissérie Amazônia. Apesar de saber que a história da borracha estava mais para bordéis do que para heróis, no começo achei que parecia mais uma novela que um documentário. A fase Galvez não consegui ver direito porque estava de mudança prá cá - ainda vou assistir novamente. Mas a fase Plácido de Castro está realmente impressionante.

A história é muito boa porque vai mostrando os diferentes interesses em torno da borracha. Primeiro, os regionais, do Estado do Amazonas, querendo continuar coletando impostos, não desagradar o governo central e, ao mesmo tempo, financiando os descontentes para assegurar a influência, em qualquer circunstância. Segundo, a posição do governo federal, que é paradigmática: não sabe o que acontece, não quer saber, não se interessa pelo que está na margem e, quando decide fazer algo, interfere sem respeitar o que já foi feito no local, porque o local não existe do ponto de vista do governo central. Pouco mudou desde então, por incrível que pareça. Depois, os seringalistas, estranhos à região tanto quanto os seringueiros, sem outro interesse na disputa com a Bolívia que manter seus seringais, altamente lucrativos, funcionando.

Placido de Castro foi um militar profissional que soube manter sob controle os diferentes interesses para alcançar um objetivo maior, ganhar pelas armas um território que, pelos tratados diplomáticos era da Bolívia e, pela economia, dos brasileiros. Galvez cumpriu a primeira etapa de catalizar a indignação com o Bolivian Syndicate e Placido de Castro fez a guerra. O Tratado de Petrópolis consagrou o acordo pela compra do Acre aos bolivianos, negociação feita pelo Barão do Rio Branco.É claro que os bolivianos tinham todo o direito formal àquele território, e claro também que não haviam conseguido ocupá-lo de verdade, diferentemente dos brasileiros que, em poucos anos ocuparam toda a bacia. Mas os bolivianos lutaram com heroísmo também e perderam muitos territórios com essa e outras guerras. E a minissérie os trata com respeito, sem caricatura, o que acho louvável.Os seringueiros, transformados em soldados de um dia para o outro, como descreve Chico na entrevista que fiz com ele em 1981, serão traídos, como Placido. Nada do que foi acertado com eles - o perdão da dívida, a posse definitiva da colocação, a liberdade - será cumprido, promessa que será retomada por Chico quase cem anos depois e que certamente a minissérie vai mostrar.Acho que o conflito entre índios e seringueiros talvez pudesse estar mais forte na minissérie.

Ou talvez eu não tenha visto todas as cenas e isso já foi mostrado. No vale do Acre, em Xapuri, eles foram completamente exterminados e os sobreviventes se refugiaram nos altos rios onde depois foram incorporados à empresa seringalista. Mas não acho suficiente apresentá-los apenas pelas duas figuras femininas Ashaninka, que aliás são historicamente da fronteira com o Peru e não com a Bolívia. Por outro lado, é claro que muitas liberdades criativas são justificáveis e as duas índias estão muito lindas e os Ashaninka, assim como outros grupos indígenas no Acre são de fato grupos muito fortes em suas tradições e dignidade.A memória desta história ainda estava muito viva nos seringueiros quando comecei minha pesquisa no Acre em 1978. A mobilização que Placido fez dos seringueiros foi em torno dessa idéia de libertar o Acre e, junto, os seringueiros. Mas essses objetivos não foram cumpridos, a não ser quando os seringueiros conseguiram fazer eles mesmos sua própria revolução, na década de 80.As cenas que mostram a famosa história da corrente sendo limada e os soldados morrendo, um após outro, que eu já havia lido tantas vezes, ficou realmente chocante, principalmente com o hino acreano ao fundo. Eu choro facilmente, mas me emocionei à bessa nessa cena.Parece tudo muito distante, mas de fato não é. O curso que dou aqui conta essa história e os alunos ficaram as últimas quatro semanas lendo tudo sobre reservas extrativistas e Chico Mendes.

É uma pena que não entendam uma palavra de português, caso contrário eu poderia mostrar a eles, ao vivo e a cores, as cenas atualizadas que milhões de brasileiros estão vendo da mesma história que eles estão lendo nos livros e artigos científicos produzidos em inglês. Certamente estarão mais bem informados sobre esses eventos todos do que nossos jovens brasileiros que não estudam esse assunto nas universidades brasileiras.Heroísmo e traição são duas faces da história acreana, talvez brasileira. Somos capazes de feitos realmente heróicos, tanto no passado quanto no presente, mas vítimas também das mais infames, mesquinhas e grotescas traições.E é incrível como somos refratários a aprender com nossa própria história. Esse descaso, desconhecimento e ignorância do Brasil com a cultura, os interesses e prioridades dos que vivem nas margens e fronteiras, é hoje tão presente quanto foi no caso da Revolução Acreana.Como aprender mais sobre nós mesmos, não canso de me perguntar.

Acre - Um resumo da história

FONTE: http://www.jornalpiracema.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=316&Itemid=35 O começo e o fim da questão acreanaEm 1895 foi nomeada uma comissão demarcatória encarregada de definir os limites entre Brasil e Bolívia de acordo com o estabelecido no Tratado de Ayacucho, de 1867. O chefe da delegação brasileira, o coronel Thaumaturgo de Azevedo, ao constatar a latitude da nascente do Javari, ponto inicial da linha divisória entre os dois países, percebeu que ficaria com a Bolívia uma grande região rica em látex, quase totalmente ocupada por brasileiros. Thaumaturgo de Azevedo denunciou ao governo federal o prejuízo daí decorrente, já que o Brasil perderia o alto rio Acre, quase todo o Iaco e o Alto Purus. Infelizmente o ministro brasileiro não aceitou os argumentos do coronel, que contrariado demitiu-se e denunciou o grave erro da diplomacia brasileira na imprensa, dando origem a uma intensa polêmica que mobilizou a opinião pública nacional. Foi então nomeado como novo comissário, o capitão-tenente Cunha Gomes, que cumpriu literalmente as ordens da chancelaria brasileira, reconhecendo os limites estabelecidos pelo Tratado.A Primeira Expedição bolivianaReconhecida legalmente a fronteira Brasil-Bolívia, o governo boliviano enviou para o Alto Acre uma expedição militar composta por 30 praças, comandada pelo Major Benigno Gamarra. A precária situação econômica da Bolívia fez com que o Piquete Gamarra passasse inúmeras dificuldades, inclusive de alimentação. Apesar disso, em 12 de setembro de 1898, o Piquete conseguiu chegar ao seringal Carmen, dirigindo-se logo depois à vila de Xapuri, onde anunciou que fundaria uma delegação nacional. Insatisfeitos com a nova situação, alguns brasileiros, tendo à frente o coronel da Guarda Nacional Manuel Felício Maciel, intimaram os bolivianos para que se retirassem imediatamente dali, o que