terça-feira, 25 de março de 2014

Carta do Senador Aníbal Diniz ao condenado pelo Mensalão José Dirceu

Em carta endereçada a José Dirceu e a Delúbio Soares, o senador Aníbal Diniz (PT-AC) destaca que ambos estão mantidos em regime fechado “ilegalmente e injustamente” por decisão monocrática do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.
A carta encaminhada aos petistas foi lida na Tribuna do Senado nesta terça-feira (17.12), confiram a íntegra:
“Companheiros Zé e Delúbio,
A oportunidade que tive de ter estado com vocês, mesmo que por pouco tempo, foi algo muito importante para mim, e tenho certeza que o companheiro Nilson Mourão, pelo belo artigo que escreveu e publicou nos jornais do Acre, pensa da mesma forma.
Tornei pública a nossa visita e fiz a leitura integral da carta-artigo do companheiro Nilson Mourão no plenário do Senado, ocasião em que manifestei minha mais irrestrita solidariedade aos companheiros e cobrei do Supremo Tribunal Federal o cumprimento da lei. Disse que o Supremo Tribunal Federal havia lhes sentenciado regime semiaberto, mas por decisão monocrática do ministro Joaquim Barbosa, vocês estão ilegalmente e injustamente cumprindo pena em regime fechado.
A luta é árdua e requer o esforço de todos. É muito bom, para isso, que vocês continuem de cabeça erguida, conscientes da grande contribuição que deram para a democracia, da qual todos usufruímos no Brasil, e acima de tudo cheios de esperança no futuro.
Que Deus lhes dê sabedoria, serenidade e muita saúde, porque a história não acaba aqui, e tenho certeza de que a política, o PT e o Brasil ainda vão convocá-los para novos e importantes desafios. Meu respeito, minha solidariedade e minha gratidão pelo muito que vocês fizeram para que o nosso Partido dos Trabalhadores construísse a trajetória vitoriosa que nos trouxe até aqui.
Um feliz Natal e que as bênçãos de Deus permaneçam abundantemente em suas vidas!
PT, saudações.
Aníbal Diniz.”
Fonte: http://www.zedirceu.com.br/o-pt-e-o-brasil-ainda-vao-convoca-los-afirma-senador-anibal-diniz/

