sábado, 15 de fevereiro de 2014

Entendendo o hino nacional

1. Ouviram do Ipiranga às margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante

As margens plácidas do (rio) Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico. 
Plácido quer dizer calmo. Dom Pedro I vinha de Santos, ao longo do rio Ipiranga, quando tomou a corajosa decisão de declarar a independência do Brasil.
Brado é grito. Retumbante é estrondoso, barulhento, para fazer um contraste com a placidez das margens. 
Poderíamos parafrasear (escrever de outra forma) este verso assim: As margens calmas do rio Ipiranga ouviram o grito estrondoso de um herói (Dom Pedro I), que representava todo o povo brasileiro. 
O riacho Ipiranga nasce junto ao Zoológico de S. Paulo. Era de costume na época inverterem-se as frases à moda latina. 
2. E o sol da liberdade em raios fúlgidos
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Fúlgido significa brilhante.
Mas não dava prá dizer: "raios brilhantes brilhavam" porque iria parecer repetitivo e pobre. O grito de "Independência ou Morte" transformava uma nação colonial, dependente de Portugal, em um novo país autônomo e livre. Duque Estrada compara a liberdade a um sol brilhante que ilumina o céu (Pátria), antes obscurecida pelo colonialismo. 
3. Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Penhor equivale a garantia, segurança. É comum a gente penhorar algo de valor (em troca de dinheiro) e receber um papel que garanta a recuperação daquilo que foi penhorado. O Brasil passou a ser independente e, portanto, conquistou o penhor da igualdade, ou seja, daquele momento em diante, Portugal e Brasil eram nações iguais, sem que uma fosse superior à outra. E a frase continua, dizendo: o nosso peito desafia a própria morte. 

Simplificando: agora que o povo brasileiro conquistou seu passe para a liberdade, através de sua força e coragem, inspirado nesta nova liberdade não hesitará em enfrentar a própria morte (isto é, se tiver de lutar e morrer, o povo não sentirá medo). A frase pode ser reescrita assim: através de nossa coragem conquistamos uma igualdade de condição com quem antes era nosso colonizador e, para manter esta situação de liberdade, estamos prontos a sacrificar a própria vida. 

4. Ó Pátria Amada,
Idolatrada
Salve! salve!

Idolatrar é transformar algo ou alguém em ídolo, como se costuma fazer com artistas de modo geral. Salve equivale a uma saudação. Originalmente se dizia; "Deus te salve!" 

5. Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu risonho e límpido
A imagem do Cruzeiro resplandece!

Vívido é intenso, ardente, vivo. Formoso é belo. Límpido significa transparente, claro. Resplandecer equivale a brilhar ou luzir intensamente. Aqui o poeta compara o Brasil a um sonho intenso, porque ainda tem muito a realizar. Sabe-se que o Cruzeiro do Sul é uma constelação que aparece no céu do Brasil. Ela tem a forma de cruz, que nos lembra Jesus Cristo e as práticas cristãs. Portanto, vamos refazer os versos para entender o sentido: O Brasil é como um sonho intenso e, já que em nosso céu límpido a cruz de Cristo resplandece, desta cruz desce um raio brilhante que ilumina o Brasil. Ou seja, o Brasil está sob o amparo e a proteção de Cristo. 

6. Gigante pela própria natureza
És belo, és forte impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Se você olhar o mapa mundial, vai notar que o Brasil é o quinto maior país do mundo (depois de Rússia, Canadá, Estados Unidos e China). Com mais de 8.500.000 de Km2, o Brasil é naturalmente gigantesco.
Note que às vezes os poetas têm o costume de falar diretamente com as coisas, como se elas fossem pessoas: "és belo, és forte..."
Impávido significa sem medo: destemido, corajoso. Colosso é uma pessoa ou objeto de tamanho muito grande.
Vamos reescrever a frase: Tu (Brasil), és belo, forte e, graças ao tamanho imenso que a natureza te deu, não tens medo de nada. Além disso, a tua grandeza de hoje vai se revelar no futuro. 