acabou ocorrendo no dia 30 de novembro de 1898. Os Cem dias de Paravicini Nova investida boliviana acon-teceu logo no início do ano seguinte. Em 2 de janeiro de 1899 chegou ao Acre, por via fluvial vindo de Manaus, com a concordância do governo brasileiro, o ministro plenipotenciário boliviano, Dom José Paravicini. Ele efetivamente instalou uma aduana e um povoado denominado Puerto Alonso (homenagem ao então Presidente da Bolívia Severo Fernandez Alonso) em terras do Seringal Caquetá, pouco acima da famosa Linha Cunha Gomes. Paravicini exerceu sua autoridade de forma rígida e baixou sucessivos decretos, dentre os quais, o polêmico ato de abertura dos rios amazônicos ao comércio internacional, que feria profundamente a soberania brasileira. Alem disso, passou a arrecadar grandes somas com os impostos sobre a borracha, a exigir a imediata demarcação dos seringais e a conseqüente regularização das propriedades, até então registradas no estado do Amazonas, causando temor aos habitantes dos altos rios acreanos.A revolta começava a tomar corpo entre seringalistas e seringueiros brasileiros que não se conformavam em ter que obedecer à autoridades estrangeiras. Enquanto isso multiplicavam-se as denúncias de violências cometidas contra brasileiros que se sentiam cada vez mais ameaçados em seus direitos. Com a partida do ministro boliviano para Belém, depois dos chamados "Cem dias de Paravicini", os acreanos decidiram se unir para lutar contra a dominação boliviana. Insurreição Acreana Em 1º de maio de 1899 alguns seringalistas reunidos no seringal Bom Destino, de Joaquim Vitor, sob a liderança do jornalista José Carvalho, decidiram que era chegada a hora de expulsar o delegado boliviano Moisés Santivanez. Este havia substituído Paravicini no comando de Puerto Alonso. Intimadas a partir do Acre, as autoridades bolivianas em evidente inferioridade numérica e militar não resistiram ao movimento revolucionário e partiram para Manaus. Mesmo sem o disparo de um tiro, estava iniciada oficialmente a Revolução Acreana com a assinatura de um manifesto por mais de 60 proprietários de seringais e outros profissionais que atuavam nesta região. Para dar direção ao movimento foi estabelecida uma Junta Central Revolucionária. Pouco tempo depois, José Carvalho retornou para Manaus doente de impaludismo.A denúncia de GalvezLuis Galvez, então repórter em Belém, descobriu e denunciou nos jornais paraenses (03/06/1899) a existência de um acordo secreto estabelecido preliminarmente entre diplomatas da Bolívia e dos Estados Unidos da América que formalizava uma aliança entre os dois países. Por esse acordo, em caso de guerra entre o Brasil e a Bolívia pelo domínio do Acre, os Estados Unidos apoiariam militarmente a Bolívia. A revelação desse acordo preliminar chocou a opinião pública brasileira, apesar (03/06/1899) das autoridades bolivianas e norte-americanas negarem veementemente as denúncias veiculadas pelos jornais. Estado Independente do Acre Depois de intensas negociações realizadas em Manaus, Galvez viajou ao Acre com patrocínio do governo do Amazonas. De seu encontro com os seringalistas da Junta Revolucionária surgiu a intenção de se fundar o Estado Independente do Acre, já que o governo brasileiro continuava reconhecendo os direitos bolivianos sobre a região. Em 14 de julho de 1899 (data escolhida propositalmente por se tratar do aniversário da Queda da Bastilha, evento que marcou o início da Revolução Francesa), foi criado o Estado Independente do Acre, com capital na Cidade do Acre (como passou a ser chamada Puerto Alonso). Luis Galvez foi escolhido, por aclamação, como presidente do novo país, e logo começou a organizar internamente o Acre e a expedir inúmeras correspondências a diversos países da Europa e da América, a fim de obter o reconhecimento internacional. A legislação que Galvez elaborou organizava a existência do novo país em seus diversos aspectos, desde a saúde até a educação, passando pelas forças armadas. Porém, uma parte dessas leis, bastante avançadas para a época, prejudicava os interesses de alguns seringalistas, mas principalmente de aviadores e exportadores de Manaus e Belém. Com o acirramento da oposição, Galvez foi deposto em 28 de dezembro de 1899 pelo seringalista Antônio de Souza Braga, que assumiu a presidência do Acre. Diante das dificuldades encontradas, Braga não conseguiu equilibrar a situação acreana e chamou Galvez para reassumir o cargo em 30 de janeiro de 1900. A partir desses acontecimentos e da enorme polêmica nacional que se tornou a questão acreana, o governo federal mandou para o Acre uma força tarefa da marinha brasileira para destituir Galvez e devolver o Acre ao domínio boliviano, o que aconteceu em 15 de março de 1900, sem nenhuma resistência por parte dos revolucionários. Expedição dos Poetas O governo boliviano reassumiu o controle do Acre ocupando militarmente diversas localidades. O governo do Amazonas, com o firme objetivo de anexar o Acre ao seu estado, financiou uma expedição armada. Porém, a Expedição Floriano Peixoto, como era oficialmente chamada, foi composta por boêmios e profissionais liberais de Manaus, sem nenhuma experiência militar. O combate entre a Expedição dos Poetas – nome mais popular da iniciativa – e o exército boliviano aconteceu em 29 de dezembro de 1900, em Puerto Alonso, com a derrota dos poetas. Os boêmios voltaram corridos para Manaus. O Bolivian Syndicate Finalmente, depois de tantos boatos e denúncias, em 11 de julho de 1901 foi assinado pela Bolívia o contrato de arrendamento do Acre com um sindicato formado por capitalistas norte-americanos e ingleses. Logo depois chegou ao Acre D. Lino Romero, autoridade boliviana encarregada de preparar o Acre para o estabelecimento do Bolivian Syndicate, que estava previsto para ser instalado em 02 de abril de 1902. Essa notícia repercutiu como uma bomba junto à opinião pública e aos meios políticos nacionais. O Bolivian Syndicate representava uma ameaça concreta e grave à soberania brasileira sobre a Amazônia. Isso forçou o governo federal a finalmente se posicionar na questão acreana, impedindo a efetiva instalação dessa Companhia Comercial. A manobra impediu que o imperialismo norte-americano assumisse o controle territorial (e militar inclusive) de uma das regiões mais ricas da Amazônia. Revolução Acreana Diante dos fracassos anteriores e da indecisão do governo federal, os seringalistas, insatisfeitos com a dominação boliviana e temerosos das conseqüências do Bolivian Syndicate, articularam uma nova revolta. Outra vez receberam financiamento do governo do Amazonas, para cujo comando foi convidado um homem com experiência militar. Plácido de Castro, ao assumir a revolução preparou um exército de seringueiros (embora os oficiais fossem todos seringalistas) e começou a luta em 6 de agosto de 1902, em Xapuri. A guerra entre o exército