quinta-feira, 16 de maio de 2013

TORPEDOS AOS TORPES NA SOCIEDADE DO MEDO (Acre)


 Por João Veras (16/05/13)
Advogado e Músico conhecido no Acre, além de compor, é flautista e percussionista. Desde os anos 1980/90, mantém participação em movimentos artísticos, festivais e espetáculos musicais e teatrais, no Acre e também fora do Estado. Nos anos 1980, integrou o projeto de cooperativa musical "Canto Livre Canto", sendo um dos criadores dos grupos musicais Capù e Os Alquimistas. Foi o idealizador e produtor do songbook "Canções Acreanas", que foi publicado em 2000, sem fins lucrativos, fazendo parte do Projeto "Caderno de Músicas Acreanas". 







POEMA


No Acre
a sociedade do medo tem sede no pau de arara
Como que anestesiada, como que cooptada, como que indiferente, como que conivente como que conveniente como que subserviente como que atrelada como que displicente como que medrosa como que paralítica como que sacristã como que incrédula em si como que crédula no poder do dono como que crédula na fé mercantil como que crédula no mercantil da fé ou como que se fazendo de morta posto que morta
A sociedade acreana do terceiro milênio
Ela de todos os tempos não tem voz coletiva
A voz não existe para a sociedade e a sociedade não existe para a voz
Não povoa seus espaços, não é pública, e tem sido povo à toda prova
Acabou, não faz sentido
Não terminou, faz sentido

Seus lideres, seus senhores
Seus sonhos, seus pesadelos
Sua imprensa, seus embustes
Suas opiniões, suas privadas
Seus sindicatos, seus traíras
Utopias de proprietários
Utopias de propriotários

Não é negócio pensar como sociedade, imaginar como povo, circular como público
Povo: meio de domínio sob todos de uma só vez – o poder do discurso do poder
A sociedade civil é incivil pueril fastio de luta
Luta-se para sobreviver à fome
Não há tempo para entender quem e o que se lhe passa
Instinto tinto
O resto esbarra no muro do medo e da ignorância
Medo e ignorância do exemplo
Medo e ignorância da história
A história das covardias
A história do degredo, a história do segredo, a história do medo da história
da indiferença à diferença
Da história dos Impérios dos contracheques, das máfias, dos carteis, dos quarteis, dos papeis, das quadrilhas, dos diplomatas, dos magnatas das jogatinas, das fedentinas, das serpentinas, das creolinas

Força do Império da elite
a do delivery dos corpos
a do delivery das mentes
a do delivery dos porcos e dos gado marcado no curral da society
a do delivery das mortes
Porta de saída para a promessa do passado
Porta de saída para a promessa do presente
Porta de saída para a promessa do futuro
A promessa insatisfeita
Porta de entrada para o crime organizado

Até quando desde sempre?
Desde sempre os mesmos prometem
Os mesmos acreditam
Os mesmos esquecem
Os mesmos se indignam

Os mesmos sempre os mesmos em suas árvores genealógicas
Os tataranetos, os bisnetos, os netos, os filhos,
Todos mansos em correrias
Os mesmos, as mesmas gerações
As mesmas famílias, os mesmos gs, os memos gs, os mesmos gs
Na escola, na casa , na fazenda
No domínio de todos
Controlando a mentira do controle da mentira
Até à escuta legal e para além dela em seus ouvidos moucos

E tudo ou quase tudo por nada
Nada que permaneça quando o juízo derradeiro chegar
Nada que trafique,
Nada o que justifique
Nada o que sacrifique
Nada o que tremelique
o humano, o animal, o vegetal

E nada ou quase nada por tudo
que combine com sonho
que combine com vida
que combine com o belo
que combine com o bem

A sociedade do crédito
A sociedade do voto
A sociedade do adeus
A sociedade sem Deus (qual deles é o Deus?)
A sociedade enredo de novela das 8

Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Acabou, não faz sentido
Não terminou, faz sentido
Seus lideres, seus senhores
Seus sonhos, seus pesadelos
Sua imprensa, seus embustes
Suas opiniões, suas privadas
Seus sindicatos, seus traíras
Utopias de proprietários
Utopias de propriotários

Não é negócio pensar como sociedade, imaginar como povo, circular como público
Povo: meio de domínio sob todos de uma só vez – o poder do discurso do poder
A sociedade civil é incivil pueril fastio de luta
Luta-se para sobreviver à fome
Não há tempo para entender quem e o que se lhe passa
Instinto tinto
O resto esbarra no muro do medo e da ignorância
Medo e ignorância do exemplo
Medo e ignorância da história
A história das covardias
A história do degredo, a história do segredo, a história do medo da história
da indiferença à diferença
Da história dos Impérios dos contracheques, das máfias, dos carteis, dos quarteis, dos papeis, das quadrilhas, dos diplomatas, dos magnatas das jogatinas, das fedentinas, das serpentinas, das creolinas

Força do Império da elite
a do delivery dos corpos
a do delivery das mentes
a do delivery dos porcos e dos gado marcado no curral da society
a do delivery das mortes
Porta de saída para a promessa do passado
Porta de saída para a promessa do presente
Porta de saída para a promessa do futuro
A promessa insatisfeita
Porta de entrada para o crime organizado

Até quando desde sempre?
Desde sempre os mesmos prometem
Os mesmos acreditam
Os mesmos esquecem
Os mesmos se indignam

Os mesmos sempre os mesmos em suas árvores genealógicas
Os tataranetos, os bisnetos, os netos, os filhos,
Todos mansos em correrias
Os mesmos, as mesmas gerações
As mesmas famílias, os mesmos gs, os memos gs, os mesmos gs
Na escola, na casa , na fazenda
No domínio de todos
Controlando a mentira do controle da mentira
Até à escuta legal e para além dela em seus ouvidos moucos

E tudo ou quase tudo por nada
Nada que permaneça quando o juízo derradeiro chegar
Nada que trafique,
Nada o que justifique
Nada o que sacrifique
Nada o que tremelique
o humano, o animal, o vegetal

E nada ou quase nada por tudo
que combine com sonho
que combine com vida
que combine com o belo
que combine com o bem

A sociedade do crédito
A sociedade do voto
A sociedade do adeus
A sociedade sem Deus (qual deles é o Deus?)
A sociedade enredo de novela das 8

Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Seus lideres, seus senhores
Seus sonhos, seus pesadelos
Sua imprensa, seus embustes
Suas opiniões, suas privadas
Seus sindicatos, seus traíras
Utopias de proprietários
Utopias de propriotários
Não é negócio pensar como sociedade, imaginar como povo, circular como público
Povo: meio de domínio sob todos de uma só vez – o poder do discurso do poder
A sociedade civil é incivil pueril fastio de luta
Luta-se para sobreviver à fome
Não há tempo para entender quem e o que se lhe passa
Instinto tinto
O resto esbarra no muro do medo e da ignorância
Medo e ignorância do exemplo
Medo e ignorância da história
A história das covardias
A história do degredo, a história do segredo, a história do medo da história
da indiferença à diferença
Da história dos Impérios dos contracheques, das máfias, dos carteis, dos quarteis, dos papeis, das quadrilhas, dos diplomatas, dos magnatas das jogatinas, das fedentinas, das serpentinas, das creolinas