7. Terra adorada, entre outras mil,
És tu Brasil, ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

Este trecho é mais fácil de se entender, embora também utilize algumas inversões:
Brasil, tu és nossa terra adorada e te escolhemos entre outras mil terras; tu és nossa pátria amada, mãe gentil (carinhosa) dos filhos deste solo (de nós, brasileiros). 

8. Deitado eternamente em berço esplêndido
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Esplêndido é maravilhoso, deslumbrante. Fulgurar é brilhar, resplandecer. Também pode significar distinguir-se ou sobressair (entre outros). Florão é uma decoração bonita e grande em forma de flor.
A idéia que Duque Estrada quer transmitir é a de que a localização geográfica do Brasil é mesmo muito privilegiada: as montanhas, as matas, os rios, toda a natureza formam a imagem de um berço (porque, além do mais, o Brasil, uma nação que se tornara recentemente independente, era como um imenso país recém-nascido). 
"Ao som do mar", porque temos um litoral vasto com belíssimas praias; "e à luz do céu profundo", isto é, ensolarado, típico dos trópicos. 
O "sol do Novo Mundo" coloca o Brasil mais uma vez como uma nação jovem e promissora. O velho mundo (Europa) conquistou e colonizou o novo mundo (América). 
Vamos reescrever: Brasil, tu possuis uma localização espetacular, com uma natureza rica, muito mar e sol. Por isso, entre outras nações da América (Novo Mundo), tu te destacas como um florão. 

9. Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos têm mais flores,
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio, "mais amores".
Garrida é colorida, alegre, vistosa.

Teus risonhos lindos campos têm mais flores do que a terra mais garrida (vistosa). Ou seja, nossa natureza é mais colorida e bela que a de outras terras. 
Nossos bosques têm mais vida (mais beleza e vitalidade). 
Nossa vida, em teu seio (dentro de ti, Brasil), mais amores. 
Equivale a dizer que nós, brasileiros, por vivermos no Brasil, somos mais capazes de amar. 
As aspas são usadas por Duque Estradas no original, pois representam citações dos versos de Gonçalves Dias em "Canção do Exílio":

Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o sabiá... 
...Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas varzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores. 
10. "Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve! Salve!

Idolatrar é transformar algo ou alguém em ídolo, como se costuma fazer com artistas de modo geral. 
Salve equivale a uma saudação. Originalmente se dizia: "Deus te salve!" 

11. Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
Ostentar é mostrar com orgulho.

Um lábaro era um estandarte muito usado pelos romanos e aqui está representado por nossa bandeira, repleta de estrelas. O poeta compara a bandeira a um estandarte e deseja que ele represente o amor eterno. 
O verso está invertido. Deve-se ler: Brasil, o lábaro que ostentas estrelado seja símbolo de amor eterno. 
O poeta está tentando dizer: tomara que as estrelas da tua bandeira sejam símbolo de amor eterno. 

12. E diga ao verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.

Flâmula aqui, é sinônimo de bandeira. O louro é uma planta. Com seus galhos e folhas os imperadores romanos eram coroados. Portanto, simboliza poder e glória. Mais uma vez, vamos olhar para a bandeira. Duque Estrada torce para que o louro da bandeira simbolize um poder que venceu batalhas gloriosas no passado, quando isso foi necessário para se conseguir a independência, mas só deseja paz daquele momento em diante, pois o verde, além da esperança, também simboliza a paz. 

13. Mas se ergues da justiça a clava forte
Verás que o filho teu não foge à luta,
Nem teme quem te adora a própria morte.

Clava é um pedaço de pau pesado (mais grosso numa ponta que na outra), que era usado como arma. 
Vimos que, no verso anterior, o poeta sonha com a paz no futuro. 
De repente, entretanto, este novo verso diz: mas se ergues (levantas) a clava forte da justiça, ou seja, se o país tiver de lutar contra a injustiça, verás que um brasileiro (filho teu) não foge à luta (enfrenta a guerra). 
E quem te adora não teme nem a própria morte, quer dizer, os brasileiros adoram tanto o seu país que seriam capazes de sacrificar suas próprias vidas para defendê-lo. 

14. Terra adorada, entre outras mil,
És tu, Brasil, ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria Amada, Brasil!