acreano e as forças regulares bolivianas foi dura e passou por momentos sangrentos, durando até 24 de janeiro de 1903, quando foi tomada Puerto Alonso, transformada então em Porto Acre. Mais uma vez foi declarado o Estado Independente do Acre, embora o objetivo final dos acreanos continuasse sendo obter a anexação do Acre ao Brasil. Tratado de Petrópolis A mudança na presidência brasileira foi marcada por uma nova postura do governo brasileiro em relação ao Acre. Enquanto Campos Sales (1898/1902) não quis envolver a problemática república brasileira na questão acreana, o novo Presidente Rodrigues Alves (1902/1906) estabeleceu uma política oposta. Rio Branco, nomeado ministro das Relações Exteriores, iniciou as negociações com a Bolívia. As questões foram resolvidas com o estabelecimento do Tratado de Petrópolis, em 17 de novembro de 1903. Com isso o Acre passou a fazer parte do Brasil, restando ainda o problema com o Peru, que só seria definitivamente resolvido em 8 de setembro de 1909, com a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro. ESTADO : ACRE Capital: Rio Branco, concentra 47,34% do total da população do Estado. Área: 153.149,9 Km2, representando 3,18% da Amazônia Brasileira. Criação: o Acre, área litigiosa até o início deste século, definiu-se com a conclusão das negociações em torno de seus limites com a Bolívia, em 1903, e com o Peru, em 1912, sendo anexado definitivamente ao Brasil. Desde então, passou à Unidade da Federação Brasileira com o status político-administrativo de Território Federal, tendo sido elevado à condição de Estado através da Lei Nº 4.070, de 15.06.1962. População: 483.489 habitantes (Contagem da População 1996 - Dados Preliminares - IBGE). Densidade demográfica : 3,16 hab./km2. Crescimento populacional : No período de 1960 a 1996, a população do estado do Acre cresceu de 157.970 para 483.489 habitantes, representando um crescimento de 206% em 26 anos. Só na década 1980/90, a taxa de crescimento foi de 38,32%. Limites NORTE: Estado do AmazonasLESTE: Estado de Rondônia e a República da BolíviaSUL: República da Bolívia e República do PeruOESTE: República do Peru A linha de fronteira internacional é de 2.183 Km, divididas ao sul e a leste com a Bolívia (618 Km); e ao sul e a oeste, com o Peru (1.565 Km). O Acre é a unidade da Federação mais próxima do Oceano Pacífico, distante aproximadamente 800 Km em linha reta; e cerca de 1.200 Km, por via rodoviária, estrada já aberta e implantada. O site Jornal Piracema agradece ao Senador Tião Viana pela autorização da reprodução da História do Acre, fonte de pesquisa para quem quer realmente conhecer a origem deste povo que lutou para ser brasileiro, bem retratado na minissérie da acreana Glória Perez, "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes" Fonte e Dados: Assessoria do Senador Tião Viana, autorizado sua reprodução através de sua assessoria de Comunicação, dia 8/2/2007.

Sintese da história do Acre

FONTE: http://www.achetudoeregiao.com.br/AC/historia_do_acre.htm ACRE: Área: 9.962 Km2. Altitude: 160m. Clima Tropical:(quente úmido). População:228857(Censo - 1996). Coordenadas Geográficas: Latitude: 9º 58' 29" (S). Longitude: 67º 48' 36" (W. G.R.). Maior intensidade de chuvas: Novembro a Abril. Fuso Horário: duas horas a menos do que a hora oficial de Brasília. Corrente elétrica: 110v. Rio Branco, a Capital do Estado do Acre(o nome Acre origina-se de Áquiri, transcrita pelos exploradores desta região da palavra Uwakuru do dialeto dos índios Ipurinã.), foi fundada em 28 de dezembro de 1882, com o nome de Seringal Empresa pelo cearense Neutel Maia. Em 1904, após a anexação definitiva do Acre ao Brasil, foi elevada à categoria de vila, tornando-se sede do departamento do Alto Acre. Em 1909 passou a ser denominada Penapólis (em homenagem ao então Presidente Afonso Pena) e, em 1912 , Rio Branco, em homenagem ao Barão de Rio Branco, chanceler brasileiro cuja ação diplomática resultou no Tratado de Petrópolis. Em 1913 tornou-se munícipio. Em 1920 capital do território do Acre e em 1962 à capital do estado. Rio Branco é o centro adminitrativo, econômico e cultural da região. É cortado pelo rio Acre, que divide a cidade em duas partes denominadas Primeiro e Segundo distritos. Principal portão de entrada e saída para os visitantes. Rio Branco, capital do Acre, é a maior e mais populosa cidade acreana, concentrando mais da metade da população total do Estado. Além disso, foi uma das primeiras cidades a surgir nas margens do rio Acre. Conta a história que, em fins de 1882, numa pronunciada volta do rio Acre, uma frondosa árvore, a Gameleira, chamou a atenção de exploradores que subiam o rio e levou-os a abrir novos seringais ali mesmo. O povoado chamado "Volta da Empreza" logo revelou-se mais movimentado do que um simples seringal pela abertura de pontos comerciais para o abastecimento das embarcações a vapor que subiam o rio no transporte do ouro negro (a borracha). Anos depois, a mesma Gameleira seria testemunha dos combates travados na Volta da Empreza entre revolucionários acreanos e tropas bolivianas durante o crítico período da Revolução Acreana que tornou o Acre parte do Brasil no início deste século. Com o Tratado de Petrópolis e a criação do Território Federal do Acre, a agora chamada "Villa Rio Branco", afirmou-se como o principal centro urbano de todo o vale do Acre, o mais rico e produtivo do território. Tanto assim, que a partir de 1920, a cidade de Rio Branco assumiu a condição de capital do Território e depois do Estado. Durante todos esses acontecimentos, a rua surgida da Gameleira, na margem direita do rio Acre, era o centro da vida comercial e urbana dessa parte da Amazônia. Ali se situavam os bares, cafés e cassinos que movimentavam a vida noturna da cidade, ali se encontravam os principais representantes comerciais das casas aviadoras nacionais e estrangeiras que movimentavam milhares de contos de réis naquela época de riqueza e fausto, ali moravam as principais famílias da elite urbana composta por profissionais liberais e pelo funcionalismo público. Com o passar do tempo a administração política do Território foi sendo transferida para a margem esquerda do rio Acre, com terras mais altas e não inundáveis. Ainda assim as ruas que integravam o centro da cidade formada pelas ruas Cunha Matos, 17 de novembro e 24 de janeiro permaneciam sendo a principal área comercial da cidade, paulatinamente dominada pelos imigrantes sirio-libaneses, a ponto de em meados da década de 30 ser também conhecida como "Bairro Beirute". Porém, a partir da década de 50, teve início um pronunciado processo de decadência econômica da histórica margem direita de Rio Branco, que passou a ser chamado de 2o Distrito. Isso resultou da transferência de boa parte de suas principais casas comerciais para o 1o Distrito da cidade, na margem esquerda do rio Acre, onde