terça-feira, 18 de março de 2014

Plácido de Castro, por Cel Claudio Moreira Bento

Sobre Plácido de Castro, por Cel Luiz Ernani Caminha Giorgis


Curriculum 
Vitae
 

1. O HOMEM
Em 9 de dezembro de 1873, na Vila de São Gabriel, região da Campanha do Rio Grande do Sul, nascia JOSÉ PLÁCIDO DE CASTRO, filho de uma família muito humilde. Seus antepassados foram militares, que lutaram nas guerras do século 19, no sul. A casa de seu pai era ponto de encontro de veteranos da Guerra do Paraguai, que recordavam e contavam lances do conflito. O jovem José criou-se ouvindo e assimilando tudo aquilo. Aos 11 anos perde o pai, tendo que trabalhar em uma loja de tecidos para ajudar a família. E eram ao todo seis filhos. Uma infância infeliz. Com esforço, estuda à noite, voltando para casa tarde, e cansado. Este tipo de vida amadurece-o. Nesta altura, um amigo de seu falecido pai propõe-se a pagar seus estudos em um bom colégio. Plácido aceita, embora isto implique em não trabalhar mais, deixando assim de ajudar sua família. E, antes de um ano, larga o colégio e volta ao trabalho, por puro dever de consciência, desta vez numa ourivesaria. Rapidamente, pela dedicação, ganha a confiança de seu patrão. Enquanto isso, alimenta uma vontade: a carreira militar.
De fato, a 27 de dezembro de 1889, o jovem de 16 anos senta praça no 1º Regimento de Artilharia de Campanha (1º RAC), unidade sediada, na época, em São Gabriel. Após alguns meses consegue matrícula na antiga Escola Tática de Rio Pardo, onde se destaca pela conduta e aplicação. Em 1892 já é 2º Sargento, retornando ao 1º RAC. Ali aguarda a realização de outro desejo, o qual se concretiza no ano seguinte: a matrícula na Escola Militar de Porto Alegre, antecessora do hoje Colégio Militar.
A dedicação de José Plácido é ardorosa. Vive para o estudo, inclusive nas horas de folga. Só abandona os livros para escrever para sua mãe. Não toma conhecimento da agitação política do País, há poucos anos tornado uma República, pelo Marechal Deodoro da Fonseca, e agora, sob o regime forte e centralizador de Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro.
No Rio Grande do Sul começa a borbulhar a Revolução Federalista de 1893, sob a liderança de Gaspar Silveira Martins. Os Maragatos de Silveira Martins, Joca Tavares e Gumercindo Saraiva, entre outros, federalistas, contra os Pica-Paus, governistas de Floriano Peixoto e Júlio de Castilhos. José Plácido não quer tomar partido. Interessa-o mais a carreira que está iniciando. Mas nutre uma certa simpatia, não manifesta, pelos maragatos federalistas, e seus colegas cobram-lhe uma posição definida. Na Escola, os florianistas/castilhistas são maioria, e fazem um Manifesto, pedindo o fechamento do Estabelecimento de Ensino, para que assim possam engrossar as fileiras governistas. Plácido recusa-se a assinar o Manifesto. A Escola é fechada e ele recolhido preso como suspeito ao 13º Batalhão de Infantaria (13ºBI). Em seguida, sempre como "suspeito", foi transferido para Bagé, e depois para Rio Negro, região próxima àquela cidade, onde desempenhou serviços internos, sem poder usar armas de fogo. Desde sua prisão rumina revolta e rancor, privado que foi de uma carreira promissora. Na véspera do combate de Rio Negro entregam-lhe uma arma, com a missão de rondar os piquetes-sentinelas que vigiam a força revolucionária, a qual fazia cerco ao local. Chegando ao último piquete esporeia sua montada, transpõe o pequeno riacho e dirige-se ao exército revolucionário, onde é levado à presença de Joca Tavares. Adere então ao movimento federalista, definindo uma posição política que, no coração, já existia. A partir daí destaca-se na luta, pelo destemor nos combates. Os comandantes de tropa o disputam, pela sua coragem e bravura. Galga rapidamente as graduações e é promovido a oficial. Em 1895, com apenas vinte e um anos, é promovido a Major, por heroísmo nos combates do Caverá e do Vacacaí.
Terminada a Revolução, José Plácido afastou-se da vida militar, retornando ao seio de sua família em São Gabriel. Mas em seguida toma o destino do Rio de Janeiro, onde consegue emprego de Guarda no Colégio Militar, função civil. Rapidamente é promovido a Inspetor de Alunos. Aproveita para assistir aulas "como ouvinte". Fascina-o a Geografia. E foi justamente um oficial, professor da matéria, conhecido pelo gênio explosivo, que, em conseqüência de um mal-entendido, o repreendeu severamente, expulsando-o da sala. Despedido, aceitou uma oferta para trabalhar nas Docas de Santos, em março de 1898, onde praticou o ofício de agrimensor, reunindo recursos que se destinaram à viagem para a Amazônia, para demarcar seringais, atendendo convite de outro gaúcho, o Engenheiro Orlando Corrêa Lopes, que já pregava a necessidade de uma reação armada no Acre.
2. ANTECEDENTES DA REVOLUÇÃO
Desde 1867 o Acre pertencia à Bolívia, por força do Tratado de Ayacucho, mas somente a partir de 1899 a região passou a ser cobiçada e ameaçada pelos trustes norte-americanos, com a ingênua conivência boliviana, através da empresa "The Bolivian Syndicate Of New York City in North-America". Nome tão pomposo quanto o imperialismo que continha. A empresa era presidida por um filho de Theodore Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos. Um típico testa-de-ferro. A Bolivian Syndicate propunha desenvolver o Acre, mas exigia, entre outras coisas, direitos fiscais e policiais absolutos, exclusividade na exploração vegetal e mineral, um exército e uma esquadra armados, livre navegação nos afluentes do Solimões, livre trânsito alfandegário em Belém e Manaus e 50% dos direitos, por dez anos, sobre a borracha acreana. Em caso de guerra com o Brasil exigia também que a Bolívia denunciasse o Tratado de 1867, entregando uma parte do território, (a maior parte), em livre posse, aos Estados Unidos da América!! Claramente, uma insuportável arrogância. Conforme Cláudio Moreira Bento, um verdadeiro Cavalo de Tróia. Mas qual era o interesse afinal? O látex de borracha. Este nome, borracha, vem de antigas bolsas de couro chamadas de "borrachas". Aquelas bolsas passaram a ser feitas da goma de látex das seringueiras, daí o nome. Mas a borracha passou a ter, desde 1745, com o francês La Condamine, múltiplas aplicações, o que a tornou preciosa. Principalmente a partir de 1839, quando Charles Goodyear inventou o processo da "vulcanização".
A presença da Bolivian Syndicate, com direito a manter forças armadas no Acre, seria uma grave ameaça à integridade da América do Sul. Em torno de 60 mil seringueiros e seringalistas acreanos eram brasileiros, na maior parte nordestinos, que haviam ocupado a região entre 1870/80. Ainda bem, porque foram eles que impediram os americanos de tomar conta da região. Naquela época o Acre já era boliviano. Em 1899, o aventureiro espanhol Luís Galvez Rodrigues de Arias, funcionário do Consulado da Bolívia em Belém, insuflado por outros revolucionários, já sob a ameaça da Bolivian Syndicate, desembarca no Acre e proclama o "Estado Independente do Acre", tomando a si o cargo de Presidente. Cinco meses depois foi deposto, preso e deportado para Pernambuco. Na verdade, a Bolívia havia solicitado ao Brasil que restabelecesse a ordem, o que foi atendido através de uma flotilha da Marinha sob o comando do Capitão-Tenente Raimundo Ferreira. Mas a iniciativa de Galvez tinha deixado a semente da revolta no coração dos acreanos. Os líderes revolucionários eram os gaúchos Orlando Corrêa Lopes e Gentil Tristão Norberto. Mas faltava alguém com espírito de liderança e experiência de combate. O escolhido foi Plácido de Castro, que na época encontrava-se no Acre, explorando os seringais.
Plácido não aceitou inicialmente o convite, dado o seu estado de saúde, acometido que estava de paludismo (malária) e beribéri. Viajou para o Ceará, em busca de tratamento. Em fevereiro de 1902, já restabelecido, ao passar por Manaus, recebe a visita de outro revolucionário, Rodrigo de Carvalho, funcionário público brasileiro em atividade na fronteira do Brasil com o Acre boliviano. Convidado, desta vez aceita liderar a revolução, mas com diversas condições, as quais foram prontamente aceitas por Rodrigo e pelos demais líderes. Eram brasileiros montando uma revolução para proteger uma região que não pertencia ao Brasil. A luta não seria contra a Bolívia, mas sim, contra a Bolivian Syndicate.
Inicialmente, Plácido recorre os seringais. Vai de barraca em barraca. Fala com todos. Esclarece, anima, estimula, passa instruções, e obtém a adesão de todos. A 01 de julho de 1902, em reunião com os líderes, marca a data de início do movimento armado: 06 de agosto, data da independência da Bolívia, com início em Xapuri, no Alto-Acre, onde estava situado o principal entreposto boliviano de mercadorias. A obtenção dos diversos tipos de suprimentos está confiada ao revolucionário José Galdino, um dos homens mais ricos da região. O suporte financeiro do apoio logístico em pessoal e material estava assegurado, o que era fundamental. As operações militares por sua vez, estão planejadas no cérebro de José Plácido, levando em conta o terreno, a cobertura vegetal e as vias de acesso fluviais, além das possibilidades do inimigo. Dispõe inicialmente de apenas trinta e três homens, todos devidamente preparados e conhecedores da região.
3. A LUTA