Este trecho é mais fácil de se entender, embora também utilize algumas inversões: Brasil, tu és nossa terra adorada e te escolhemos entre outras mil terras; tu és nossa pátria amada, mãe gentil (carinhosa) dos filhos deste solo (de nós, brasileiros). 

Fonte: Wayne Tobelem dos Santos

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O show gospel tem que parar: negociantes de Deus, Fora!!!!!!!!



Ainda não haviamos registrado uma ação de tamanho desrespeito para com o povo de Deus. 

No dia 01 de fevereiro de 2014, vemos mais uma vez o “Dr.” Mike Murdock no programa televisivo do Pr. Silas Malafaia.
 E o que há de novo nisso?
Nada. Nada mesmo!


Já no início chama a atenção a camisa do “Dr.” Murdock, listrada em tons de verde. Ué, já vi essa camisa em algum lugar… Ah, lembrei! Ele usava uma camisa igualzinha no programa que foi ao ar em 05/01/2013, aquele programa onde dizia que tinha um livro que tinha superpoderes, o tal d’O Desígnio. Aquele programa onde, ao final, pedia uma oferta de R$ 1.000,00 em troca de visitação do Espírito Santo (vendendo literalmente a santa presença de Deus) e dinheiro.
Mas olhando bem… Não apenas o Murdock usa, em 2014, as mesmas roupas que usava em 2013. O Malafaia e o intérprete Gidalti Alencar também usam as mesmíssimas roupas de um ano antes!!!

Ou houve uma gigantesca coincidência, ou os dois programas foram gravados no mesmo dia, em 2012 ou 2013. Como não acredito em coincidências gigantescas, fica claro que o Murdock gravou dois programas no mesmo dia, com mensagens parecidas (apenas com o “livro poderoso” diferente) e o Malafaia guardou um para esse ano.

Isso não seria um grande problema se as tais falas do Murdock não fossem dadas com falso tom profético. O tal “dr.” costuma fazer uma pregação apelativa, usando de métodos de autoajuda misturada com versículos bíblicos fora do contexto para justificar sua Teologia da Prosperidade. E, no final, de forma falsamente inspirada diz que quem oferta certa quantidade vai ter certas bênçãos especiais. Ora, se gravou dois programas no mesmo dia, como teve inspiração para pedidos de oferta com bênçãos relacionadas diferentes para anos diferentes?

Isso, por si só, denota que os pedidos de oferta com bênçãos relacionadas são invenções humanas, não de Deus. Murdock e Malafaia (e Morris Cerullo também) estão intimamente mancomunados na fabricação de apelos para angariar fundos para seus ministérios. E isso nada tem a ver com revelações de Deus.

Bom, as roupas dos (im)pastores eram as mesmas em 2013 e 2014, e claro, o discurso também era o mesmo. Na edição 2014 Murdock começa falando de seu pai, um santo homem que orava de 4 a 10 horas todos os dias, mas mesmo assim não tinha dinheiro. “Eu não queria servir um Deus que fazia as pessoas pobres”, falou Mike Murdock a respeito do Deus que seu pai servia. Porém Murdock (e Malafaia, que apóia toda a papagaiada do seu colega americano) esquece-se que Jesus rejeitou todas as riquezas e poder oferecidos pelo deus deste mundo, quando dos seus quarenta dias no deserto. Jesus também dizia dos pobres e humildes que eram “bem-aventurados”, e isso Ele não disse sobre os ricos e poderosos. Ao jovem rico, Jesus disse que vendesse tudo, doasse aos pobres e só então O seguisse; Zaqueu entendeu a mensagem e não apenas restituiu com altos juros a quem tinha defraudado, como também deu metade do que lhe restou aos pobres. Ainda sobre os ricos, Jesus disse que é muito difícil, quase impossível, um rico entrar no Reino dos Céus, associando à dificuldade de um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Ora, se a riqueza torna tão difícil alguém ser salvo, por quê alguns que se dizem cristãos anseiam tanto por ela?