já estavam instaladas as principais repartições publicas e as residências das mais importantes famílias do território. De lá para cá, o ritmo de degradação urbana, social e econômica dessa área só fez aumentar e chegou ao seu ponto máximo com o desbarrancamento provocado pela grande alagação de 1997. Cronologia - 1882/1920 - 1882- O vapor sobe o rio Acre e desembarca os Irmãos Leite no seringal Bagaço. Neutel Maia decide ficar algumas milhas acima e no dia 28 de dezembro funda o Seringal Empreza, na volta do rio onde está situada a Gameleira. Depois o mesmo vapor ainda deixa Manuel Damasceno Girão na foz do Xapuri, onde fundou o seringal Xapuri. - 18 de setembro de 1902- Primeiro Combate da Volta da Empreza - vitória boliviana - 5 de outubro até 15 de outubro de 1902- Segundo Combate da Volta da Empreza - vitória acreana - 4 de abril de 1903- Ocupação da Empreza por tropas brasileiras, sob o comando do General Olympio da Silveira - 13 de maio de 1903- o general Olympio da Silveira proclama, em Empresa, o término da Revolução Acreana - 18 de agosto de 1904- Toma posse da Prefeitura do Departamento do Alto Acre, o Cel.Raphael Augusto da Cunha Mattos - 22 de agosto de 1904- Instaladas a delegacia de policia e uma escola primária. - 7 de setembro de 1904- decreto Nº 7 - mudança de Nome de Empreza para Villa Rio Branco - provisóriamente sede do Governo da Prefeitura Departamental. - 30 de junho de 1909- Prefeito Gabino Besouro - muda a sede do Departamento de Empreza (atual 2º Distrito) para Penápolis (atual 1º Distrito) - 10 de agosto de 1910- instalava-se em Penapólis uma agência dos correios. - 3 de outubro de 1912- Por ato do Prefeito Departamental Deocleciano Coelho de Souza Penápolis e Empreza passam a se chamar Rio Branco - 7 de Maio de 1913- é instalada uma estação de Rádio Telegrafia, tirando os acreanos do isolamento total - 13 de junho de 1913- É criada uma nova organização ao território, razão da qual é instalado oficialmente o município de Rio Branco - 7 de janeiro de 1914- Primeiras eleições municipais - 1º de Maio de 1915- é inaugurado o primeiro grupo escolar da cidade - 13 de Maio de 1916- Inaugurado o serviço de luz elétrica - 1º de outubro de 1920- Território do Acre - extinção do departamento e unificação dos municípios em torno de um só governo, Rio Branco é escolhida a capital do Território do Acre Em 28 de dezembro de 1882 desembarcava na Gameleira o explorador Neutel Maia para fundar um seringal que acabaria por dar origem ao povoado "Volta da Empreza", futura cidade de Rio Branco. Nos primeiros trinta anos de sua história o povoado esteve restrito à margem direita do rio Acre, uma área alagável que todos os anos sofria com as cheias do rio. Por isso, em 1908, o Prefeito do Departamento do Alto Acre, Gabino Besouro, decidiu desapropriar terras do Seringal Empreza, situado na margem esquerda do rio, para construir uma nova cidade que ele denominou de "Penápolis", em homenagem ao então presidente da Republica Afonso Pena. Apesar de se constituir no centro "Oficial" da cidade, uma vez que deveria sediar o governo territorial, Penápolis (atual 1º Distrito) não possuía uma estrutura compatível com a sua importância formal. Enquanto isso a maioria da população se concentrava no bairro "Empreza" (atual 2º Distrito) onde estavas situadas as maiores casas comerciais e as residências das principais famílias. Somente no Governo de Hugo Carneiro 1926/1930, começou efetivamente a urbanização de Penápolis, com a construção de diversos prédios em alvenaria. A criação de toda a infra-estrutura necessária para o funcionamento do governo territorial somente foi completada no Governo de Guiomard Santos 1946/1950. CRUZEIRO DO SUL Área 7.781,5 Km, eqüivalendo a 26,30% da região e a 5,08% da área total do Estado. População 60.817 hab, na proporção de 42,5% rural e 57,5% urbana. Localizado na Regional do Juruá, Cruzeiro do Sul limita-se ao norte com o Estado do Amazonas; ao sul com o Município de Porto Walter; ao leste com o Município de Tarauacá e à oeste com os Municípios de Mâncio Lima, Rodrigues Alves e com a República do Peru. Dista aproximadamente 648 km de Rio Branco, por rodovia, através da BR-364. Entretanto o acesso via terrestre é muito difícil. É ligado ao município de Pucalpa - Peru, do qual dista 250 km, apenas por via aérea (taxi aéreo). Existe um intercâmbio ativo de turistas entre essas duas cidades, influenciado pelo comércio local.Cruzeiro do Sul é consideradaa capital do Juruá, sendo um dos mais importantes pólos turísticos e econômicos do Estado. Conhecido como a "Terra dos Náuas". Tem seus encantos para mostrar, como: igarapés mágicos, praias de areias claras e finas, águas escuras e límpidas, passeios e pescarias pelos rios e a vegetação selvagem da floresta. Além disso, Cruzeiro do Sul é cercada de construções e monumentos que simbolizam e guardam a história e grandeza do seu povo. A cidade ganhou, recentemente, um bonito e moderno teatro, um espaço digno para o desenvolvimento de atividades culturais.A cidade tem uma boa pista de pouso, localizada a 15 km do centro urbano. Existe linha regular de jato comercial e aviões de médio porte. O extrativismo da borracha foi até o início do século XX a principal atividade econômica desenvolvida no município. Além da borracha, a economia da região gira muito em torno da exploração da madeira. Atualmente, a farinha é o principal produto da atividade econômica municipal, sendo uma das melhores da região e muito apreciada no sul do país. SENA MADUREIRA Área 25.296,7 km2, eqüivalendo a 61,97% da região e 16,52% da área total do Estado. População 22.825 (hab.), na proporção de 47% rural e 53% urbana. Sena Madureira está localizada entre as latitudes 8°45’S e 10°45’S e as longitudes 68°00’WGr e 70°45’ WGr e a 135m acima do nível do mar. O município já foi a sede do Governo do Estado. Foi fundado em 25 de setembro de 1904, por Siqueira de Menezes, obtendo sua autonomia pelo Decreto Federal nº 9.831, de 23 de outubro de 1.912. Faz fronteira com o Peru, divisa com o Estado do Amazonas e com os municípios de Manuel Urbano, Santa Rosa, Bujari, Rio Branco, Assis Brasil, Xapuri e Brasiléia. Localiza-se às margens do Rio Iaco, que tem os rios Macauã e Caeté como seus principais afluentes. Tem acesso terrestre às cidade de Rio Branco e Manuel Urbano pela BR-364, ficando a distância entre esses municípios assim distribuídas: Sena Madureira/Rio Branco 145 km e Sena Madureira/Manuel Urbano 74 km. Por transporte fluvial a viagem até a cidade de Rio Branco é realizada pelo Rio Purus e passando pelas cidades de Boca do Acre no Amazonas e depois percorrendo o Rio Acre até a Capital. A cidade de Sena Madureira possui um pequeno centro comercial com os produtos, na maioria importados de Manaus-AM e Belém-PA, que chegam em balsas de grande calão, proporcionando dessa forma um menor custo no fretamento. Sena Madureira, conhecida como a princezinha do Acre é terra de povo simples e hospitaleiro, uma herança do povo nordestino. TOPO DATAS FESTIVAS 25 de setembro, aniversário da cidade;08 de dezembro, festa de Nossa Senhora da Conceição; festival do mandi; campeonato de pesca. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Rodoviários - através da BR-364, pavimentada até Rio Branco; Fluvial - através do Rio Purus, por meio de balsas, batelões e pequenas embarcações; Aéreo - por meio de pequenas aeronaves. TARAUACÁ Área 16.120,5 km2, eqüivalendo a 35,40% da Região e 10,53% da área total do Estado. 23.838 hab, na proporção de 52% rural e 48% urbana. Fundado em 1º de outubro de 1907, por Antônio Antunes de Alencar, obteve sua autonomia através do Decreto Federal nº 9.831 de 23 de outubro de 1912. Limita-se com o Estado do Amazonas, com a República do Peru e com os municípios de Feijó, Jordão, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Cruzeiro do Sul. A cidade de Tarauacá é banhada pelo rio do mesmo nome, que no verão, é margeado por quilômetros de praias de areias brancas e finas. O rio serve de opção nos finais de semana à centenas de banhistas, que procuram suas águas no afã de refrescar-se do forte calor da época. Tarauacá é conhecido como a terra do abacaxi gigante. Esse fruto chega a pesar em torno de 15 kg, fato que provoca grande admiração nos visitantes. A cidade é dotada de razoável infra-estrutura turística, conta com hospedarias, bares, dois hotéis que oferecem apartamentos dotados de frigobar, televisão, ar condicionado, restaurantes onde sempre se encontram pratos à base de peixes nobres da Região. A base econômica do município fundamenta-se na agricultura, pecuária, pesca – (para subsistência) e no extrativismo de borracha e madeira, para exportação. Conta ainda, com pequenas indústrias de móveis, cerâmicas e artefatos de cimento. Dispõe de correios, telefone, rádio, uma emissora de televisão por satélite, um centro de saúde e um hospital além de contar periodicamente, com atendimento feito pelo barco-hospital da Secretaria de Saúde do Estado. O município sofre isolamento por causa das precárias condições da BR-364. Portanto, suas relações comerciais se dão no âmbito das vias fluviais, que por sua vez, é sazonal, devido a variação do nível das águas do Rio Tarauacá. O meio de acesso mais efetivo é o aéreo, em aviões de médio porte. DATAS FESTIVAS 24 de abril, aniversário da cidade; 26 de setembro, novenário de São Francisco. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Aéreos - através de aeronaves de porte médio DASH 8 e outras aeronaves menores.Rodoviários - através da BR-364, restrito à época de estiagem; Fluvial - através de balsas, batelões e outras embarcações de pequeno porte. FEIJÓ O município de Feijó tinha suas terras habitadas pelas tribos Jaminawás, kaxinauwás e Chacauwás. Com a chegada dos nordestinos à foz do rio Envira, em 1879, começou-se a desbravação da região, subindo os rios e igarapés, desmarcando os ‘seus’ lotes e terras e até ‘seringais’. No entanto, ocorreram vários conflitos na selva, entre os nordestinos e índios por conta da desocupação dessas áreas de terras, que pouco tempo depois transformaram-se em seringais. É neste contexto que surge à margem direita do rio Envira, o Seringal Porto Alegre que mais tarde deu origem ao município de Feijó. Após alguns anos o seringal tornou-se um vilarejo, e aos 13 de maio de 1906, foi elevado a categoria de vila sob a denominação de Feijó, em homenagem ao Pe. Diogo Feijó, nome que se conserva até hoje. A instalação do município deu-se sob o decreto 968 de 21 de dezembro de 1938, sendo o governador do território do acre, o Sr.Dr. Epaminondas Martins e o Prefeito municipal o Sr. Raimundo Augusto de Araújo. BUJARI Área 3.397,9 km2, eqüivalendo a 14,47% da Região e 2,22% da área total do Estado. População 4.641 (hab.), na proporção de 72,91% rural e 27,09% urbana. O município do Bujari foi criado pela lei 1.031, de 28 de abril de 1992, desmembrado do município de Rio Branco. Está situado na Regional do Baixo Acre, às margens da BR- 364, distando 28 km de Rio Branco. Bujari ficou conhecido desde a época em que ainda era vila, devido à qualidade das hortaliças cultivadas no polo-hortigranjeiro existente naquela localidade, que ajudava no abastecimento do mercado da Capital. O Bujari conta também com várias Organizações não- governamentais, entre elas, a Caixa Agrícola dos Pequenos Produtores Rurais, que é hoje uma das responsáveis pelo desenvolvimento agrícola do município. Encontra-se em fase de conclusão o novo aeroporto internacional do Estado, localizado a 14 Km da cidade de Rio Branco e apenas 08 Km da sede do município de Bujari, empreendimento que poderá trazer grandes benefícios sócio-econômicos para o município. Bujari limita-se com os municípios de Rio Branco, Porto Acre, Sena Madureira e com o Estado do Amazonas. Sua economia está baseada na agricultura de subsistência, com destaque para a produção de hortaliças. Possui considerável rebanho bovino e também uma piscicultura em ascensão. Boa parte da Floresta Estadual do Antimari encontra-se dentro de seus limites. DATAS FESTIVAS 28 de abril, aniversário da cidade. 24 de junho, Festa de São João Batista - Padroeiro da cidade. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Rodoviário. Através da rodovia BR-364. SENADOR GUIOMARD 1806,4 km2 , eqüivalendo a 7,69% da Região e 1,18% da área total do Estado. 13.791 hab., na proporção de 55% rural e 45% urbana. O município de Senador Guiomard limita-se com o Estado do Amazonas e com os municípios de Acrelândia, Plácido de Castro, Capixaba, Rio Branco e Porto Acre. Foi fundado por Raimundo de Almeida Câmara, nas cabeceiras do Igarapé Judia com o nome de Quinari Grande. O nome Quinari tem a origem na existência de uma árvore da região conhecida como "quina-quina", que na forma de chá era usada para combater a malária e outras doenças na época. Foi elevado a categoria de Vila (1956). Em 1º de março de 1963 passou à categoria de município, quando recebeu o nome de Senador Guiomard, em homenagem ao autor do Projeto de Lei Senador Guiomard dos Santos. O município oferece à população uma infra-estrutura razoável, dispõe na área central: ruas pavimentadas, em asfalto e tijolos, praças, restaurantes, hospital, posto de saúde, drogarias, hotéis, supermercados, agência de correios, bancos e outros serviços essenciais. A atividade produtiva do município ganhou maior agilidade com a implantação de novas indústrias que operam com tecnologias modernas e dentro dos padrões exigidos pelos Ministérios da Saúde, Agricultura e do Trabalho. Vale ressaltar o trabalho desenvolvido na área extrativista e agrícola pelas cooperativas e associações de produtores rurais. Para lazer e práticas desportivas a comunidade conta com um ginásio poliesportivo, um estádio de futebol, uma pista de motocross, um clube de pára-quedismo, quadras de esporte, bares e clubes recreativos com piscinas de água natural. Distando 24 Km de Rio Branco, é ligado à capital acreana através da AC – 40, em trecho totalmente asfaltado. DATAS FESTIVAS 06 de maio, aniversário da cidade; 08 de junho, festa de Nossa Senhora das Graças. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Rodoviários - com serviços diários de ônibus intermunicipal, através das rodovias BR-317 e AC-40. CAPIXABA Área 1.567 km2, eqüivalendo a 6,67% da Região e 1,02% da área total do Estado. 3.286 (hab.), na proporção de 66% rural e 34% urbana. O município de Capixaba, antiga Vila Gavião, foi criado pela lei n.º 1.027, de 28 de abril de 1992, vivendo hoje, a sua segunda gestão administrativa. Foi desmembrado dos municípios de Rio Branco e Xapuri e está situado na Regional do Baixo Acre. Encontra-se às margens da BR-317, com distância do município de Rio Branco de 77 km. Capixaba já teve dias promissores, quando no auge do extrativismo do látex, contribuiu com grande parte da produção de borracha do Estado. A produção do látex e a extração da castanha do brasil continuam, ainda hoje, como destaques na economia municipal, onde o município de Capixaba figura como o segundo maior produtor do Estado. A exploração de madeira, frutas tropicais e palmito são também de grande representatividade na economia do município. DATAS FESTIVAS Dia 28 de Abril – Aniversário do município. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Rodoviários - através da Rodovia BR-317, pavimentada no trecho Rio Branco/Brasiléia. MÂNCIO LIMA Área 4.692,2 Km2, eqüivalendo a 15,86% da região e a 3,06% da área total do Estado. População 9.095 hab, na proporção de 46% rural e 54% urbana. O Município de Mâncio Lima começou como um povoado denominado Japiim (nome de um pássaro de plumagem preta e amarela, muito comum na região). E, em 1913, Rego Barros, prefeito na época do Departamento do Alto do Juruá, elevou Japiim à categoria de vila, com a denominação de Mâncio Lima, e, em 1963, Mâncio Lima é o município mais distante da capital e o ponto extremo a oeste do Brasil. Sendo denominado o ponto mais ocidental. Está ligado diretamente, com o Município de Cruzeiro do Sul pela BR-364, totalmente asfaltada, com uma distância de 34 km. Encontra-se a 700 km de Rio Branco, tendo seu acesso por via aérea em aeronaves de pequeno porte, terrestre ou fluvial. Faz fronteira com Peru e divisa com o Estado do Amazonas e com o Município de Cruzeiro do Sul. A economia do município baseia-se no setor primário, sendo a cidade um reflexo da economia rural, onde a pequena diversidade do setor agrícola, com predomínio do extrativismo, reflete-se no abastecimento de produtos alimentares. A maior parte dos produtos consumidos são importados de outros municípios, via Cruzeiro do Sul, comercializados através de organismos monopolizados, onerando substancialmente o custo de vida e assim aumentando o grau de carência e necessidade da população. TOPO DATAS FESTIVAS 30 de maio - aniversário da cidade; 20 de janeiro - festa de São Sebastião. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Aéreo - através de pequenas aeronaves; Rodoviário - através da BR-364; Fluvial - através de pequenas embarcações, via Rio Juruá. EPITACIOLÂNDIA Área 1.659,3 km2,. eqüivalendo a 12,18% da Regiões e 1,08% da área total do Estado. População. 10.012 (hab.), na proporção de 39,46% rural e 60,54% urbana. Nas primeiras décadas deste século viveu o auge da exploração extrativista da castanha e da borracha, que eram transportadas pelo Rio Acre através de navios de carga conhecidos como "chata". Hoje esse tipo de transporte desapareceu, para dar lugar ao transporte rodoviário através da rodovia BR-317 que liga a capital do Estado, Rio Branco, totalmente asfaltada, constituindo-se na sua principal via de acesso. Apesar de instituída como Área de Livre Comércio, a mesma ainda não foi regulamentada. Atualmente, registra-se forte dependência comercial com o vizinho município boliviano de Cobija, contrariando o ocorrido em décadas passadas, quando o fato era o inverso. Atualmente a cidade de Brasiléia não conta com uma infra-estrutura hoteleira e de restaurantes capaz de atender ao fluxo de turistas que fazem compras na zona franca de Cobija, principalmente nos finais de semana. As atividades econômicas encontram-se praticamente paralisadas, sua agricultura é tradicional, a indústria dá lentos sinais de recuperação, com a instalação de uma beneficiadora de leite, que permitirá abastecer mercados como Epitaciolândia e Cobija (Bolívia); algumas serrarias e fábricas de móveis, no setor de prestação de serviços estão completamente paralisadas. A pecuária possui um efetivo considerável, principalmente de gado de corte. Existe grande potencial para o ecoturismo, precisando apenas de maior divulgação de seu potencial. DATAS FESTIVAS 03 de julho, aniversário da cidade; 17 de setembro, festa de Nossa Senhora das Dores. Pontos turísticos Praia do Adolfo; Balneário do Jarinal;Zona franca (compras na cidade de Cobija - Bolívia); Praia do urubu. MANOEL URBANO Área 9.477,2 km2, eqüivalendo a 23,22% da região e 6,19% da área total do Estado. População 5.889 hab., na proporção de 52% rural e 48% urbana. O Município de Manuel Urbano foi fundado a 1° de março de 1963, alcançando sua autonomia através da lei n.º 588 de 14 de maio de 1976. Situado na Região do Purus, limita-se com o Estado do Amazonas e os municípios de Sena Madureira, Santa Rosa do Purus, Feijó e faz fronteira com a República do Peru. Está situado a margem esquerda do Rio Purus. O município de Manuel Urbano ainda sofre com a falta de infra-estrutura, tanto urbana quanto rural. A cidade possui uma usina geradora de energia elétrica de motores à diesel, com uma potência instalada de 450 KWA. Sua pavimentação é apenas de tijolos nas vias principais. Conta com uma pista de pouso, coberta de grama atendendo ao transporte de passageiros para Cruzeiro do Sul e Rio Branco através de pequenas aeronaves. O transporte fluvial é feito por balsas e pequenos batelões, através do Rio Purus. A Br-364 que liga o município à Sena Madureira não oferece condições de tráfego no período invernoso que começa, geralmente, com as primeiras chuvas de outubro e vai até o final de abril, condenando os moradores da região ao completo isolamento. Do ponto de vista das atividades econômicas, Manuel Urbano tem como maior fonte de renda o extrativismo da borracha vegetal. A cidade é reflexo da economia rural, onde a produção é pequena, não sendo suficiente nem para subsistência. Em decorrência disso vários produtos são importados de outros municípios onerando substancialmente o custo de vida da população. Por outro lado, o isolamento da região tem, de certa forma, preservado suas riquezas naturais, embora apresente áreas devastadas, com eliminação da floresta natural. DATAS FESTIVAS 14 de maio, aniversário da cidade. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Rodoviário - somente no verão, com linhas de ônibus diariamente pela BR-364; Aéreo - através de pequenas aeronaves; Fluvial - através de balsas, batelões e pequenas embarcações. PORTO WALTER Área 6.093,4 Km2, eqüivalendo a 20,6% da região e a 3,98% da área total do Estado. População 4.898 hab, na proporção de 78% rural e a 22% urbana. Criado pela lei nº 1.030, de 28 de abril de 1992, foi desmembrado do Município de Cruzeiro do Sul. Localiza-se às margens do Rio Juruá, limitando-se com os Municípios de Cruzeiro do Sul, Marechal Thaumaturgo e Tarauacá e faz fronteira com a República do Peru. Sua economia está baseada no extrativismo vegetal, principalmente do látex e da madeira. O aspecto cultural é marcado por varias tradições e crendices populares. Destacam-se as comidas típicas como "chirumbe", "jacuba" e "chibé". Seu povo tem raízes indígenas e orgulha-se de ser amazônida. Suas relações econômicas são realizadas basicamente com Cruzeiro do Sul. TOPO DATAS FESTIVAS 25 de junho - aniversário da cidade; 29/11 à 08/12 - novenário de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Rodoviário - não possui ligação rodoviária Aéreo - através de aeronaves de pequeno porte; Fluvial - através de pequenas embarcações, via Rio Juruá. RODRIGUES ALVES Área 3.318,5 km2, eqüivalendo a 11,22% da região e a 2,17% da área total do Estado. População: 9.360 hab, na proporção de 78% rural e 22% urbana. Criado pela lei nº 1.032 de 28 de abril de 1992, Rodrigues Alves foi desmembrado dos Municípios de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, com os quais faz divisa. Faz fronteira com a República do Peru. Por ser um município novo, sua infra-estrutura física encontra-se ainda em fase de desenvolvimento. Sua economia está baseada no extrativismo vegetal, dando ênfase a hévea látex e a madeira. A agricultura municipal é praticada apenas como forma de subsistência. Devido sua localização geográfica e o difícil acesso à capital do Estado, suas relações econômicas são feitas via Cruzeiro do Sul, cuja ligação rodoviária com o mesmo é totalmente asfaltada. DATAS FESTIVAS 28 de abril, aniversário da cidade. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Rodoviário - através da BR-364, totalmente asfaltada até Cruzeiro do Sul; Aéreos - através de aeronaves de pequeno porte; Fluvial - é o meio de transporte mais intenso do município, feito através do Rio Juruá por meio de pequenas e médias embarcações. PLÁCIDO DE CASTRO Área 2.055,6 km2, eqüivalendo a 8,76% da Região e 1,34% da área total do Estado. População 12.101 (hab.), na proporção de 68% rural e 32% urbana. O município de Plácido de Castro está localizado entre as latitudes 9°45’S e 10°45’S e as longitudes 66°30’ WGr e 67°45’ WGr. Faz fronteira com a Bolívia, e divisa com o Estado de Rondônia e com os municípios de Acrelândia, Senador Guiomard e Rio Branco. Localiza-se às margens do Rio Abunã, na Regional do Baixo Acre. O Município de Plácido de Castro, foi criado em 30 de março de 1963. Inicialmente o local era uma colocação de seringueiros, passando posteriormente a depósito do Seringal São Gabriel, com o nome de Pacatuba. Em 1922 com o crescimento do povoado recebeu o nome de Plácido de Castro, em homenagem ao herói da revolução acreana. Seu surgimento deu-se em razão da posição comercial estratégica para compra de borracha, castanha e fornecimento de mercadorias, função de entreposto que concentrava toda produção da rica e vasta região boliviana. Obteve sua autonomia pela Lei Estadual n.º 568, de 14 de maio de 1976 e tendo sua efetiva instalação dia 30 de março de 1977. Situa-se a uma altitude de 120 m acima do nível do mar. Com o asfaltamento dos 95 km da rodovia Ac-40 , a população de Rio Branco e outros municípios passou a utilizá-la para passeios. O fluxo de pessoas levou os vizinhos bolivianos a trazerem produtos importados, principalmente dos Estados Unidos, Panamá e países asiáticos para a Vila Montevidéu, em solo boliviano e que hoje é popularmente conhecido como o "shopping da Amazônia". Plácido de Castro também é conhecido por possuir um parque ecológico, com 34 hectares e 113 espécies da flora tropical, considerado um dos mais importantes e completos da Região Amazônica. DATAS FESTIVAS 30 de janeiro, aniversário da cidade; 7 e 8 de julho, Festa do Bom Jesus do Abunã . SERVIÇOS DE TRANSPORTES Transportes fluviais - através do Rio Abunã em pequenas e médias embarcações. Transportes rodoviário - através da AC-401 e AC-40. BRASILÉIA Área 4.356,4 km2, eqüivalendo a 31,98% da Região e 2,84% da área total do Estado. 13.938 (hab.), na proporção de 47,76% rural e 52,24% urbana. Localizado a 237 km ao sul de Rio Branco, na fronteira com a República da Bolívia, tem limites com os municípios de Epitaciolândia, Assis Brasil, Sena Madureira e Xapuri. É banhado pelos rios Acre e Xapuri. Com o primeiro faz limite com a vizinha República da Bolívia. Nas primeiras décadas deste século viveu o auge da exploração extrativista da castanha e da borracha, que eram transportadas pelo Rio Acre através de navios de carga conhecidos como "chata". Hoje esse tipo de transporte desapareceu, para dar lugar ao transporte rodoviário através da rodovia BR-317 que liga a capital do Estado, Rio Branco, totalmente asfaltada, constituindo-se na sua principal via de acesso. Apesar de instituída como Área de Livre Comércio, a mesma ainda não foi regulamentada. Atualmente, registra-se forte dependência comercial com o vizinho município boliviano de Cobija, contrariando o ocorrido em décadas passadas, quando o fato era o inverso. Atualmente a cidade de Brasiléia não conta com uma infra-estrutura hoteleira e de restaurantes capaz de atender ao fluxo de turistas que fazem compras na zona franca de Cobija, principalmente nos finais de semana. As atividades econômicas encontram-se praticamente paralisadas, sua agricultura é tradicional, a indústria dá lentos sinais de recuperação, com a instalação de uma beneficiadora de leite, que permitirá abastecer mercados como Epitaciolândia e Cobija (Bolívia); algumas serrarias e fábricas de móveis, no setor de prestação de serviços estão completamente paralisadas. A pecuária possui um efetivo considerável, principalmente de gado de corte. Existe grande potencial para o ecoturismo, precisando apenas de maior divulgação de seu potencial. DATAS FESTIVAS 03 de julho, aniversário da cidade; 17 de setembro, festa de Nossa Senhora das Dores. Pontos turísticos Praia do Adolfo; Balneário do Jarinal; Zona franca (compras na cidade de Cobija - Bolívia); Praia do urubu. ASSIS BRASIL Área 2.884,2 km2, eqüivalendo a 21,17% da Região e 1,88% da área total do Estado. 