Força do Império da elite
a do delivery dos corpos
a do delivery das mentes
a do delivery dos porcos e dos gado marcado no curral da society
a do delivery das mortes
Porta de saída para a promessa do passado
Porta de saída para a promessa do presente
Porta de saída para a promessa do futuro
A promessa insatisfeita
Porta de entrada para o crime organizado

Até quando desde sempre?
Desde sempre os mesmos prometem
Os mesmos acreditam
Os mesmos esquecem
Os mesmos se indignam

Os mesmos sempre os mesmos em suas árvores genealógicas
Os tataranetos, os bisnetos, os netos, os filhos,
Todos mansos em correrias
Os mesmos, as mesmas gerações
As mesmas famílias, os mesmos gs, os memos gs, os mesmos gs
Na escola, na casa , na fazenda
No domínio de todos
Controlando a mentira do controle da mentira
Até à escuta legal e para além dela em seus ouvidos moucos

E tudo ou quase tudo por nada
Nada que permaneça quando o juízo derradeiro chegar
Nada que trafique,
Nada o que justifique
Nada o que sacrifique
Nada o que tremelique
o humano, o animal, o vegetal

E nada ou quase nada por tudo
que combine com sonho
que combine com vida
que combine com o belo
que combine com o bem

A sociedade do crédito
A sociedade do voto
A sociedade do adeus
A sociedade sem Deus (qual deles é o Deus?)
A sociedade enredo de novela das 8

Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Não é negócio pensar como sociedade, imaginar como povo, circular como público
Povo: meio de domínio sob todos de uma só vez – o poder do discurso do poder
A sociedade civil é incivil pueril fastio de luta
Luta-se para sobreviver à fome
Não há tempo para entender quem e o que se lhe passa
Instinto tinto
O resto esbarra no muro do medo e da ignorância
Medo e ignorância do exemplo
Medo e ignorância da história
A história das covardias
A história do degredo, a história do segredo, a história do medo da história
da indiferença à diferença
Da história dos Impérios dos contracheques, das máfias, dos carteis, dos quarteis, dos papeis, das quadrilhas, dos diplomatas, dos magnatas das jogatinas, das fedentinas, das serpentinas, das creolinas
Força do Império da elite
a do delivery dos corpos
a do delivery das mentes
a do delivery dos porcos e dos gado marcado no curral da society
a do delivery das mortes
Porta de saída para a promessa do passado
Porta de saída para a promessa do presente
Porta de saída para a promessa do futuro
A promessa insatisfeita
Porta de entrada para o crime organizado

Até quando desde sempre?
Desde sempre os mesmos prometem
Os mesmos acreditam
Os mesmos esquecem
Os mesmos se indignam

Os mesmos sempre os mesmos em suas árvores genealógicas
Os tataranetos, os bisnetos, os netos, os filhos,
Todos mansos em correrias
Os mesmos, as mesmas gerações
As mesmas famílias, os mesmos gs, os memos gs, os mesmos gs
Na escola, na casa , na fazenda
No domínio de todos
Controlando a mentira do controle da mentira
Até à escuta legal e para além dela em seus ouvidos moucos

E tudo ou quase tudo por nada
Nada que permaneça quando o juízo derradeiro chegar
Nada que trafique,
Nada o que justifique
Nada o que sacrifique
Nada o que tremelique
o humano, o animal, o vegetal

E nada ou quase nada por tudo
que combine com sonho
que combine com vida
que combine com o belo
que combine com o bem

A sociedade do crédito
A sociedade do voto
A sociedade do adeus
A sociedade sem Deus (qual deles é o Deus?)
A sociedade enredo de novela das 8

Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Força do Império da elite
a do delivery dos corpos
a do delivery das mentes
a do delivery dos porcos e dos gado marcado no curral da society
a do delivery das mortes
Porta de saída para a promessa do passado
Porta de saída para a promessa do presente
Porta de saída para a promessa do futuro
A promessa insatisfeita
Porta de entrada para o crime organizado
Até quando desde sempre?
Desde sempre os mesmos prometem
Os mesmos acreditam
Os mesmos esquecem
Os mesmos se indignam

Os mesmos sempre os mesmos em suas árvores genealógicas
Os tataranetos, os bisnetos, os netos, os filhos,
Todos mansos em correrias
Os mesmos, as mesmas gerações
As mesmas famílias, os mesmos gs, os memos gs, os mesmos gs
Na escola, na casa , na fazenda
No domínio de todos
Controlando a mentira do controle da mentira
Até à escuta legal e para além dela em seus ouvidos moucos

E tudo ou quase tudo por nada
Nada que permaneça quando o juízo derradeiro chegar
Nada que trafique,
Nada o que justifique
Nada o que sacrifique
Nada o que tremelique
o humano, o animal, o vegetal

E nada ou quase nada por tudo
que combine com sonho
que combine com vida
que combine com o belo
que combine com o bem

A sociedade do crédito
A sociedade do voto
A sociedade do adeus
A sociedade sem Deus (qual deles é o Deus?)
A sociedade enredo de novela das 8

Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Até quando desde sempre?
Desde sempre os mesmos prometem
Os mesmos acreditam
Os mesmos esquecem
Os mesmos se indignam
Os mesmos sempre os mesmos em suas árvores genealógicas
Os tataranetos, os bisnetos, os netos, os filhos,
Todos mansos em correrias
Os mesmos, as mesmas gerações
As mesmas famílias, os mesmos gs, os memos gs, os mesmos gs
Na escola, na casa , na fazenda
No domínio de todos
Controlando a mentira do controle da mentira
Até à escuta legal e para além dela em seus ouvidos moucos

E tudo ou quase tudo por nada
Nada que permaneça quando o juízo derradeiro chegar
Nada que trafique,
Nada o que justifique
Nada o que sacrifique
Nada o que tremelique
o humano, o animal, o vegetal

E nada ou quase nada por tudo
que combine com sonho
que combine com vida
que combine com o belo
que combine com o bem

A sociedade do crédito
A sociedade do voto
A sociedade do adeus
A sociedade sem Deus (qual deles é o Deus?)
A sociedade enredo de novela das 8

Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Os mesmos sempre os mesmos em suas árvores genealógicas
Os tataranetos, os bisnetos, os netos, os filhos,
Todos mansos em correrias
Os mesmos, as mesmas gerações
As mesmas famílias, os mesmos gs, os memos gs, os mesmos gs
Na escola, na casa , na fazenda
No domínio de todos
Controlando a mentira do controle da mentira
Até à escuta legal e para além dela em seus ouvidos moucos
E tudo ou quase tudo por nada
Nada que permaneça quando o juízo derradeiro chegar
Nada que trafique,
Nada o que justifique
Nada o que sacrifique
Nada o que tremelique
o humano, o animal, o vegetal

E nada ou quase nada por tudo
que combine com sonho
que combine com vida
que combine com o belo
que combine com o bem

A sociedade do crédito
A sociedade do voto
A sociedade do adeus
A sociedade sem Deus (qual deles é o Deus?)
A sociedade enredo de novela das 8

Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

E tudo ou quase tudo por nada
Nada que permaneça quando o juízo derradeiro chegar
Nada que trafique,
Nada o que justifique
Nada o que sacrifique
Nada o que tremelique
o humano, o animal, o vegetal
E nada ou quase nada por tudo
que combine com sonho
que combine com vida
que combine com o belo
que combine com o bem

A sociedade do crédito
A sociedade do voto
A sociedade do adeus
A sociedade sem Deus (qual deles é o Deus?)
A sociedade enredo de novela das 8

Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

E nada ou quase nada por tudo
que combine com sonho
que combine com vida
que combine com o belo
que combine com o bem
A sociedade do crédito
A sociedade do voto
A sociedade do adeus
A sociedade sem Deus (qual deles é o Deus?)
A sociedade enredo de novela das 8

Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

A sociedade do crédito
A sociedade do voto
A sociedade do adeus
A sociedade sem Deus (qual deles é o Deus?)
A sociedade enredo de novela das 8
Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Salve-se quem fuder mais a coisa pública
Agindo assim ganharás brindes pagos pelo tesouro estadual:
Férias nas praias do nordeste
Férias nas ruínas do Peru
Férias nos impérios da Europa
Férias na Broadway do consumo americano
Verba secreta + verba secreta + verba secreta = gozo público
Transando a transacreana das índias à china
Carne de madeira, madeira de carne
Commodities de ouro verde nas nuvens
Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Pausa para a fudelança é ainda fuder no celular enquanto transeunte
Do palácio branco para a casa rosada
Via skype, via facebook, via tuitter
Via masmorra eletrônica
Caminhos das coisas só ditas aos cúmplices
Só ouvida pelos comparsas
Só com rascunho
Só pelas alcunhas
E senhas de bits tristes
Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Estou farto mas não deixo de comer
Comer canalhas
Comer chupins
Comer bandidos
Comer mocinhos
Comer homens de bem que não olham a quem fazer vintém
Comer papéis
Comer jornais
Como escritos
Comer parlamentos
Comer tribunais
Comer ministérios
Comer conselheiros
Comer os gritos dos infelizes
Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Socorro pra quem pedir socorro
Socorro: melhor desenhar antes SOS
Quem chama o bombeiro?
Que bombeiro, que incêndio, se quase tudo ninguém vê?
O que queima, o que destrói, o que derruba esse prédio
das chapeletas sem vaselinas, a sociedade, o povo, o público?
Só o espetáculo do medo interior – o medo é também invisível
O medo está no tanque de combustível fóssil subterrâneo
O medo das praças, o medo das ruas, o medo dos parlamentos, o medo dos jumentos
O medo das alcovas
Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Chama o homem bomba que vai implodir a palavra
A palavra que vai explodir a consciência
A consciência que vai explodir a vida descalça
A vida em sociedade, a vida em povo, a vida em público
Essa ficção que trai atrai distrai contrai esvai matai algo mais que sonho
Algo mais que pesadelo algo mais que cueiro algo mais que zelo algo mais sempre mais
Bombardeio os indignos! Fogo!!
E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

E se faltar bombas de gols
Declare guerra pela língua dos sinais
A quem nos matou à míngua
A quem nos mata calado
Vida ao barulho distraído
Efeito bomba relógio para o silêncio
Das arquibancadas da politicas
Para as galerias econômicas
Para a assistência só resistência
E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

E as criaturas honestas das instituições?
Reféns dos seus medos, de seus degredos, de seus segredos.
Reféns de suas tranquilidades nas folhas de pagamento
Reféns da melhor escola para seus filhos
Reféns do seus estados de espíritos engravatados
Reféns de suas poses, suas posses, seus linhos engomados
Reféns das páginas sociais
Reféns de suas férias
Ah, as férias do pessoal do bem!
Sua liberdade com prazo de validade!
É quando o foda-se começa a ser gritado
No silêncio das poltronas de avião enquanto se coloca os cintos de segurança.
Não há começo de férias sem cintos de segurança e uma tensão básica
que só o medo de morrer sem razão convoca.
Medo de viver sem razão pública não abala o cidadão de bem.
Esse cidadão de bem de quem vos falo.
E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

E as criaturas do mal?
A desgraça está ocupada com a sua graça de agradecer
De rezar novena, de morrer de pena à primeira lágrima do canalha
Seus oficios de agradecer aos canalhas, aos deuses canalhas
Agradecer as migalhas das bolsas, das balsas, das valsas, das calças, das alças
Agradecer aos restos das verbas de alagação
Agradecer as migalhas da saúde, da educação, da previdência, dos serviços sociais, dos projetos culturais, das ementas parlamentares, das prendas protocolares, das casas-metades
Agradecer, enfim, as migalhas dos serviços funerais
E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

E pagar com a crença,
e pagar com o voto,
e pagar com o tremular das bandeiras nas esquinas eleitorais
e pagar com a ignorância
e pagar com o sonho
e pagar com o corpo de jovem
e pagar com a vida
depois o filho, depois o neto, depois o bisneto, depois...
sempre na sequência
não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

não adianta insistir
não há vagas para evacuar
não há vagas para ocupar o vaso
e não há escolhas, não há dilemas, não há paradoxos
Há um estado epidêmico de corruptelas dos corruptos das bagatelas
Há um estado real, concreto e tal
Subterrâneo, aquático, aéreo
No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

No pasto a vaca sagrada e suas belas tetas
Seu leite, sua carne, seus ossos, seu couro, sua língua
Os testículos da vaca e o que ela mais não tiver, inclusive
Seus instrumentos de reprodução
Seus excrementos sua seiva de sabor civil
Tudo absolutamente tudo da vaca sagrada satisfaz não satisfazendo os canalhas que mamam
que industrializam a mamata em instantâneo
Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Estes, para quem não há vida aonde não há engano,
Simulam a mãe, dissimulam o pai, alaranjam os filhos, distraem os parceiros
os homens e as mulheres, os animais, os vegetais
Eles enganam a si para levar tudo dentro da caixa a sete palmos do chão
Tudo em papel de presente e faixas vermelhas
Pra eles tudo cabe na caixa da partida
O inferno e o céu também
Menos a intriga da oposição
Contingente provisório do mal,
Até que se estabeleça o preço – ai cabe
Até que se negocie as bases – ai cabe
Até que se abra as pernas – ai cabe
Até que se altere as idéias – ai cabe
Até que não se tenha mais idéias – ai cabe
E o medo se transforme numa caixinha de segredos
À prova de ouvidos federais
E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

E de propósito:
Era 3 de maio de 2013 quando veio a representação
Era um odor acre de alguma coisa que acontecia e não cheirava bem
Há dez dias da abolição
São dez dias que nunca chegam
Data da eterna espera
Mas datas são números
São o que passou mas nunca passa
Nunca passa o domínio das datas, dos números
Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Pode inventar dia da liberdade
Esta que não vinga se vinga dos ilibertos
Apenas uma data remota
Sob o controle remoto dos carcereiros da vaca profana
Os guardadores das chaves da esperança
Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê

Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
as tarefas da produção de esquecimento
as tarefas da difusão da mentira
as tarefas pelo preço dos contracheques
as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Em sua casas reina a bonança, o estrago
As frutas limpas trazidas do sul em fruteiras coloridas
As verduras assépticas ao vinagre de vinho tinto
Suas dietas
Suas cirurgias plásticas
Seus checapes urológicos, cardiológicos, anticoagulantes
As tentativas vãs de jamais morrer
Seus espaços de garagens
Seus carrões que não cabem em seus bolsos
Carrões de condutores e passageiros invisíveis
Presos à escuridão de quem tenta os identificar
Os envergonhados da frágil riqueza na miséria
Os conduzidos pela vaidade encoberta pelo vidro fumê
Para eles
Saúde por um fio
Saúde por um vôo
Saúde por um telefonema
Saúde por uma medicina da cifra

Para nós
Saúde por uma ficha a partir das duas da manhã
até não tem mais fichas
até o doutor não veio
até o aparelho tá quebrado
até a verba ser desviada para a gráfica que imprimiu as fichas
a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
nas quatro paredes das licitações das estimas,
dos estivas, do trabalho e das cifras reais das contas públicas

e assim as cidades vão se colorindo do novo
o novo para sustentar o velho
desde sempre
nosso projeto deles
nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
das cores de paz do branco para a da natureza do verde
ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
o que resulta da queima dos nossos sonhos
a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
pelos que ocupam as ruas
pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
as tarefas da reprodução do algoz
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as tarefas da difusão da mentira
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cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
Para implodir
Para continuar
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É que este poema nunca acaba

Para eles
Saúde por um fio
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a gráfica do laranja mudo do parlamentar

E para o resto
a sobra de uma educação do engano
Dos projetos pedagógicos do auto engano da auto estima
Das lições para ser ufano em duas semanas
Com as bandeiras, com os hinos, com as marcas, com as faixas
no corpo gordo da autoridade que nojo
montado na revolução que não muda
na revolução que mantém
na revolução que não revolta
na revolução que faz as contas e divide o pregão
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e assim as cidades vão se colorindo do novo
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desde sempre
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nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
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para reeleger os mesmos à eternidade

e a dança das cadeiras continua
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ao final no processo
para virar dor dos amarelos,
dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
dos dos sem alguma coisa parecida com dignidade
dor dos sem dor

a cor da dor é cinza
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a cinza de quem sente dor ou anestesiado se encontra
pelos que ocupam os presídios
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pelos que ocupam o vazio da história de suas vidas
pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
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as tarefas da produção de esquecimento
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as tarefas das festanças dos fogaréus da floresta e dos artifícios cidadãos

cheque-mate para o rei e sua rainha, seus bispos, suas torres e seus cavalos.
Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
– tá combinado, até quando?

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o novo para sustentar o velho
desde sempre
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nosso desenvolvimento deles
que sustentam o domínio
que financiam a tribuna da entrega
interamericana e mundial do capital global
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e a dança das cadeiras continua
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dor dos negros,
dor dos pardos,
dor dos sem cor,
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a cor da dor é cinza
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Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
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Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
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a cor da dor é cinza
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pelos que ocupam os presídios
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pelos que ocupam o vazio da ausência de vagas para o trabalho
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pelos que ocupam os oficios governamentais das tarefas
as tarefas da proteção do algoz
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Mas os primeiros a morrer são os peões fieis defensores
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Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
Para necessitar,
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Pausa para beber qualquer sede
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Não vou terminar aqui
Pausa para beber qualquer sede
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Para implodir
Para continuar
Para cantar uma canção
É que este poema nunca acaba

Revolução Acreana: Bolívia e Brasil disputam o Acre

O Governo do Acre contrai empréstimos para construir ruas que não duram se quer um ano... as parcelas do empréstimo ficam e são pagas em suaves prestações ...kkkk

terça-feira, 14 de maio de 2013

Corrupção e Nepotismo: Acre o melhor local para se roubar da amazônia


A. Stélio denuncia nepotismo na SEOP

14 de maio de 2013 - 7:56:03
*Antonio Stélio
Nem só de desvio de dinheiro público vivem as irregularidades flagrantes na secretaria de Obras do Acre, cujo titular, Wolvenar Camargo, é um dos envolvidos na Operação G7 desencadeada na sexta-feira passada, pela Polícia Federal, e que se encontra preso com demais membros da quadrilha.
A pasta de wolvenar Camargo também vive um festival de nepotismo, onde assessores são parentes de ouros, onde o resultado é que grupos familiares ocupam os mais importantes cargos da pasta.
O enredo da parentada começa por uma sobrinha de Wolvenar, Carol, que também é esposa do secretário Adjunto da secretaria de Obras,  Leonardo, que por sua vez, tem como secretária, Paula Pojo, que é sobrinha da diretora do órgão, Adla Ferreira.
O favorecimento de parentes continua com outro membro da equipe, conhecido como Vinicius, que coordena o projeto Cidade do Povo, e que tem um irmão chamado Marcos, que também é engenheiro, como membro de sua equipe.
Mas um cargo chama a atenção, pois é botar a raposa tomando conta do galinheiro: a resposável, pasmem, pelos contratos e licitações na secretaria de Obras é Elisângela, que vem a ser, simplesmente, a esposa do empresário Carlos Afonso, dono da construtora AGE, e um dos que foi preso na operação G-7. Mas a cara de pau não pára por aí: um genro do empresário, ainda por cima, é assessor de Elisângela.
Nem mesmo as vagas de estágios dão oportunidades para quem não é da curriola, pois uma sobrinha do professor Rêgo – que veio a público informar que o governo não vai demitir nenhum dos membros de seu governo presos na Operação G-7 – ocupa uma vaga de estagiária junto a chefe de Gabinete, Letícia.
Alheio a tudo isso, o secretário Wolvenar Camargo usava um carro alugado por um das empreiteiras beneficiadas pelo esquema de corrupção, e seu próprio, que foi cedido para uso particular de parentes, se abastece de combustível com dinheiro público, particulamente no posto na entrada do Tropical, que está a serviço da Seop.
*Antonio Stélio é jornalista autônomo, poeta e escritor

Corrupção no Acre: Relatório da Polícia Federal sobre a Organização Criminosa liderada por integrantes do PT denominada G-7

segunda-feira, 22 de abril de 2013

DUARTE, Élio Garcia. Conflitos pela terra no Acre: a resistência dos seringueiros de Xapuri. São Paulo: UNICAMP, 1986. (Dissertação de Mestrado)