“Eu não queria servir um Deus que fazia as pessoas pobres”. Malafaia e Murdock querem servir ao deus que faz as pessoas ricas. Ele está na Bíblia, e tem até nome: Mamom. Se Jesus, no deserto, respondeu “não” a essa proposta, esses (im)pastores dizem “sim” com toda a alegria do mundo, afinal é no mundo que colherão sua recompensa financeira.

Na introdução do programa, o Malafaia diz: “a questão não é você ouvir, é você obedecer à instrução”. A princípio, apenas mais do mesmo. Porém, no decorrer do programa percebe-se que esse é o centro da pregação: a obediência às instruções. Ora, o Malafaia então já sabia de antemão sobre o que o Murdock ia falar? Sim, sabia.
Usando o exemplo de seu pai, Murdock diz que nunca ora por finanças, pois é perda de tempo. Seu pai mesmo orava horas e horas e não tinha dinheiro nenhum. Segundo Murdock, “a maioria dos intercessores que conheci não têm dinheiro; muitas pessoas trabalham sem sabedoria”. Em outras palavras: não perca tempo orando, isso não dá dinheiro.

Para Murdock, o que traz dinheiro nem é amar a Deus, mas entender as leis de Deus. Como exemplo citou Donald Trump, que segundo ele não é do tipo que aparenta ser santo, de oração, mas é milionário. Para Murdock e Malafaia mais vale um incrédulo rico que um santo pobre.

E aí o Murdock usa, pela primeira vez, a Bíblia (mal usada, mas usa): invoca o Salmo 112 como aquele com a mais poderosa “aliança financeira” para com Deus. Diz até que, em homenagem a esse salmo, todo domingo dá uma oferta de 112 dólares. É numerologia gospel da brava.

E agora entra a tal “obediência às instruções” que o Malafaia citou lá na introdução da mensagem. O Salmo 112 diz no primeiro versículo sobre quem tem prazer nos mandamentos de Deus, que Murdock nomeia como “instruções”. As instruções seriam as ordens dos líderes eclesiásticos e as ordens dos patrões ou chefes, que devem ser obedecidas imediata e totalmente, e caso isso ocorra Deus tem que fazer a pessoa prosperar.

“Não ame a Deus. Você pode ter um filho que te ama e não ama suas instruções”. O segredo do sucesso nas finanças, segundo Murdock, é obedecer às instruções dadas (por ele, é claro) tão somente. Essa lição é muito importante, afinal no final da mensagem haverá um apelo financeiro que precisa ser obedecido pelo maior número de telespectadores, com o fim de aumentar os recursos dos impérios religioso-midiáticos de Silas Malafaia e Mike Murdock.

Se em 2013 quem ofertasse ganhava O Desígnio, em 2014 o livro da vez é 31 Razões Porque as Pessoas Não Recebem Sua Colheita Financeira (lembrando que ambos os programas foram gravados no mesmo dia, mas já havia o planejamento para que tal livro fosse lançado em 2014 aqui no Brasil pela editora do Malafaia). O assunto de ambos, é óbvio, é a busca por sucesso financeiro.

“Eu faço negócios com Deus. Deus faz negócios através de mim”. Será?

Há muito mais a se falar, mas vamos pular para as tais 4 dicas  para nunca perder o emprego, o mote da propaganda que o Malafaia tem feito a semanas sobre o programa de hoje. Adivinha o teor das dicas?

Se disse obediência às instruções, acertou:

- Você nunca vai precisar repetir uma instrução (pois será obedecida na hora);

- Eu termino toda a instrução que recebo;

- Eu concordo com qualquer pessoa na equipe;

- Serei a pessoa mais fácil para você corrigir.

Agora leve essas “instruções” do mundo corporativo para o mundo eclesiástico, e veja que belo rebanho manipulável por líderes inescrupulosos nós teremos!