Na madrugada de 06 de agosto, o pequeno exército invade Xapuri, ocupando os principais prédios existentes e surpreendendo totalmente os ocupantes. Plácido penetra na sede da Intendência (Prefeitura) e prende o Intendente Don Juan de Dios Barrientos. Outras autoridades locais são igualmente presas. Os habitantes porém apoiam a revolução e confraternizam com os revolucionários. Imediatamente, o gaúcho de São Gabriel proclama o Estado Independente do Acre, manda hastear a Bandeira Acreana e lavrar a Ata de Independência, fazendo com que todos os presentes a assinassem. Uma cópia é enviada ao Delegado Nacional da Bolívia, em Puerto Acre. Plácido sabia que tinha de ser ousado, senão não conseguiria nada. Mas não era só, e ele sabia disso. Prepara-se então para enfrentar as tropas do Exército Boliviano que, já se sabia, estavam sendo transportadas para a região. Decide adotar a tática da emboscada, para compensar a inferioridade numérica. O local seria em Volta da Empresa (atual Rio Branco). Mas no deslocamento, embora já contando com 63 homens, foi surpreendido numa contra-emboscada por 200 soldados do Coronel boliviano Rosendo Rojas, amargando assim uma brutal derrota. Vinte e seis mortos e seis desaparecidos são o saldo da retirada de Plácido da zona de emboscada. A derrota de 18 de setembro não foi maior porque os bolivianos não realizaram a perseguição. Mas o caudilho tira o máximo de lições da derrota. Reorganiza sua tropa, obtém mais efetivo, alcançando 200 homens, e decide atacar na localidade Volta da Empresa, onde está concentrada a tropa do Cel Rojas. O ataque fica marcado para 05 de outubro. A técnica a ser usada será o sítio à localidade e o desgaste da tropa sitiada. E as coisas ocorrem conforme o planejado. Quatro dias após o cerco, Plácido de Castro intima Rojas à rendição, mas este recusa. O cerco continua por mais seis dias, quando então o Cel boliviano decide render-se. No encontro dos dois comandantes, Rosendo Rojas quer entregar sua espada para Castro, mas este recusou dizendo: - Não, Coronel, guardai a vossa espada, pois sois um bravo! -. O boliviano surpreendeu-se com a atitude positiva do brasileiro, e as duas mãos se apertaram, num gesto de simpatia.
Mas ainda não era o fim. É necessário vencer as forças bolivianas estacionadas em Puerto Acre, último objetivo a ser conquistado. Três meses depois, portanto, as forças do nosso caudilho já estão operando em torno de Puerto Acre. A 08 de janeiro de 1903 o cerco à localidade e o bloqueio do Rio Acre estão prontos. É possível depreender o quanto as forças militares bolivianas eram mal preparadas. José Plácido manda então um ofício ao Delegado Nacional, Dom Lino Romero, avisando-o que o ataque será no dia seguinte, 14 de janeiro, às 1000 h. Pretende assim obter mais vantagem psicológica e obter a rendição dos bolivianos sem luta, poupando vidas. Oferece inclusive seu hospital de campanha, para atender os feridos inimigos, se for o caso. Mas Lino Romero não se rende e recusa o hospital.
Às 0900 h desemboca o ataque. Após cinco horas de combate os revolucionários já haviam conquistado posições vantajosas na periferia. Neste mesmo dia o Ten Cel Manoel Canseco, comandante das tropas, morre atingido por um tiro. O combate continua, e Plácido, mesmo com cinqüenta baixas, não esmorece. A sede torna-se um problema alarmante, devido às altas temperaturas. O grupo destacado para trazer água precisa enfrentar o fogo inimigo para chegar ao rio e retornar com o precioso líquido, em bolsas apropriadas. E assim foi por diversas vezes. Os revolucionários aguardam a chegada do navio Independência, que é armado com canhões, trazendo também reforço de tropas e suprimentos, mas os bolivianos atravessam uma grossa corrente de uma à outra margem do rio. Plácido consegue voluntários para cortar a corrente com limas. Trabalho tão necessário quanto perigoso, porque o obstáculo é batido por fogos. Mas os homens conseguem, e o Independência chega, protegido nas laterais por 15 toneladas de látex de borracha, o que o torna um verdadeiro encouraçado. A chegada do navio dá novo ânimo aos sitiantes. E o sítio se fecha. À noite, com chuva, os bolivianos começam a se desesperar. Quando a chuva cessa, Plácido manda incendiar a Vila com flechas, cujas pontas têm chumaços de estopa ensopados de querosene. A 23 de janeiro (14 dias após o início do ataque), os bolivianos hasteiam uma bandeira branca; mas não é a rendição e sim uma proposta de trégua para enterrar os mortos. Plácido não aceita e manda o emissário boliviano de volta, convencido que era somente um estratagema para ganhar tempo e localizar o Posto de Comando brasileiro. Imediatamente o fogo recrudesceu, mas Castro já havia trocado seu PC para outro local. E aperta mais o cerco. No dia seguinte, 24, finalmente a rendição. O comandante brasileiro encontra-se com o Delegado Lino Romero e com o Coronel José Ruiz. Enquanto se lavra a ata de rendição José Plácido explica que nada tem contra a Bolívia, exalta a bravura dos bolivianos e destaca que sua luta é contra a Bolivian Syndicate. Em seguida é lida a Ata de Capitulação de Puerto Acre, assinada por todos os presentes e organizada uma formatura das tropas. Nessa ocasião a bandeira da Bolívia foi arriada e os vencidos iniciaram a entrega das armas aos vencedores, começando por Lino Romero. Mas José Plácido de Castro não aceita, para não ofender a dignidade dos bolivianos. Romero agradece emocionado, em nome de seus homens. À noite, os prisioneiros são embarcados no Independência e levados para Caquetá, de onde seguirão para Manaus.
Plácido de Castro manda hastear a Bandeira Acreana, com as cores verde e amarela, e uma estrela vermelha. Está terminada a luta. Termina a Revolução. O Acre está livre do imperialismo norte-americano. Durante todo o tempo da revolução não se viu um só representante da Bolivian Syndicate na área. José Plácido de Castro é Governador do Estado Independente do Acre e Comandante-em-Chefe do Exército Acreano.
Nesta altura dos acontecimentos, o governo brasileiro já havia mandado uma expedição para o Acre, comandada pelo General Antonio Olímpio da Silveira. A 03 de abril, Plácido e o Gen Olímpio encontram-se em Porto Acre. Após esta entrevista, na qual inteirou-se dos fatos, o general segue para o Acre Setentrional (Norte). Uma semana depois informa a Castro que ocupara militarmente a região, e assumido o govêrno. Plácido não aceita, e decreta a transferência de seu governo para Xapuri, no Acre Meridional (Sul). Estava criado o impasse. Respeita as decisões do governo brasileiro, mas não pode deixar de garantir os direitos conquistados pela Revolução. No deslocamento para Xapuri o brasileiro encontra-se novamente com o general e acertam o que fazer, já que a Bolívia tornou a enviar tropas para a região. De fato, em abril as operações militares reiniciam, mas agora já não mais contra a Bolivian Syndicate e sim contra o Exército Boliviano, comandado pelo próprio Presidente da República, General José Manuel Pando. Após vários dias de combate, as tropas bolivianas, cercadas pelo exército de Plácido de Castro em Puerto Rico, já não suportam a fome, quando chega a notícia do acordo Brasil-Bolívia, de 21 de março de 1903, que estabeleceu a ocupação militar, a pedido do governo boliviano. Soube-se então que a Bolivian Syndicate, face ao fracasso militar, havia tentado subornar a população acreana, tendo sido repelida. Financiou então, na Bolívia, a expedição já citada. A diplomacia brasileira entra em cena, com o Barão do Rio Branco. Cessam imediatamente as hostilidades. Plácido dissolve o Exército Acreano. Tinham sido 171 dias de árdua campanha, porém vitoriosa.
4. A CONSAGRAÇÃO
Em Manaus, a prova do reconhecimento: autoridades, povo e imprensa exaltam o caudilho gaúcho. No Rio de Janeiro, o Barão do Rio Branco propõe à Bolívia a compra do Acre. Em agosto, o governo brasileiro convoca o Exército Acreano de Plácido de Castro e empossa este no governo do Território e no comando das forças militares, até que a situação fique completamente definida. Foi a glória para o gaúcho de São Gabriel, que foi fazer uma revolução tão longe dos pagos.
Em 17 de novembro de 1903, através do Tratado de Petrópolis, o Brasil compra o Acre da Bolívia por dois milhões de libras esterlinas, mais a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
E Plácido de Castro volta ao trabalho de seringalista. Já não é mais governador nem comandante. Com a tenacidade e empenho de sempre torna-se um próspero produtor de borracha. Trabalha de sol a sol. A maior parte de suas terras fica em território boliviano. Em junho de 1906 é nomeado Prefeito de Alto-Acre. Ocupa a função por dois anos, quando aproveita para propor ao governo federal soluções para os problemas locais.
A uma certa altura dos acontecimentos, começa a sentir-se traído. Surgem intrigas e calúnias, que muito o incomodam, mas continua a trabalhar. Em seguida identifica o novo inimigo. É Alexandrino José da Silva, antes seu subordinado, na revolução, agora Sub-delegado de Polícia de Alto-Acre, que estava, entre outros desmandos, extrapolando suas funções policiais, prejudicando a população, acobertado pelo Prefeito, o que Plácido não aceita. Enquanto se prepara para enfrentar este novo desafio, decide providenciar a venda de seus bens, a transferência de sua casa comercial para seu irmão Genesco de Castro, e regressar para o Rio Grande do Sul, onde o aguarda sua noiva. Já tinha cumprido sua missão no Acre.
5. O FIM TRÁGICO
A 09 de agosto de 1908, ao voltar da Vila de Rio Branco para Capatará, Plácido e alguns companheiros foram emboscados. Mortalmente ferido, escapa do local, socorrido pelo irmão, e vai para a localidade de Benfica, onde é operado por dois médicos, mas as esperanças diminuem sem parar. Na tarde de 11 de agosto o caudilho libertador do Acre expirou. Seus assassinos nunca foram claramente identificados, mas a causa presumida foi vingança. Teve assim o mesmo destino trágico de seu avô, do qual herdou o nome, o major do Exército José Plácido de Castro.
Hoje, no local onde ocorreu a emboscada, existe um mármore registrando o fato, e os restos mortais de Plácido de Castro estão sepultados no Cemitério da Santa Casa, em Porto Alegre.
Esta é, em poucas palavras, a epopéia do Libertador do Acre, o guerreiro da campanha anti-imperialista, o gaúcho de São Gabriel, José Plácido de Castro.
Sua lição não pode nunca ser esquecida.
________________________
Luiz Ernani Caminha Giorgis, Cel
Delegado da AHIMTB/RS
1º Vice-Presidente do IHTRGS
Professor do CMPA
Bibliografia:
Araújo Lima, Cláudio - Plácido de Castro, Bruno Buccini Editor, Rio de Janeiro - 1960;
Bento, Cláudio Moreira - Centenário do Libertador do Acre, Plácido de Castro, Min Interior, SUDAM, Belém, 1973;
Nota do autor:
AHIMTB : Academia de História Militar Terrestre do Brasil