2.918, na proporção de 36,36% rural e 63,64% urbana. Situado entre os rios Acre e Iaco, sua sede está localizada na região conhecida pelas três fronteiras, entre Brasil, Bolívia e Peru. O município está situado à margem esquerda do Rio Acre. Limita-se com a região peruana de Inapari e com Bolpebra na Bolívia, com quem tem laços comerciais crescentes, já que na parte boliviana existe uma pequena zona franca, onde são comercializados, principalmente, produtos eletrônicos. Assis Brasil está ligado à cidade de Brasiléia, através da BR-317, com uma distância de 118 km, em rodovia ainda de terra, esperando-se que nos próximos anos esta seja pavimentada. Conta com uma pista de pouso de terra para receber pequenos aviões que fazem serviço de taxi-aéreo. Outra via de importante ligação é o transporte fluvial através do Rio Acre, que liga o município a cidade de Brasiléia. Sua atividade econômica encontra seu maior destaque na pecuária. A produção agrícola municipal é insignificante. Outra atividade bastante explorada é a madereira. Hoje o Município conta com algumas serrarias e pequenas fábricas de móveis. A população de Assis Brasil sonha com a pavimentação da BR-317, ligando o Brasil aos portos do pacífico, quando o município se constituirá de entreposto comercial para atividades de exportação, saindo do isolamento imposto por conta de sua localização geográfica. Vale a pena ressaltar o grande contingente indígena existente em Assis Brasil. DATAS FESTIVAS 19 de abril, aniversário da cidade; 31 de maio, festa de N. S. do Perpétuo Socorro . SERVIÇOS DE TRANSPORTES FluvialTerrestreÁereo ACRELÂNDIA Área 1.609,7 Km2, eqüivalendo a 6,86% da Região e 1,05% da área total do Estado. 6.730 hab., na proporção de 70% rural e 30% urbana. Criada pela lei n.º 1.025 de 28 de abril de 1992, desmembrado dos municípios de Plácido de Castro e Senador Guiomard, Acrelândia vive hoje a sua segunda gestão administrativa. Está situado na Regional do Baixo Acre e faz fronteira com a República da Bolívia , além de limitar-se com os municípios de Senador Guiomard , Plácido de Castro e com o Estado do Amazonas. Sua origem remonta ao período dos projetos de assentamento do INCRA , na década passada , sendo sua população constituída, na maioria, por famílias de agricultores que migraram de outras regiões do País. A base econômica do município é a agricultura , tanto de subsistência quanto de lavouras permanentes, com destaque para o cultivo do algodão , do café e da banana. A extração da madeira e da castanha do Brasil, atividades geridas, em sua maior parte por cooperativas e associações de produtores locais, é também representativa na economia municipal. . O acesso ao município pode ser feito pela BR-364 até o Km 95 , entrando 17 Km na Rodovia AC-401 , ou ainda: pela rodovia AC-40 até o Km 95, desviando o sentido à esquerda pela AC-401 em direção ao projeto Redenção . DATAS FESTIVAS 28 de abril, aniversário do município. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Rodoviário - através da Rodovia Ac-401. MARECHAL THAUMATURGO Área 7.700,6 Km2, eqüivalendo a 26,03% da região e a 5,03% da área total do Estado. População 8.522 hab, na proporção de 94% rural e 6% urbana. Criado pela lei de nº 1.029, de 28 de abril de 1992, foi desmembrado do município de Cruzeiro do Sul. Situa-se na região do Juruá limitando-se com os municípios de Tarauacá, Jordão e Porto Walter e faz fronteira com a República do Peru. Sua economia baseia-se no extrativismo vegetal e na agropecuária. Devido a sua localização geográfica, suas relações econômicas realizam-se basicamente com o município de Cruzeiro do Sul. Está localizado às margens dos Rios Amônia e Juruá, em terras do antigo Seringal Minas Gerais. DATAS FESTIVAS 28 de abril - aniversário da cidade. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Aéreos - através de aeronave de pequeno porte, em pequena pista de pouso; Fluviais - através de pequenas embarcações, via Rio Juruá. SANTA ROSA Área 6.049,7 Km 2, eqüivalendo a 14,82% da região e 3,95% da área total do Estado. População 1.848 (hab.), na proporção de 80% rural e 20% urbana. O Município de Santa Rosa do Purus, desmembrado de Manuel Urbano, foi constituído através da Lei Estadual nº 1.028 de 28 de abril de 1992. Situado na Regional do Purus, seu limite começa no marco Internacional da fronteira Brasil/Peru, localizado próximo à nascente do Rio Santa Rosa, limitando-se também com os municípios de Feijó e Manuel Urbano. É talvez o município de mais difícil acesso, por não dispor de rodovias, possuindo apenas uma pista de pouso improvisada, com cobertura de grama, servindo apenas para pouso de pequenas aeronaves. O transporte fluvial é o único meio para o escoamento de produtos agrícolas, como também, transporte de seus habitantes até ao município de Sena Madureira e outras regiões. Sua economia baseia-se principalmente no extrativismo (látex e madeira). A atividade da pesca, é bastante representativa como meio de subsistência. Santa Rosa não possui sistema de geração de energia e nenhuma obra de saneamento. DATAS FESTIVAS 28 de abril - aniversário da cidade. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Fluvial - através do Rio Purus. PORTO ACRE Área 2.923 km2, eqüivalendo 12,45% da Região e 1,91% da área total do Estado. 7.944 (hab.), na proporção de 89% na zona rural e 11% urbana. Considerado município histórico por ter sediado no início do século repartições boliviana (Puerto Alonso) e brasileira (Porto Acre) e ainda por servir de palco para sangrentas batalhas que culminaram com a incorporação do território acreano à nação brasileira. Seu povoamento processou-se ao longo do Rio Acre que servia de rota para a marcha de ocupação e também por ser, à época, a única via de circulação para pessoas e mercadorias. Essa faixa de terra propiciou ampla produção aos moradores ribeirinhos com o cultivo do caju, da melancia, da banana, das hortaliças e de outras culturas de subsistência. A atividade produtiva do município, em sua maior parte, é gerada pela agricultura e pelo extrativismo vegetal. Nessa área destaca-se a atuação das cooperativas e das associações de produtores rurais, com ênfase à participação do polo hortifrutigranjeiro Pad. Humaitá como referência para outras regiões. O município faz limites com o Estado do Amazonas e com os municípios de Rio Branco, Senador Guiomard e Bujari com quem mantêm considerável intercâmbio, e fronteira com a Bolívia. É ligado a Rio Branco através da Rodovia AC-010, distando 57 Km da capital. DATAS FESTIVAS 24 de janeiro, aniversário da cidade;4º domingo do mês de outubro, Círio de Nossa Senhora de Nazaré. 28 de abril, data de criação do município. SERVIÇOS DE TRANSPORTES Rodoviário - principalmente através da Rodovia Ac-401, que se ressente de urgente recuperação. Fluvial - através do Rio Acre por meio de embarcações de médio e pequeno portes. Colaboração: Departamento de Patrimônio Histórico e Cultura - FEM