A propósito, estamos em ano de eleições. Aceite as “instruções” do seu pastor (se for do Malafaia melhor ainda, pois a unção dele é maior) para eleger quem “deus” indicou para estar no poder, e fique com as promessas de bênçãos financeiras a perder de vista…

Bom, após toda essa tentativa de lavagem cerebral gospel, chega a hora do apelo financeiro. No ano passado foi R$ 1.000,00 parcelados em 10 vezes; em 2014, 12 parcelinhas de R$ 58,00 para quem quer receber milagres de qualquer tipo e um emprego novo, claro! No ano passado os mais fiéi$$ tinham que ofertar 12 parcelas de R$ 1.000,00; no programa apresentado neste ano o valor é uma oferta única de R$ 8.500,00, e em troca bênçãos em todas as áreas da vida do ofertante pelo resto da sua vida. É pegar ou largar.

O que pensar disso tudo?

Eu penso na figura de Cristo, em Seus ensinos, em Sua vida. E até Ele foi profanado na pregação de hoje do Murdock/Malafaia, pois foi afirmado que Jesus era rico, com base em que havia um tesoureiro entre os doze. Ora, se Jesus era rico Ele mentiu ao dizer, em Lucas 9.58, que as raposas tinham covis, as aves dos céus ninhos, mas o Filho do Homem não tinha sequer onde recostar a cabeça. E também não dá para entender como alguém rico precisa apelar para uma moeda na barriga de um peixe para pagar seu imposto e o de um de seus discípulos.

No livro Zelota, a Vida e a Época de Jesus de Nazaré, do especialista em temas religiosos Reza Aslan, vemos:

“Aqui está o que sabemos sobre Nazaré no momento do nascimento de Jesus: havia pouco lá para um carpinteiro fazer. Isto é, afinal, o que a tradição diz ser a ocupação de Jesus: um tekton – um carpinteiro ou construtor -, embora valha a pena mencionar que há apenas um versículo em todo o Novo Testamento em que é feita essa afirmação sobre ele (Marcos 6:3). Se essa afirmação é verdadeira, então, como trabalhador artesanal e diarista, Jesus teria pertencido à classe mais baixa de camponeses na Palestina do século I, um pouco acima do indigente, do mendigo e do escravo.” – pág. 59

Pois é, para adequar Jesus aos propósitos da Teologia da Prosperidade vale até dizer que era rico, mesmo que o Novo Testamento traga muitos relatos que discordam dessa visão.

É com muita tristeza que mais uma vez escrevo sobre esse assunto, ciente de que terei que escrever ainda muitas outras vezes, pois com certeza há outros programas gravados ou a gravar com os (im)pastores Mike Murdock e Morris Cerullo, além de Silas Malafaia, que talvez não diga da própria boca os impropérios que seus colegas americanos não se acanham em dizer, mas os aceita a todos e ainda lucra muito com isso.

Pobres ovelhas as que ainda acreditam em pastores pelo belo terno que vestem (mesmo repetido), ou por sua bela retórica, ou posição social avantajada. O Verdadeiro Pastor tem cheiro de ovelha e não precisa deturpar a Palavra para que ela se encaixe em seus (ou nossos?) interesses pessoais.

Fiquemos com uma passagem de 1 Timóteo que penso que nunca ouvirei sendo pregada por im(pastores) como Malafaia, Murdock ou Cerullo (e outros mais Brasil e mundo afora):

“Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, Perversas contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.” – 1 Timóteo 6:3-11

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Morre em Londres, aos 82 anos, o sociólogo jamaicano Stuart Hall


Considerado o pai do multiculturalismo, o sociólogo jamaicano Stuart Hall faleceu hoje aos 82 anos. A notícia foi noticiada nesta segunda-feira, dia 10 de fevereiro de 2014. Hall cresceu em Kingston, Jamaica, estudou em Oxford e tornou-se um dos sociólogos mas importantes em língua inglesa, responsável por teorizar sobre o campo cultural. No Brasil, um de seus livros mais conhecidos e utilizados nos cursos de ciências humanas se chama “A Identidade Cultural na Pós-Modernidade”, lançado pela DP&A editora. Em 2013, Hall foi levado para o cinema, no documentário The Stuart Hall Project. A morte de Hall foi anunciada pelo jornal “The Voice”. Mais informações aqui