IHTRGS : Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul.

terça-feira, 4 de março de 2014

O acre virtual (por Altino Machado)

SE DE UM LADO NEGRO, REAL E CAÓTICO, TEMOS:
- BR 364 fechada;
- Estado do Acre isolado por terra;
- Escassez de gêneros de primeira necessidade;
- policiais civis e militares brigando entre si e invadindo delegacias;
- violência, literalmente, saindo pela culatra;
- carnaval popular cancelado;
- famílias desabrigadas por causa da enchente do Rio Acre;
- Estado em estado de emergência;
- Passagem aérea de ida e volta para Porto Velho, Estado vizinho, custando a bagatela de R$2700,00;
- Governo da França destacando o Acre como rota a ser usada em caso de extrema necessidade;
- Infraestrutura urbana que não suporta 5minutos de chuva forte que já transforma a cidade num verdadeiro caos com ruas inundadas, esgotos transbordando, bueiros entupidos, trânsito parado;

DO OUTRO LADO TEMOS:
- O "rico" Estado do Acre contribuindo com o carnaval carioca;
- O "rico" Estado do Acre custeando passagens, hospedagens e fantasias para a comitiva real que insiste em mostrar um Acre que não condiz com o real. Sim, cabendo ao governo o ônus da prova.
- O "rico" Estado do Acre proporcionando a alegria da comitiva real que, literalmente, se apresenta sambando na nossa cara e não demonstrando nenhuma preocupação ou interesse com a situação que aqui está instalada;

E SABEM PQ?????? PQ “SOMOS” BABACAS.
BABACAS AO PONTO DE AINDA APLAUDIR E TORCER PELA VITÓRIA DA ESCOLA PATROCINADA.

Só pra lembrar: PRA MIM, CHICO MENDES MORREU e faz tempo. Morreu como qq outro mortal.

Ah, e por favor, não me venham com arrecadação, carnaval, bingo e seja lá o que for SOLIDÁRIO....Falso moralismo e Hipocrisia.
Não devemos apenas praticar a solidariedade para pobre ver. Devemos ser solidários em nossos atos e interesses. Devemos ser solidários com a situação de pobreza, fome, tristeza e com sofrimento de um Estado e seu povo.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Entendendo o hino nacional

1. Ouviram do Ipiranga às margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante

As margens plácidas do (rio) Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico. 
Plácido quer dizer calmo. Dom Pedro I vinha de Santos, ao longo do rio Ipiranga, quando tomou a corajosa decisão de declarar a independência do Brasil.
Brado é grito. Retumbante é estrondoso, barulhento, para fazer um contraste com a placidez das margens. 
Poderíamos parafrasear (escrever de outra forma) este verso assim: As margens calmas do rio Ipiranga ouviram o grito estrondoso de um herói (Dom Pedro I), que representava todo o povo brasileiro. 
O riacho Ipiranga nasce junto ao Zoológico de S. Paulo. Era de costume na época inverterem-se as frases à moda latina. 
2. E o sol da liberdade em raios fúlgidos
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Fúlgido significa brilhante.
Mas não dava prá dizer: "raios brilhantes brilhavam" porque iria parecer repetitivo e pobre. O grito de "Independência ou Morte" transformava uma nação colonial, dependente de Portugal, em um novo país autônomo e livre. Duque Estrada compara a liberdade a um sol brilhante que ilumina o céu (Pátria), antes obscurecida pelo colonialismo. 
3. Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Penhor equivale a garantia, segurança. É comum a gente penhorar algo de valor (em troca de dinheiro) e receber um papel que garanta a recuperação daquilo que foi penhorado. O Brasil passou a ser independente e, portanto, conquistou o penhor da igualdade, ou seja, daquele momento em diante, Portugal e Brasil eram nações iguais, sem que uma fosse superior à outra. E a frase continua, dizendo: o nosso peito desafia a própria morte. 