- O livro foi uma adaptação da dissertação de mestrado defendida em 1986 na UNICAP.
-  O autor foi professor de História na UFAC no período de 1978 a 1981. Na época da edição do livro era professor de História Econômica na Universidade de Goiás.
- O Acre se caracteriza por um processo violento de ocupação fundiária. Os fazendeiros ocupavam os antigos seringais, desmatando-os.
“Atitudes concretas foram tomadas por um grupo de acreanos inconformados, que em maio de 1899, se rebelaram e conseguiram expulsar a Delegação boliviana da região. Foi a primeira Revolução Acreana, que ocorreu sem tiros” p. 13.
“Enquanto isso, em Belém e Manaus, preparava-se um plano para a tomada da região pelos brasileiros. O mentor deste plano foi o espanhol Luiz Galvez Rodrigues de Arias. Galvez, com a ajuda do Governo do Amazonas e de comerciantes de Manaus, formou uma expedição que partiu para o Acre com a finalidade de constituir um governo no local. Chegando ao Acre, Galvez se reuniu com os seringalistas...” p. 13.
- O Estado Independente do Acre teve sede em Puerto Alonso. O governo de Galvez durou 8 meses e neste período foram criados vários departamentos administrativos, “... organizados os serviços públicos e também se legislou sobre títulos de propriedade” p. 13.
“Seu governo, no entanto, foi efêmero. Logo surgiram reações. Os comerciantes de Manaus e Belém se recusavam a pagar o imposto cobrado da borracha exportada pelo território acreano e também suspenderam o fornecimento de mercadorias para o Acre. Outra reação foi dos bolivianos que se prepararam para atacá-lo tanto através de Manaus, com o consentimento do governo brasileiro, como diretamente da Bolívia, por via terrestre ou descendo pelo Rio Acre. No entanto, quem acabou obtendo a rendição de Galvez foi uma flotilha da Marinha brasileira, em março de 1900” p. 13.
“Após a deportação de Galvez, outros líderes da Revolução Acreana assumiram a presidência do Estado Independente do Acre e continuaram dificultando a consolidação do domínio boliviano na região” p. 13.
“O Governo brasileiro, com exceção do governo do Estado do Amazonas, mantinha-se fiel ao tratado de Ayacucho, reconhecendo o direito da Bolívia sobre a região... Só no final de 1901, após a constituição do Bolivian Syndicate é que as autoridades brasileiras passaram a se opor à Bolívia, no tocante à questão do Acre” p. 13.
- O Acre seria arrendado aos capitais ingleses e americanos. Por trinta anos, ficariam à frente da administração fiscal do Acre. O Brasil se preocupava com a segurança nacional, já que, o acesso ao Acre se dava por águas nacionais.
“Este movimento se tornou mais forte quando D. Lino Romero, o novo Delegado da Bolívia, chegou ao Acre e estabeleceu uma legislação discricionária, com a cobrança de inúmeros impostos que descontentaram os seringalistas e comerciantes”.
- O Estado Independente anterior ao de Plácido de Castro foi extinto em abril de 1900, “... ocasião em que o então Presidente Joaquim Vítor assinou uma ata de paz permitindo o funcionamento da alfândega boliviana e a instalação de autoridades da Bolívia no Acre” p. 14.
- Acre Setentrional, ocupado pelo General Olímpio, ficava entre a Linha Cunha Gomes e o paralelo 10°20’.
- O Acre ficou dividido em dois governos: “... o Governo Militar do Território Setentrional do Acre e o Governo do Estado Independente do acre, com jurisdição ao sul do paralelo 10°20’.
- Em maio de 1903, Plácido de Castro dissolve o exército e declara extinto o Estado Independente.
“... enquanto a diplomacia brasileira negociava a incorporação do Acre ao Brasil, era interessante manter o status quo da revolução acreana” p.15.
- Posterior ao Tratado de Petrópolis, os Peruanos ocuparam militarmente o alto Juruá e Purus, “... instalando postos aduaneiros e militares” p. 15.
“A anexação das terras acreanas ao Brasil foi conseguida com o sacrifício e a persistência dos seringueiros acreanos. Este fato traz outra característica marcante para o Acre: o orgulho do seringueiro por ter sido aquela região incorporada ao Brasil pela luta e pelo sangue de seus antepassados” p. 15.
- Xapuri foi sede do governo Independente por algum tempo.
“... os interesses do capital foram responsáveis pelo desenvolvimento da economia gomífera na Amazônia, e a conseqüente ocupação das terras do Acre...” p. 16.
- A vulcanização possibilitou a ampliação da aplicabilidade da borracha como matéria-prima industrial.
“O enorme interesse pela borracha fez com que houvesse a expansão das áreas produtoras e estimulou a migração de nordestinos para os altos rios da Amazônia” p. 16.
“Segundo cálculos de Benchimol, no período de 1877-1900, só no Ceará emigraram 158.125 pessoas para a Amazônia. Moacir Fecury, comparando a população paraense entre 1872 (275.237 hab.) e 1906 (872.000 hab.), observou que houve um aumento populacional de 300% em 34 anos. Conforme Caio Prado, o Acre: ‘... entranhado 5.000 Km no continente, e deserto até os primeiros anos do século atual, reunirá em menos de um decênio para ais de 50.00 habitantes[1]’. Craveiro Costa calcula que na época da anexação do Acre ao Brasil sua população chegava a 100.000 habitantes[2]” p. 17.
“A dispersão das seringueiras pelas florestas, a ausência de técnicas de produção e cultivo, a falta de apoio oficial, o alto custo da mão-de-obra, a falta de capital, as dificuldades de transportes, tudo isso contribuía par a manutenção do alto custo de produção da borracha amazônica” p. 17.
- A economia do Acre era o mono-extrativismo gomífero.
“Uma das conseqüências desta crise foi a reemigração para o nordeste, havendo um grande esvaziamento populacional. A população do Acre, que no início do século, segundo Craveiro Costa, era calculada em aproximadamente 100.000 habitantes, no censo de 1920 apresentava 92.379 habitantes, enquanto quem em 1940, esta população baixara para 79.768. Somente no censo de 1950, é que apresentou um aumento populacional; 114.755 habitantes[3]”. P. 17
“Os seringueiros que permaneceram no Acre passaram a se dedicar à agricultura de subsistência, à coleta de castanha, à caça e à pesca, sem abandonar completamente a extração da borracha. Nos seringais abandonados, muitos seringueiros permaneceram como posseiros, ficando livres da dependência do seringalista. Nos outros seringais, pelo menos foi atenuada a subordinação ao patrão...” p, 17-18.