Um dos principais teóricos do multiculturalismo, o sociólogo Stuart Hall morreu nesta segunda-feira, aos 82 anos. Nascido na Jamaica em 1932 e radicado na Inglaterra desde os anos 1950, ele foi um dos pioneiros do campo de pesquisas que ficou conhecido como "estudos culturais". A causa da morte não foi divulgada.
Hall tinha na própria biografia um exemplo eloquente de suas teses. Nascido em 1932 em Kingston, capital da Jamaica, em uma família negra de classe média, ele se mudou para a Inglaterra nos anos 1950 para escapar das tensões raciais e do peso do colonialismo britânico em seu país natal. Mas nunca se sentiu totalmente em casa na terra que adotou: “Não sou inglês e nunca serei. Vivi uma vida de deslocamento parcial”, disse em entrevista recente ao jornal “The Guardian”. Foi desse ponto de vista “deslocado” que Hall influenciou decisivamente os debates sobre identidade, raça, gênero e cultura ao longo de mais de cinco décadas.
Hall desembarcou na Inglaterra em 1951, com uma bolsa de estudos para a Universidade de Oxford. A sensação de deslocamento no novo ambiente fez com que o recém-chegado mergulhasse nas comunidades de migrantes que cresciam no pós-guerra e nos debates sobre o futuro da esquerda. Colaborou com as primeiras edições da revista “Universities and Left Review”, que em 1960 se fundiu com outro veículo para formar a “New Left Review”. Hall foi editor e um dos fundadores da publicação, voz influente nos principais debates políticos da segunda metade do século XX.
Em 1964, Hall foi o primeiro pesquisador convidado para o recém-criado Centro para Estudos Culturais Contemporâneos da Universidade de Birmingham, na Inglaterra. Em 1972, ele se tornaria diretor do departamento. Lá, ajudou a moldar um campo de pesquisas emergente, que procurava construir uma abordagem interdisciplinar da cultura mesclando áreas como sociologia, antropologia, filosofia, crítica literária, linguística e teoria política. Para Hall, a cultura, mais do que um conjunto de referências estéticas ou históricas de determinado grupo humano, era “ponto crítico de ação e intervenção social, no qual relações de poder são estabelecidas e potencialmente desestabilizadas”.
Com esse olhar, Hall analisou em seus ensaios temas variados como cultura popular, mídia, marxismo e a situação de comunidades de imigrantes em sociedades pós-coloniais. Foi um analista agudo dos efeitos do colonialismo no mundo contemporâneo e um intérprete sempre atento às representações estereotipadas de culturas ditas “periféricas” em tempos de globalização.
Em seis décadas de carreira, Hall publicou sobretudo ensaios em revistas acadêmicas e veículos de imprensa. Dava mais importância ao trabalho coletivo, editando publicações com expoentes dos estudos culturais. Essa concepção colaborativa do conhecimento se refletiu em sua decisão de, a partir de 1979, dar aulas na Open University, dedicada ao ensino e à pesquisa à distância. Foi professor lá até 1997, quando se aposentou.
Apesar da aposentadoria, continuou suas atividades públicas na Inglaterra e no exterior, onde seu trabalho tinha repercussão crescente. Esteve no Brasil em 2000 para uma série de conferências e teve traduzida a coletânea de ensaios “Da diáspora — Identidades e mediações culturais” (Editora UFMG, organização de Liv Sovik) e o livro “A identidade cultural na pós-modernidade” (DP&A Editora).
Continuou também a ser uma voz ativa na política britânica. Em 2011, o primeiro-ministro do Reino Unido David Cameron afirmou em um discurso em Munique, na Alemanha, que “o multiculturalismo do Estado” falhou e que a Inglaterra precisava fortalecer sua identidade nacional para combater ameaças externas. Em entrevista ao jornal “The Guardian” meses mais tarde, Hall se mostrou reticente quanto aos rumos do país. “Politicamente, estou mais pessimista do que nos últimos 30 anos”, ele disse, acusando a esquerda de “falta de ideias”.
Tema de documentário
Nos últimos meses, Hall estava retirado da vida pública devido a problemas de saúde, principalmente em consequência de uma insuficiência renal. Mas seu pensamento se manteve influente, como demostrou o documentário britânico “The Stuart Hall project”, exibido no Festival do Rio no ano passado. Dirigido por John Akomfrah, o filme mistura memórias de Hall com depoimentos de intelectuais que destacam a relevância de sua obra. A certa altura, Hall faz um resumo irônico de seu interesse de toda a vida em questões de identidade e imigração: “Hoje em dia, quando pergunto a uma pessoa de onde ela vem, espero ouvir uma longa história”.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Os pilantras nesse pais usam gravatas e têm doutorado

Esse é o caso do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Ele faz a MERDA aqui no Brasil e depois "Foge". 