Simplificando: agora que o povo brasileiro conquistou seu passe para a liberdade, através de sua força e coragem, inspirado nesta nova liberdade não hesitará em enfrentar a própria morte (isto é, se tiver de lutar e morrer, o povo não sentirá medo). A frase pode ser reescrita assim: através de nossa coragem conquistamos uma igualdade de condição com quem antes era nosso colonizador e, para manter esta situação de liberdade, estamos prontos a sacrificar a própria vida. 

4. Ó Pátria Amada,
Idolatrada
Salve! salve!

Idolatrar é transformar algo ou alguém em ídolo, como se costuma fazer com artistas de modo geral. Salve equivale a uma saudação. Originalmente se dizia; "Deus te salve!" 

5. Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu risonho e límpido
A imagem do Cruzeiro resplandece!

Vívido é intenso, ardente, vivo. Formoso é belo. Límpido significa transparente, claro. Resplandecer equivale a brilhar ou luzir intensamente. Aqui o poeta compara o Brasil a um sonho intenso, porque ainda tem muito a realizar. Sabe-se que o Cruzeiro do Sul é uma constelação que aparece no céu do Brasil. Ela tem a forma de cruz, que nos lembra Jesus Cristo e as práticas cristãs. Portanto, vamos refazer os versos para entender o sentido: O Brasil é como um sonho intenso e, já que em nosso céu límpido a cruz de Cristo resplandece, desta cruz desce um raio brilhante que ilumina o Brasil. Ou seja, o Brasil está sob o amparo e a proteção de Cristo. 

6. Gigante pela própria natureza
És belo, és forte impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Se você olhar o mapa mundial, vai notar que o Brasil é o quinto maior país do mundo (depois de Rússia, Canadá, Estados Unidos e China). Com mais de 8.500.000 de Km2, o Brasil é naturalmente gigantesco.
Note que às vezes os poetas têm o costume de falar diretamente com as coisas, como se elas fossem pessoas: "és belo, és forte..."
Impávido significa sem medo: destemido, corajoso. Colosso é uma pessoa ou objeto de tamanho muito grande.
Vamos reescrever a frase: Tu (Brasil), és belo, forte e, graças ao tamanho imenso que a natureza te deu, não tens medo de nada. Além disso, a tua grandeza de hoje vai se revelar no futuro. 

7. Terra adorada, entre outras mil,
És tu Brasil, ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

Este trecho é mais fácil de se entender, embora também utilize algumas inversões:
Brasil, tu és nossa terra adorada e te escolhemos entre outras mil terras; tu és nossa pátria amada, mãe gentil (carinhosa) dos filhos deste solo (de nós, brasileiros). 

8. Deitado eternamente em berço esplêndido
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Esplêndido é maravilhoso, deslumbrante. Fulgurar é brilhar, resplandecer. Também pode significar distinguir-se ou sobressair (entre outros). Florão é uma decoração bonita e grande em forma de flor.
A idéia que Duque Estrada quer transmitir é a de que a localização geográfica do Brasil é mesmo muito privilegiada: as montanhas, as matas, os rios, toda a natureza formam a imagem de um berço (porque, além do mais, o Brasil, uma nação que se tornara recentemente independente, era como um imenso país recém-nascido). 
"Ao som do mar", porque temos um litoral vasto com belíssimas praias; "e à luz do céu profundo", isto é, ensolarado, típico dos trópicos. 
O "sol do Novo Mundo" coloca o Brasil mais uma vez como uma nação jovem e promissora. O velho mundo (Europa) conquistou e colonizou o novo mundo (América). 
Vamos reescrever: Brasil, tu possuis uma localização espetacular, com uma natureza rica, muito mar e sol. Por isso, entre outras nações da América (Novo Mundo), tu te destacas como um florão. 

9. Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos têm mais flores,
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio, "mais amores".
Garrida é colorida, alegre, vistosa.

Teus risonhos lindos campos têm mais flores do que a terra mais garrida (vistosa). Ou seja, nossa natureza é mais colorida e bela que a de outras terras. 
Nossos bosques têm mais vida (mais beleza e vitalidade). 
Nossa vida, em teu seio (dentro de ti, Brasil), mais amores. 
Equivale a dizer que nós, brasileiros, por vivermos no Brasil, somos mais capazes de amar. 
As aspas são usadas por Duque Estradas no original, pois representam citações dos versos de Gonçalves Dias em "Canção do Exílio":

Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o sabiá... 
...Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas varzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores. 
10. "Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve! Salve!

Idolatrar é transformar algo ou alguém em ídolo, como se costuma fazer com artistas de modo geral. 
Salve equivale a uma saudação. Originalmente se dizia: "Deus te salve!" 

11. Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
Ostentar é mostrar com orgulho.

Um lábaro era um estandarte muito usado pelos romanos e aqui está representado por nossa bandeira, repleta de estrelas. O poeta compara a bandeira a um estandarte e deseja que ele represente o amor eterno. 
O verso está invertido. Deve-se ler: Brasil, o lábaro que ostentas estrelado seja símbolo de amor eterno. 
O poeta está tentando dizer: tomara que as estrelas da tua bandeira sejam símbolo de amor eterno. 

12. E diga ao verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.

Flâmula aqui, é sinônimo de bandeira. O louro é uma planta. Com seus galhos e folhas os imperadores romanos eram coroados. Portanto, simboliza poder e glória. Mais uma vez, vamos olhar para a bandeira. Duque Estrada torce para que o louro da bandeira simbolize um poder que venceu batalhas gloriosas no passado, quando isso foi necessário para se conseguir a independência, mas só deseja paz daquele momento em diante, pois o verde, além da esperança, também simboliza a paz. 

13. Mas se ergues da justiça a clava forte
Verás que o filho teu não foge à luta,
Nem teme quem te adora a própria morte.