- Na SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, “... o capital industrial voltou a se interessar pela borracha nativa produzida em Amazônia” p. 18.
- Banco de Crédito da Borracha tinha como atribuição estimular a produção da borracha e regularizar os preços para a comercialização da mesma. Funcionava através no monopólio estatal da borracha.
- SEMTA (Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia) fazia o recrutamento de trabalhadores para a região. Foi substituído pelo CAETA (Comissão Administrativa do Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia.
Pensavam estar servindo à Pátria, quando na verdade estavam servindo apenas aos interesses do capital” p. 19.
“Como dissemos anteriormente a ocupação do Acre foi motivada pelo capital industrial, que já estava plenamente constituído na Europa e nos Estados Unidos, já exercendo seu domínio a nível mundial” p. 19.
“Portanto, a produção que se organizou na Amazônia, especialmente no Acre, apesar de não ter assumido as formas típicas do capitalismo, foi uma produção de mercadoria para o capital[4]” p. 19.
“O seringueiro, portanto, mesmo não sendo um assalariado... trabalhava para valorizar o capital” p. 19-20.
“O perpétuo endividamento e a quase total ausência de dinheiro vivo fazia com que o seringueiro estivesse sempre vinculado ao patrão seringalista” p. 20.
- Os jagunços do patrão impediam que o seringueiro fugisse para outro seringal ou para sua terra natal.
- O seringueiro não era um assalariado porque  não era livre para vender sua força de produção.
- No dizer de Márcio Souza, o seringueiro era “... um escravo econômico e moral do patrão[5]” (apud, p. 20)
- O capitalismo reinventa o trabalho compulsório, no momento em que o Brasil se livrava da escravidão.
- Capital Monopolista Internacional → Capital Mercantil do Extrativismo da Borracha→Relações de Produção Pré-Capitalista na Amazônia[6].
“O aviamento é uma forma sui generis de relação de produção que foi recriada pelo capitalismo para valorizar o capital” p. 21. 
“... foi o capital industrial, com as relações capitalistas predominantes, que estimulou e organizou a produção extrativista da borracha, por intermédio do capital mercantil” p. 21.
- A produção da borracha foi estimulada diretamente pelo capital mercantil. No entanto, o comércio gomífero respondia a uma demanda imprimida pelo capital industrial.
- O capital mercantil só funciona na esfera da circulação, como uma das fases do processo de reprodução do capital.
- O sistema de aviamento funcionava sob a dominação imediata do capital mercantil (capital mercadoria/dinheiro). No entanto, era o CAPITAL INDUSTRIAL das grandes potências que fazia funcionar a empresa do seringal nativo, isso porque as casas exportadoras estavam diretamente ligadas ao capital monopolista internacional e era este que, em última instância, detinha o controle do sistema de aviamento.
- LER MARX: capital mercantil e financeiro
“Acreditamos que no caso do Acre em particular e da Amazônia de maneira geral, apesar de o capital não ter atuado diretamente na organização da produção, extraindo a mais-valia através da subordinação real, mas através do capital mercantil, recriou e subordinou formalmente relações de produção que permitiram a apropriação do sobretrabalho do produtor direto, e que contribuíram par apropriação do capital industrial” p. 22.
“Embora o extrativismo gomífero tenha sido estimulado pelo desenvolvimento da indústria na Europa e Estados Unidos, a produção da borracha não foi organizada diretamente pelo capital industrial. A produção desta mercadoria, importantíssima como matéria-prima para as indústrias, teve a intermediação do capital mercantil... O capital mercantil era, internamente, representado pelas casas aviadoras e pelas exportadoras. As CASAS AVIADORAS, com financiamento da rede bancária ou com crédito das casas exportadoras, eram as que estimulavam diretamente a organização de seringais. Estas casas, não só financiavam e organizavam o transporte de nordestinos para os seringais, como também aviavam, isto é, forneciam a crédito, aos seringalistas, as mercadorias para a abertura e movimentação do seringal” p. 23.
“Em compensação, as CASAS AVIADORAS mantinham, sobre os seringalistas o monopólio da venda de mercadorias e o monopsônio da compra da borracha” p. 23.
“O seringal era dividido em várias colocações, dispersas pelo interior da floresta. Casa colocação era constituída pelo tapiri (cabana de palha) e pelas estradas de seringa trabalhadas pelo seringueiro” p. 23.
- Os seringais eram “...  enormes latifúndios” p. 25.
“O mono-extrativismo da borracha se baseou, portanto, em uma estrutura fundiária bastante concentrada” p. 25.
- Isso por que as seringueiras estavam distribuídas de forma aleatória a mata.
OBS: a monografia de Economia tem por objetivo analisar os fundamentos econômicos da ocupação do Acre.
“Dados do Censo de 1920 nos mostram que 84% das terras recenseadas do Acre ocupadas por propriedades com mais de 10.000 ha” p. 26.
- Logo no início, não se havia a preocupação em legalizar a terra. Isso só veio a ocorrer a partir de 1870, quando se buscou nas leis a garantia jurídica da posse. Assim, passou-se a demarcar as terras.
“Os primeiros títulos de terra no Acre foram emitidos pela Província do amazonas (na república passou a ser denominada de Estado). Com a instalação da Delegação do Governo Boliviano no Acre, em 1899, tanto as antigas, como as novas concessões teriam que ser registradas na Secretaria da Delegação. Também o Estado Independente do Acre, criado por Galvez e depois o de Plácido de Castro, legislaram sobre terras. Quando o Acre foi anexado ao Brasil, em 1903, o governo brasileiro se comprometeu em respeitar os títulos emitidos pelos governos anteriores” p. 26.
- No entanto, antes da anexação, não foram feitas muitas titulações, não havia uma grande preocupação com o domínio jurídico. O que prevaleceu foi à posse efetiva. O que tornava a terra valiosa não era sua extensão, mas a concentração de seringueiras.
- Na Batalha da Borracha, o financiamento ao seringalista passou a ser feito pelo Banco de Crédito, que passou a ter o monopólio da compra do produto.