Dois ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se manifestaram nesta quinta-feira (5) sobre a inviabilidade do pedido de extradição do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato da Itália. Pizzolato foi preso por uso de passaporte falsonesta quarta em Maranello (a 322 km de Roma), no norte da Itália.
O ministro Celso de Mello, decano da Corte, chegou a dizer que um eventual pedido seria "inócuo" e "juridicamente inviável". O magistrado explica que e as leis italianas proíbem a extradição de nacionais. Pizzolato, condenado no julgamento do mensalão, possui cidadania do país.
"É uma medida absolutamente inócua. Inócua porque se sabe por antecipação, com base na própria legislação italiana, qual será a resposta das autoridades daquele país", disse.
Já o ministro Marco Aurélio Mello acredita que possível indiciamento de Henrique Pizzolato na Itália poderia dificultar ainda a situação. "Foi preso e, pelo que ouvi, por um crime praticado na Itália", afirmou o ministro. "Agora, se tem mais um argumento [contra a extradição]: a necessidade de ele responder pela prática criminosa que teria cometido", explicou.
Apesar da posição do decano Celso de Mello, a PGR (Procuradoria-Geral da República) divulgou uma nota na tarde desta quarta dizendo que irá pedir a extradição de Pizzolato. O Ministério Público justifica a medida dizendo que há brechas legais que poderiam viabilizar a extradição.
No tratado de extradição entre o Brasil e a Itália consta que o Estado não está "obrigado" a entregar um nacional. Por isso, na visão da PGR, se tiver interesse, o governo italiano pode, sim, entregar Pizzolato.
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) afirmou que o Brasil pedirá a extradição do ex-diretor.
Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão pelo STF por seu envolvimento com o esquema do mensalão, Pizzolato é considerado foragido da Justiça brasileira desde novembro do ano passado, quando não se entregou após a expedição do mandado de sua prisão.
Em relação ao trâmite para um pedido de extradição, Celso de Mello disse que não cabe ao STF dar encaminhamento ao processo. Segundo ele, cabe ao Executivo e ao Ministério Público proceder com o pedido, que será entregue ao governo Italiano através do Ministério das Relações Exteriores.
"Juiz estrangeiro ou tribunal estrangeiro não dispõe de legitimidade para formular pleitos extradicionais uma vez que o processo de extradição supõe uma relação intergovernamental. Então, é de Estado para Estado e não de órgãos internos de um certo Estado em relação ao outro. No caso, se coubesse pedido de extradição, deveria ser formulado pelo Estado brasileiro", pontuou.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Lanna Holder - famosa missionária evangélica se declarae lésbica e oficializa casamento.



Holder é pastora da igreja
igreja inclusiva Comunidade Cidade de Refúgio
A primeira igreja "cristã" brasileira dirigida por um casal de lésbicas e orientada para o público LGBT

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estará bem assessorada com Delúbio Soares. Parabéns Trabalhadores!!! Têm que levar é "ferro" mesmo para aprenderem a votar...

Delúbio Soares saiu da prisão pela primeira vez desde que se entregou à Polícia Federal há pouco mais de dois meses. Por volta de oito horas da manhã da segunda-feira, 20 de janeiro, o ex-tesoureiro do PT chegou ao escritório da Central Única dos Trabalhadores, em Brasília, onde deve atuar como assessor da direção nacional da entidade e receberá um salário de R$ 4,5 mil. Condenado a 6 anos e 8 meses de prisão, Delúbio poderá trabalhar durante o dia, de segunda a sexta-feira.