Clava é um pedaço de pau pesado (mais grosso numa ponta que na outra), que era usado como arma. 
Vimos que, no verso anterior, o poeta sonha com a paz no futuro. 
De repente, entretanto, este novo verso diz: mas se ergues (levantas) a clava forte da justiça, ou seja, se o país tiver de lutar contra a injustiça, verás que um brasileiro (filho teu) não foge à luta (enfrenta a guerra). 
E quem te adora não teme nem a própria morte, quer dizer, os brasileiros adoram tanto o seu país que seriam capazes de sacrificar suas próprias vidas para defendê-lo. 

14. Terra adorada, entre outras mil,
És tu, Brasil, ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria Amada, Brasil!

Este trecho é mais fácil de se entender, embora também utilize algumas inversões: Brasil, tu és nossa terra adorada e te escolhemos entre outras mil terras; tu és nossa pátria amada, mãe gentil (carinhosa) dos filhos deste solo (de nós, brasileiros). 

Fonte: Wayne Tobelem dos Santos

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O show gospel tem que parar: negociantes de Deus, Fora!!!!!!!!



Ainda não haviamos registrado uma ação de tamanho desrespeito para com o povo de Deus. 

No dia 01 de fevereiro de 2014, vemos mais uma vez o “Dr.” Mike Murdock no programa televisivo do Pr. Silas Malafaia.
 E o que há de novo nisso?
Nada. Nada mesmo!


Já no início chama a atenção a camisa do “Dr.” Murdock, listrada em tons de verde. Ué, já vi essa camisa em algum lugar… Ah, lembrei! Ele usava uma camisa igualzinha no programa que foi ao ar em 05/01/2013, aquele programa onde dizia que tinha um livro que tinha superpoderes, o tal d’O Desígnio. Aquele programa onde, ao final, pedia uma oferta de R$ 1.000,00 em troca de visitação do Espírito Santo (vendendo literalmente a santa presença de Deus) e dinheiro.
Mas olhando bem… Não apenas o Murdock usa, em 2014, as mesmas roupas que usava em 2013. O Malafaia e o intérprete Gidalti Alencar também usam as mesmíssimas roupas de um ano antes!!!

Ou houve uma gigantesca coincidência, ou os dois programas foram gravados no mesmo dia, em 2012 ou 2013. Como não acredito em coincidências gigantescas, fica claro que o Murdock gravou dois programas no mesmo dia, com mensagens parecidas (apenas com o “livro poderoso” diferente) e o Malafaia guardou um para esse ano.

Isso não seria um grande problema se as tais falas do Murdock não fossem dadas com falso tom profético. O tal “dr.” costuma fazer uma pregação apelativa, usando de métodos de autoajuda misturada com versículos bíblicos fora do contexto para justificar sua Teologia da Prosperidade. E, no final, de forma falsamente inspirada diz que quem oferta certa quantidade vai ter certas bênçãos especiais. Ora, se gravou dois programas no mesmo dia, como teve inspiração para pedidos de oferta com bênçãos relacionadas diferentes para anos diferentes?

Isso, por si só, denota que os pedidos de oferta com bênçãos relacionadas são invenções humanas, não de Deus. Murdock e Malafaia (e Morris Cerullo também) estão intimamente mancomunados na fabricação de apelos para angariar fundos para seus ministérios. E isso nada tem a ver com revelações de Deus.

Bom, as roupas dos (im)pastores eram as mesmas em 2013 e 2014, e claro, o discurso também era o mesmo. Na edição 2014 Murdock começa falando de seu pai, um santo homem que orava de 4 a 10 horas todos os dias, mas mesmo assim não tinha dinheiro. “Eu não queria servir um Deus que fazia as pessoas pobres”, falou Mike Murdock a respeito do Deus que seu pai servia. Porém Murdock (e Malafaia, que apóia toda a papagaiada do seu colega americano) esquece-se que Jesus rejeitou todas as riquezas e poder oferecidos pelo deus deste mundo, quando dos seus quarenta dias no deserto. Jesus também dizia dos pobres e humildes que eram “bem-aventurados”, e isso Ele não disse sobre os ricos e poderosos. Ao jovem rico, Jesus disse que vendesse tudo, doasse aos pobres e só então O seguisse; Zaqueu entendeu a mensagem e não apenas restituiu com altos juros a quem tinha defraudado, como também deu metade do que lhe restou aos pobres. Ainda sobre os ricos, Jesus disse que é muito difícil, quase impossível, um rico entrar no Reino dos Céus, associando à dificuldade de um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Ora, se a riqueza torna tão difícil alguém ser salvo, por quê alguns que se dizem cristãos anseiam tanto por ela?

“Eu não queria servir um Deus que fazia as pessoas pobres”. Malafaia e Murdock querem servir ao deus que faz as pessoas ricas. Ele está na Bíblia, e tem até nome: Mamom. Se Jesus, no deserto, respondeu “não” a essa proposta, esses (im)pastores dizem “sim” com toda a alegria do mundo, afinal é no mundo que colherão sua recompensa financeira.

Na introdução do programa, o Malafaia diz: “a questão não é você ouvir, é você obedecer à instrução”. A princípio, apenas mais do mesmo. Porém, no decorrer do programa percebe-se que esse é o centro da pregação: a obediência às instruções. Ora, o Malafaia então já sabia de antemão sobre o que o Murdock ia falar? Sim, sabia.
Usando o exemplo de seu pai, Murdock diz que nunca ora por finanças, pois é perda de tempo. Seu pai mesmo orava horas e horas e não tinha dinheiro nenhum. Segundo Murdock, “a maioria dos intercessores que conheci não têm dinheiro; muitas pessoas trabalham sem sabedoria”. Em outras palavras: não perca tempo orando, isso não dá dinheiro.

Para Murdock, o que traz dinheiro nem é amar a Deus, mas entender as leis de Deus. Como exemplo citou Donald Trump, que segundo ele não é do tipo que aparenta ser santo, de oração, mas é milionário. Para Murdock e Malafaia mais vale um incrédulo rico que um santo pobre.

E aí o Murdock usa, pela primeira vez, a Bíblia (mal usada, mas usa): invoca o Salmo 112 como aquele com a mais poderosa “aliança financeira” para com Deus. Diz até que, em homenagem a esse salmo, todo domingo dá uma oferta de 112 dólares. É numerologia gospel da brava.

E agora entra a tal “obediência às instruções” que o Malafaia citou lá na introdução da mensagem. O Salmo 112 diz no primeiro versículo sobre quem tem prazer nos mandamentos de Deus, que Murdock nomeia como “instruções”. As instruções seriam as ordens dos líderes eclesiásticos e as ordens dos patrões ou chefes, que devem ser obedecidas imediata e totalmente, e caso isso ocorra Deus tem que fazer a pessoa prosperar.