CAP 2 – A política de ocupação da Amazônia Pós-64.
CAP 3 – Concentração fundiária e conflitos sociais no Acre.
CAP 4 – A luta pela terra em Xapuri.

BIBLIOGRAFIA:

ABGUA, Bastos. A conquista acreana.
SILVA, Adalberto Ferreira. Raízes da Ocupação Recente das Terras do Acre. (1982).
CAVALCANTE, Francisco Carlos. O Processo de Ocupação Recente das Terras do Acre (1983).



[1] 240 p.
[2] 128 p.
[3] Anuário Estatístico do Brasil (1980) - Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, rio de janeiro, 1980, p. 72.
[4] Não vieram para estender os limites da pátria, mas vieram à servido do grande capital.
[5] SOUZA, Márcio. A expressão amazonense: do colonialismo ao neocolonialismo. São Paulo: alfa-ômega, 1977, p. 100.
[6] É uma produção capitalista baseada em relações não-capitalistas.
Geralmente isso acontece quando o comércio comanda a economia.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Relatório da Prefeitura do Alto Purus - 1911

OS ARGUMENTOS DA DIPLOMACIA BRASILEIRA NO PROCESSO DE ANEXAÇÃO DO TERRITÓRIO ACREANO



A primeira proposta do Barão de Rio Branco foi a compra do território do Acre, ficando o Brasil com a obrigação de se entender com o Bolivian Syndicate; depois, a de permuta de territórios. A Bolívia recusou uma e outra. Agravou-se a crise, e o mês de Janeiro de 1903 representou um momento dramático na relações entre o Brasil e Bolívia. A 24 de Janeiro a resolução chefiada por Plácido de Castro se achava de todo vitoriosa, tendo submetido e aprisionado a guarnição boliviana de Porto Acre. Por sua vez, o general Pando, presidente da Bolívia, estava em marcha, à frente de tropas, para invadir a região e submeter os insurretos, enquanto o governo brasileiro preparava forças de terra e mar com destino ao Acre.
            Estava-se na expectativa de uma guerra, com a opinião pública apaixonada e exaltada nos dois países. Manifestações populares exigiam do governo uma ação violenta e imediata. Nos círculos militares e políticos tinha-se como inevitável a solução pelas armas. O presidente da República indagava já dos governadores do Amazonas e do Pará que auxílios poderiam prestar, como conhecedores da região, as brigadas policiais daqueles Estados. O assunto principal de todos os jornais e de todas as reuniões era o Acre. Da questão técnica, em geral, quase nada conhecia o público em tais discussões; era o sentimento, a paixão que fornecia os argumentos.
            Enquanto os brasileiras se agitavam em manifestações exaltadas no Rio – o Barão do Rio Branco trabalhava pela paz no seu gabinete em Petrópolis. O seu temperamento de negociador encontra agora ocupação adequada. Mantém-se, de janeiro a março, numa atividade febril, ininterrupta, de quase todas as horas. Comunica-se, em constantes conferências telegráficas, com os ministros da Guerra e da Marinha; discute, também pelo telégrafo, com o governo boliviano; redige, quase todos os dias, despachos de orientação ao ministro do Brasil em La Paz; conferencia pessoalmente, a cada momento, com o ministro da Bolívia no Brasil. As suas decisões caem sobre os acontecimentos com uma perfeita precisão, como se houvessem sido calculadas e estudadas com rigor. Ele mede com certeza todo o seu alcance: as providências enérgicas se alternam com os apelos conciliatórios; sem transigir quanto ao fim essencial, deixa sempre aberta a porta para o entendimento e a negociação amigável.
            A 18 de Janeiro de 1903, Rio Branco comunica à Bolívia que o Brasil dava ao artigo 2º do Tratado de 1867 uma nova inteligência: a fronteira pela linha do paralelo de 10º 20’, e faz sentir ao nosso vizinho “que o contrato de arrendamento, com os poderes dados ao Bolivian Syndicate, é uma monstruosidade em Direito, importando alienação de soberania feita em benefício de sociedade estrangeira sem capacidade sem capacidade internacional. É concessão para terras da África, indigna do nosso continente”. A 24, diante da notícia de que o presidente Pando pretendia ir combater os brasileiros no Acre, “o nosso presidente resolveu concentrar tropas nos Estados de Mato Grosso e Amazonas”.
            Das notícias chegadas de La Paz concluía-se que o governo boliviano recusa todos os alvitres de moderação e senso diplomático. O vice-presidente da República, amigo do Brasil, havia sido exilado. A uma primeira notícia, dizendo que o general Pando suspendera a expedição militar, seguia-se outra em que se confirmava a partida do presidente, ao mesmo tempo que o governo boliviano recusava entrar em negociações sem que fosse pacificado o Acre e libertada a sua guarnição. A despeito de ter autorizado Cláudio Pinilla, ministro, desde o dia 24, o general Pando, a 26, saía de sua capital à frente de tropas.
            Decide-se Rio Branco, então, por uma medida extraordinária: em combinação com o presidente da República, os ministros da Guerra e da Marinha, determina a ocupação militar do território do Acre.
            A 3 de fevereiro escrevia Rio Branco:
           
O Govêrno Brasileiro não quer romper as suas relações diplomáticas com o da Bolívia. Continua pronto para negociar um acôrdo honroso e satisfatório para as duas partes, e deseja muito sinceramente chegar a êste resultado. O Sr. Presidente Pando entendeu que é possível negociar marchando com tropas para o norte. Nós negociaremos também fazendo adiantar fôrças para o sul, com o fim já declarado.

Foi decisivo, pela sua importância e significação, êsse despacho do 3, enviado ao ministro do Brasil em La Paz, que o deveria passar, por cópia, ao ministro do Exterior da Bolívia, Eliodoro Villazon:

Petrópolis, 3 de fevereiro de 1903, - Causou a mais penosa impressão ao Presidente da República e a tôda a Nação Brasileira a certeza de haver o Sr. Presidente Pando resolvido, no dia 26 de janeiro, partir para o território do Acre com o propósito de submeter pelas armas os seus habitantes, sem esperar o resultado da negociação de que encarregara no dia 24 o Sr. Pinilla, e que, apenas iniciada, nos dava as melhores esperanças de um acordo próximo, honroso para as duas partes e vantajoso para a Bolívia. Sendo o Acre um território em litígio, pretendido também pelo Brasil e pelo Peru desde o paralelo de dez graus e vinte minutos até a linha da nascente do Javari ao marco do Madeira, e brasileiros todos os habitantes da região, não podemos concordar em que ali penetrem tropas ou autoridades da Bolívia. Dos três litigantes, Bolívia, Peru e Brasil, é a êste que melhor cabe a ocupação administrativa provisória desta parte do território contestado, atenta a nacionalidade de sua população.
Vossa Excelência fica, portanto, autorizado para mostrar ao Govêrno Boliviano que as suas expedições em marcha não devem ultrapassar o indicado paralelo, e para declarar-lhe que, tanto pelo dever de não permitir que sejam maltratados ou exterminados os nossos compatriotas, levantados contra a dominação estrangeira e senhores de todo o país, como para satisfazer ao desejo, que manifestou no dia 23 de janeiro o Sr. Villazon quando disse que o seu govêrno aceitaria a discussão imediata, se o Brasil se responsabilizasse pela pacificação, iremo pacificar o território contestado, enviando para êsse efeito tropas que ao mesmo tempo protejam a população, mantenham a ordem, tornem impossível incursões para os lados do Abunã e do Orton e repilam qualquer agressão. As tropas brasileiras farão a polícia do território contestado, ao oriente do rio Iaco, ocupando-o até solução do litígio por via diplomática....




Três dias depois chegava a resposta da Legação do Brasil em La Paz:

     O govêrno boliviano aceita a situação provisória indicada apelo Brasil no despacho telegráfico de 3 de fevereiro, comunicação pela Legação do Brasil, podendo portanto o govêrno brasileiro ocupar militarmente e administrar o território em litígio, ao oriente do Iaco.

            Mas a 11 sugeria Villazon que o litígio fôsse submetido à arbitragem do Tribunal de Haia, ao que replicou Rio Branco:

     Diga arbitragem é recurso bastante demorado e para ser empregado depois se fôr indispensável. O interêsse dos dois países é que cheguemos quanto antes ao arranjo amigável das dificuldades presentes, o que, havendo boa-vontade, é perfeitamente possível. Convém, portanto, entremos com urgência na negociação apenas iniciada e interrompida de um acôrdo direto.