“Não ame a Deus. Você pode ter um filho que te ama e não ama suas instruções”. O segredo do sucesso nas finanças, segundo Murdock, é obedecer às instruções dadas (por ele, é claro) tão somente. Essa lição é muito importante, afinal no final da mensagem haverá um apelo financeiro que precisa ser obedecido pelo maior número de telespectadores, com o fim de aumentar os recursos dos impérios religioso-midiáticos de Silas Malafaia e Mike Murdock.

Se em 2013 quem ofertasse ganhava O Desígnio, em 2014 o livro da vez é 31 Razões Porque as Pessoas Não Recebem Sua Colheita Financeira (lembrando que ambos os programas foram gravados no mesmo dia, mas já havia o planejamento para que tal livro fosse lançado em 2014 aqui no Brasil pela editora do Malafaia). O assunto de ambos, é óbvio, é a busca por sucesso financeiro.

“Eu faço negócios com Deus. Deus faz negócios através de mim”. Será?

Há muito mais a se falar, mas vamos pular para as tais 4 dicas  para nunca perder o emprego, o mote da propaganda que o Malafaia tem feito a semanas sobre o programa de hoje. Adivinha o teor das dicas?

Se disse obediência às instruções, acertou:

- Você nunca vai precisar repetir uma instrução (pois será obedecida na hora);

- Eu termino toda a instrução que recebo;

- Eu concordo com qualquer pessoa na equipe;

- Serei a pessoa mais fácil para você corrigir.

Agora leve essas “instruções” do mundo corporativo para o mundo eclesiástico, e veja que belo rebanho manipulável por líderes inescrupulosos nós teremos!

A propósito, estamos em ano de eleições. Aceite as “instruções” do seu pastor (se for do Malafaia melhor ainda, pois a unção dele é maior) para eleger quem “deus” indicou para estar no poder, e fique com as promessas de bênçãos financeiras a perder de vista…

Bom, após toda essa tentativa de lavagem cerebral gospel, chega a hora do apelo financeiro. No ano passado foi R$ 1.000,00 parcelados em 10 vezes; em 2014, 12 parcelinhas de R$ 58,00 para quem quer receber milagres de qualquer tipo e um emprego novo, claro! No ano passado os mais fiéi$$ tinham que ofertar 12 parcelas de R$ 1.000,00; no programa apresentado neste ano o valor é uma oferta única de R$ 8.500,00, e em troca bênçãos em todas as áreas da vida do ofertante pelo resto da sua vida. É pegar ou largar.

O que pensar disso tudo?

Eu penso na figura de Cristo, em Seus ensinos, em Sua vida. E até Ele foi profanado na pregação de hoje do Murdock/Malafaia, pois foi afirmado que Jesus era rico, com base em que havia um tesoureiro entre os doze. Ora, se Jesus era rico Ele mentiu ao dizer, em Lucas 9.58, que as raposas tinham covis, as aves dos céus ninhos, mas o Filho do Homem não tinha sequer onde recostar a cabeça. E também não dá para entender como alguém rico precisa apelar para uma moeda na barriga de um peixe para pagar seu imposto e o de um de seus discípulos.

No livro Zelota, a Vida e a Época de Jesus de Nazaré, do especialista em temas religiosos Reza Aslan, vemos:

“Aqui está o que sabemos sobre Nazaré no momento do nascimento de Jesus: havia pouco lá para um carpinteiro fazer. Isto é, afinal, o que a tradição diz ser a ocupação de Jesus: um tekton – um carpinteiro ou construtor -, embora valha a pena mencionar que há apenas um versículo em todo o Novo Testamento em que é feita essa afirmação sobre ele (Marcos 6:3). Se essa afirmação é verdadeira, então, como trabalhador artesanal e diarista, Jesus teria pertencido à classe mais baixa de camponeses na Palestina do século I, um pouco acima do indigente, do mendigo e do escravo.” – pág. 59

Pois é, para adequar Jesus aos propósitos da Teologia da Prosperidade vale até dizer que era rico, mesmo que o Novo Testamento traga muitos relatos que discordam dessa visão.

É com muita tristeza que mais uma vez escrevo sobre esse assunto, ciente de que terei que escrever ainda muitas outras vezes, pois com certeza há outros programas gravados ou a gravar com os (im)pastores Mike Murdock e Morris Cerullo, além de Silas Malafaia, que talvez não diga da própria boca os impropérios que seus colegas americanos não se acanham em dizer, mas os aceita a todos e ainda lucra muito com isso.

Pobres ovelhas as que ainda acreditam em pastores pelo belo terno que vestem (mesmo repetido), ou por sua bela retórica, ou posição social avantajada. O Verdadeiro Pastor tem cheiro de ovelha e não precisa deturpar a Palavra para que ela se encaixe em seus (ou nossos?) interesses pessoais.

Fiquemos com uma passagem de 1 Timóteo que penso que nunca ouvirei sendo pregada por im(pastores) como Malafaia, Murdock ou Cerullo (e outros mais Brasil e mundo afora):

“Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, Perversas contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.” – 1 Timóteo 6:3-11

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Morre em Londres, aos 82 anos, o sociólogo jamaicano Stuart Hall


Considerado o pai do multiculturalismo, o sociólogo jamaicano Stuart Hall faleceu hoje aos 82 anos. A notícia foi noticiada nesta segunda-feira, dia 10 de fevereiro de 2014. Hall cresceu em Kingston, Jamaica, estudou em Oxford e tornou-se um dos sociólogos mas importantes em língua inglesa, responsável por teorizar sobre o campo cultural. No Brasil, um de seus livros mais conhecidos e utilizados nos cursos de ciências humanas se chama “A Identidade Cultural na Pós-Modernidade”, lançado pela DP&A editora. Em 2013, Hall foi levado para o cinema, no documentário The Stuart Hall Project. A morte de Hall foi anunciada pelo jornal “The Voice”. Mais informações aqui. 

Um dos principais teóricos do multiculturalismo, o sociólogo Stuart Hall morreu nesta segunda-feira, aos 82 anos. Nascido na Jamaica em 1932 e radicado na Inglaterra desde os anos 1950, ele foi um dos pioneiros do campo de pesquisas que ficou conhecido como "estudos culturais". A causa da morte não foi divulgada.
Hall tinha na própria biografia um exemplo eloquente de suas teses. Nascido em 1932 em Kingston, capital da Jamaica, em uma família negra de classe média, ele se mudou para a Inglaterra nos anos 1950 para escapar das tensões raciais e do peso do colonialismo britânico em seu país natal. Mas nunca se sentiu totalmente em casa na terra que adotou: “Não sou inglês e nunca serei. Vivi uma vida de deslocamento parcial”, disse em entrevista recente ao jornal “The Guardian”. Foi desse ponto de vista “deslocado” que Hall influenciou decisivamente os debates sobre identidade, raça, gênero e cultura ao longo de mais de cinco décadas.
Hall desembarcou na Inglaterra em 1951, com uma bolsa de estudos para a Universidade de Oxford. A sensação de deslocamento no novo ambiente fez com que o recém-chegado mergulhasse nas comunidades de migrantes que cresciam no pós-guerra e nos debates sobre o futuro da esquerda. Colaborou com as primeiras edições da revista “Universities and Left Review”, que em 1960 se fundiu com outro veículo para formar a “New Left Review”. Hall foi editor e um dos fundadores da publicação, voz influente nos principais debates políticos da segunda metade do século XX.
Em 1964, Hall foi o primeiro pesquisador convidado para o recém-criado Centro para Estudos Culturais Contemporâneos da Universidade de Birmingham, na Inglaterra. Em 1972, ele se tornaria diretor do departamento. Lá, ajudou a moldar um campo de pesquisas emergente, que procurava construir uma abordagem interdisciplinar da cultura mesclando áreas como sociologia, antropologia, filosofia, crítica literária, linguística e teoria política. Para Hall, a cultura, mais do que um conjunto de referências estéticas ou históricas de determinado grupo humano, era “ponto crítico de ação e intervenção social, no qual relações de poder são estabelecidas e potencialmente desestabilizadas”.
Com esse olhar, Hall analisou em seus ensaios temas variados como cultura popular, mídia, marxismo e a situação de comunidades de imigrantes em sociedades pós-coloniais. Foi um analista agudo dos efeitos do colonialismo no mundo contemporâneo e um intérprete sempre atento às representações estereotipadas de culturas ditas “periféricas” em tempos de globalização.
Em seis décadas de carreira, Hall publicou sobretudo ensaios em revistas acadêmicas e veículos de imprensa. Dava mais importância ao trabalho coletivo, editando publicações com expoentes dos estudos culturais. Essa concepção colaborativa do conhecimento se refletiu em sua decisão de, a partir de 1979, dar aulas na Open University, dedicada ao ensino e à pesquisa à distância. Foi professor lá até 1997, quando se aposentou.
Apesar da aposentadoria, continuou suas atividades públicas na Inglaterra e no exterior, onde seu trabalho tinha repercussão crescente. Esteve no Brasil em 2000 para uma série de conferências e teve traduzida a coletânea de ensaios “Da diáspora — Identidades e mediações culturais” (Editora UFMG, organização de Liv Sovik) e o livro “A identidade cultural na pós-modernidade” (DP&A Editora).
Continuou também a ser uma voz ativa na política britânica. Em 2011, o primeiro-ministro do Reino Unido David Cameron afirmou em um discurso em Munique, na Alemanha, que “o multiculturalismo do Estado” falhou e que a Inglaterra precisava fortalecer sua identidade nacional para combater ameaças externas. Em entrevista ao jornal “The Guardian” meses mais tarde, Hall se mostrou reticente quanto aos rumos do país. “Politicamente, estou mais pessimista do que nos últimos 30 anos”, ele disse, acusando a esquerda de “falta de ideias”.
Tema de documentário
Nos últimos meses, Hall estava retirado da vida pública devido a problemas de saúde, principalmente em consequência de uma insuficiência renal. Mas seu pensamento se manteve influente, como demostrou o documentário britânico “The Stuart Hall project”, exibido no Festival do Rio no ano passado. Dirigido por John Akomfrah, o filme mistura memórias de Hall com depoimentos de intelectuais que destacam a relevância de sua obra. A certa altura, Hall faz um resumo irônico de seu interesse de toda a vida em questões de identidade e imigração: “Hoje em dia, quando pergunto a uma pessoa de onde ela vem, espero ouvir uma longa história”.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Os pilantras nesse pais usam gravatas e têm doutorado

Esse é o caso do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Ele faz a MERDA aqui no Brasil e depois "Foge". 

Dois ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se manifestaram nesta quinta-feira (5) sobre a inviabilidade do pedido de extradição do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato da Itália. Pizzolato foi preso por uso de passaporte falsonesta quarta em Maranello (a 322 km de Roma), no norte da Itália.
O ministro Celso de Mello, decano da Corte, chegou a dizer que um eventual pedido seria "inócuo" e "juridicamente inviável". O magistrado explica que e as leis italianas proíbem a extradição de nacionais. Pizzolato, condenado no julgamento do mensalão, possui cidadania do país.
"É uma medida absolutamente inócua. Inócua porque se sabe por antecipação, com base na própria legislação italiana, qual será a resposta das autoridades daquele país", disse.
Já o ministro Marco Aurélio Mello acredita que possível indiciamento de Henrique Pizzolato na Itália poderia dificultar ainda a situação. "Foi preso e, pelo que ouvi, por um crime praticado na Itália", afirmou o ministro. "Agora, se tem mais um argumento [contra a extradição]: a necessidade de ele responder pela prática criminosa que teria cometido", explicou.
Apesar da posição do decano Celso de Mello, a PGR (Procuradoria-Geral da República) divulgou uma nota na tarde desta quarta dizendo que irá pedir a extradição de Pizzolato. O Ministério Público justifica a medida dizendo que há brechas legais que poderiam viabilizar a extradição.
No tratado de extradição entre o Brasil e a Itália consta que o Estado não está "obrigado" a entregar um nacional. Por isso, na visão da PGR, se tiver interesse, o governo italiano pode, sim, entregar Pizzolato.
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) afirmou que o Brasil pedirá a extradição do ex-diretor.
Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão pelo STF por seu envolvimento com o esquema do mensalão, Pizzolato é considerado foragido da Justiça brasileira desde novembro do ano passado, quando não se entregou após a expedição do mandado de sua prisão.
Em relação ao trâmite para um pedido de extradição, Celso de Mello disse que não cabe ao STF dar encaminhamento ao processo. Segundo ele, cabe ao Executivo e ao Ministério Público proceder com o pedido, que será entregue ao governo Italiano através do Ministério das Relações Exteriores.
"Juiz estrangeiro ou tribunal estrangeiro não dispõe de legitimidade para formular pleitos extradicionais uma vez que o processo de extradição supõe uma relação intergovernamental. Então, é de Estado para Estado e não de órgãos internos de um certo Estado em relação ao outro. No caso, se coubesse pedido de extradição, deveria ser formulado pelo Estado brasileiro", pontuou.