            Enquanto isso, Rio Branco continuava a negociar com Cláudio Pinilla as cláusulas de um “modus-vivendi” a ser estabelecido durante o tempo necessário à discussão de um acordo definitivo.
            Nos últimos dias de fevereiro, porém, a questão do Acre ficava despojada de uma das suas dificuldades: o Bolivian Syndicate. A 27 e 28 era assinado em Nova York o termo de renúncia do Sindicato a todos os direitos e favores que lhe haviam sido concedidos por contrato firmado em 11 de julho de 1901 entre Félix Aramayo, ministro da Bolívia em Londres, e Frederick Whitridge, de Nova York, para a administração fiscal, polícia e exploração do Território do Acre ou Aquiri, contrato aprovado pelo Congresso Nacional da Bolívia e promulgado pelo Presidente Pando.
            Fora este o primeiro exito diplomático do Barão do Rio Branco no caso do Acre. Ele construíra o problema, desde o princípio, com a idéia de separar a Bolívia do Bolivian Syndicate, de negociar com cada um dêles separadamente. Pensou começar a negociação pela Bolívia, comprando-lhe o Acre ou adquirindo-o mediante compensações, para entender-se depois com o Sindicato; diante da sua recusa, abriu caminho até o Sindicato; afastou-o da questão, deixando assim as duas nações livres uma em face da outra. Pois tudo indicava que, sem o prestígio e o incitamento do poderoso sindicato estrangeiro, a Bolívia se tornaria razoável e conciliadora.
            De Berlim, em outubro de 1902, Rio Branco se comunicara com Assis Brasil, nosso ministro em Washingto, a fim de se informar da posição do governo norte-americano. A Bolívia vinha solicitando a interferência dos Estados Unidos e procurando interessá-lo através do Sindicato. Rio Branco sempre se recusou a pedir essa intervenção estrangeira em favor do Brasil. O que ele pleiteava, por intermédio de Assis Brasil, era neutralidade dos Estados Unidos; desejava que eles não cobrissem a organização comercial do Sindicato com a autoridade oficial do governo. E isto foi o que conseguiu a sua ação diplomática, argumentando junto às chancelarias americanas com o perigo dessa ameaça de transplantação do sistema sul-africano para o nosso continente.
            Foi nesta base, exatamente, que Assis Brasil, como representante de Rio Branco, dirigiu as negociações para a desistência do Sindicato, a quem o Brasil pagou cento e dez mil libras, além de mil para o advogado e quatro mil para o agente, embora ressalvando que o fazia para evitar controvérsias e evitar que a Bolívia pagasse uma indenização maior se o negócio fôsse liquidado mais tarde, mas que não reconhecia, como nunca reconhecera, a validade do contrato, porque o território era litigioso e porque isso implicava concessão a uma sociedade estrangeira de poderes soberanos intransferíveis.
            Afastado o Sindicato, Rio Branco tornou mais firme a sua insistência junto à Bolívia para estabelecimento de um modus-vivendi que permitisse as negociações em torno de um acordo definitivo.
            A Bolívia cede, afinal. Assina-se a 21 de março em La Paz o modus-vivendi, pelo qual as tropas brasileiras ficariam ocupando o território em litígio e também passariam ao sul do paralelo com o fim de evitar conflitos entre os acreanos e as forças bolivianas. Regulava ainda o acordo questões econômicas a respeito de postos aduaneiros ou fiscais e de exportação da borracha.
Não se tratava mais, na discussão que ia começar para o acordo definitivo, de compreender o Tratado de 1867, mas de criar um novo Tratado, dentro das novas condições da fronteira do Acre habitado por brasileiros – eis o ponto de partida do Barão do Rio Branco. Ele teve a coragem de ultrapassar os convênios existentes para atingir o problema na sua zona mais difícil e perigosa: o povo que habita ao norte e ao sul do paralelo de 10º 20’ não quer submeter-se à soberania da Bolívia e o Brasil não pode ficar indiferente a esse pronunciamento de uma população brasileira. Mas, por outro lado, ele vê o direito da Bolívia e não deseja uma solução que o desrespeite pela conquista. Não deseja solução nenhuma que não se harmonize com o Direito Internacional e com a tradição na política exterior do Brasil. Por isso colocou o problema na base de aquisição do Acre mediante compensações territoriais e pecuniárias. Um acordo em que não houvesse vencido nem vencedor.
Iniciadas as negociações em julho, só em agosto os plenipotenciários bolivianos concordaram com a idéia de uma compensação pecuniária em troca do Acre, mas devendo o Brasil abrir mão também de algum pequeno território, a fim de que a negociação diplomática não se transformasse numa simples operação de compra e venda. No dia 22 de julho era apresentada aos bolivianos uma proposta concreta: o Acre em troca de um milhão de libras esterlinas, a construção de uma via férrea da cachoeira Guajará-Mirim a Santo Antônio, no Madeira, dois pequenos territórios junto ao rio Madeira. Nesse mesmo dia, em conferência com os dois colegas brasileiros, Rio Branco manifesta a opinião de que seria talvez necessário fazer algumas concessões no Baixo Paraguai brasileiro, de acordo, aliais, com o pensamento do governo do Império em 1867, que era dar ali à Bolívia portos para o seu comércio exterior. Concessão esta, porém, que ele não lançara na primeira proposta, guardando-a, como trunfo, para as discussões finais. A 24 de julho os plenipotenciários bolivianos declaravam inaceitável a proposta brasileira do dia 22. Por sua vez a contraproposta por eles apresentada a 13 de agosto continha tais exigências territoriais – territórios no Amazonas e em Mato Grosso, nas duas margens do Madeira, a oeste do rio Paraguai, a oeste do Jauru, ao sul do seu afluente Bagres, a oeste do Alto Guaporé – que Rio Branco nem consultou ninguém sobre ela: recusou-a imediatamente. Seguiram-se conversações particulares entre plenipotenciários brasileiros e bolivianos, lentas, penosas, quase enervantes. Rio Branco sabia, porém, que a primeira qualidade diplomática, como a política, é a paciência, a capacidade de esperar sem irritação ou desânimo. Duas vezes, a pedido seu, reuniu-se o Ministério. E nenhuma solução definitiva aparecia.
A 17 de novembro de 1903, em Petrópolis, assinavam os plenipotenciários brasileiros e bolivianos o Tratado pelo qual terminava a questão do Acre e se estabeleciam as fronteiras entre o Brasil e a Bolívia. Pelo Tratado de Petrópolis o Brasil incorporava ao seu território não só os 142.000 quilômetros quadrados – reconhecidos sempre pela nossa chancelaria como bolivianos e pelo Barão do Rio Branco, pela primeira vez, declarados litigiosos – como também mais 48.000 quilômetros quadrados, nos quais estavam contidas as mais ricas florestas do Acre superior, nunca disputados à Bolívia, por todos reconhecidos como da sua exclusiva propriedade. Incorporávamos, na verdade, cerca de 200.000 quilômetros quadrados, todo o território habitado por brasileiros, tanto ao norte como ao sul do paralelo 10º 20’. Um território mais vasto do que o de qualquer destes Estados; Ceará, Rio Brande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Oferecíamos em troca uma área de 2.296 quilômetros quadrados, entre os rios Madeira e Abunã, habitada, aliás, por bolivianos, e mais 723 quilômetros quadrados sobre a margem direita do rio Paraguai, dentro de terrenos alagados, 116 sobre a lagoa de Cáceres, 20,3 sobre a lagoa Mandioré e 8,2 sobre a margem meridional da lagoa Gaíba. Dávamos 3.164 quilômetros quadrados em troca de cerca de 200.000 quilômetros quadrados do Acre. Para estabelecer o equilíbrio nesse desnível de quantidade, o Brasil oferecia à Bolívia mais duas compensações: o pagamento de dois milhões de libras esterlinas e a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, esta última, aliás, de utilidade para o comércio e a economia de ambos os países. Era uma empresa, a estrada, já prometida pelo Brasil no Tratado de 1867, e recomendada no Império por alguns dos seus principais estadistas, como o Visconde do Rio-Branco, o Marquês de São Vicente, o Barão de Cotegipe e Tavares Bastos. 



BIBLIOGRAFIA:

LINS, Alvaro – Rio-Branco: Biografia pessoal e História política, São Paulo, 1965.

            

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Resumo do processo de anexação do Acre ao Brasil



"Quem limita a História do Processo de Anexação do Acre às ações de Plácido de Castro é por que não conhece a história do Acre e sim a literatura epopeica que a tematizou"