Delúbio começa a trabalhar na CUT em Brasília

Os bandidos que usam paletó estão no Governo no Acre diz divulgador da Telexfree

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

CINE TEATRO RECREIO - Acre


    

Cine Teatro Recreio foi instalado no prédio do extinto Cine Éden, Segundo Distrito, após passar por uma reforma quando foi feita a fachada em alvenaria que se manem até hoje. A inauguração se deu em 13 de junho de 1948.
Além de projeções cinematográficas o Cine Teatro Recreio era movimentado por companhias teatrais que chegavam de outros Estados bem como por iniciativas do teatro amador local, do qual destacamos, entre outros, nomes como Osvaldo Pinheiro de Lima e Garibalde Brasil.
As sessões do Cine Teatro Recreio eram, em geral, acompanhadas por outras atrações como apresentações da Banda de Música da Ex – Guarda Territorial nas inesquecíveis retratas. Um auto – falante nos altos do prédio entoava o “Cisne Branco” para avisar que a projeção estaria para começar.
O cine Teatro Recreio situava-se num complexo de diversões públicas do Segundo Distrito, juntamente com os Arrais da Igreja N. S. da Conceição, a sinuca do Hotel Madrid, as casas comerciais com suas vitrines sempre enfeitadas com as últimas novidades e os encontros no Bar Brotinho, sem falar dos bailes carnavalescos da Tentamen.

               Departamento de Patrimônio  Histórico e Cultural da Fundação Elias mansour

CINE TEATRO RECREIO
HISTÓRICO
                                                                                  Fátima Almeida

O antigo cinema do Segundo Distrito é patrimônio histórico por refletir ao longo de sua existência parte da história desta cidade. Nos remete ainda às influências e tendências do cinema mundial, de década por década, tendo contribuído grandemente para a informação e formação  de várias gerações pela inegável posição de “porta para o mundo”. O cinema do Segundo Distrito que recebeu nomes em meio século é uma referência de importância da memória social de Rio Branco.

OS PRIMEIROS ANOS

Na virada do século o cinema chega ao Brasil pelos irmãos Segretto. A primeira exibição pública da qual se tem notícia aconteceu à rua do Ouvidor, RJ, em junho de 1896.
Pouco tempo depois, no Acre, um também italiano, José Cicarelli teria projetado filmes em sua casa de diversões no Segundo Distrito. Mas, a primeira sala de projeções, de fato, foi instalada numa das casas da antiga rua do comércio, atual senador Assamar, numa época em que o Segundo Distrito constituía-se num pólo dinamizador  das atividades comerciais e culturais da capital do ex-território do Acre. Esse primeiro cinema, o Cine Ideal, teve uma pequena duração, nos idos de 1918 e 1919.
Em 1920, um pequeno grupo empresarial liderado pelo português Leonel Vinagre, compra o cinema e muda-lhe o nome para Cine Éden. O Cine Éden foi uma das mais arrojadas Casas de Espetáculos de que se tem notícia, promovendo por mais de duas décadas, recitais, consertos, projeções cinematográficas, peças teatrais e até conferências de interesse público.
Em 1924 o Cine Éden passa a funcionar no prédio do atual Cine Recreio, conforme o anúncio: “Éden, Cinema – conforme fora antecipadamente anunciado, realizou-se domingo último a inauguração do novo prédio dessa Casa de Diversão com estréia do majestoso filme, em oito partes, ATLANTIS, da fábrica dinamarquesa Nordinsk”. (Correio do Acre, 20.07.1924).
Em 1945 os sócios – proprietários da Sociedade Recreativa Tentamen tendo na direção Mário de Oliveira, compra o Cine Éden, submetendo-o à reforma pela qual o prédio foi dotado de uma fachada em alvenaria como se vê até hoje. A reabertura do cinema, sob novo nome, CINE TEATRO RECREIO, deu-se em 1948, com estréia do filme Gilda, em 13 de junho, data comemorativa do aniversário de fundação da cidade. (O ACRE, 13.06.1948).

NOS TEMPOS DO EDEN

Nas décadas de 20, 30 e 40, o principal meio de comunicação era o transporte fluvial. As projeções de cinema ficavam, portanto, condicionadas à demora entre remessa e a chegada de filmes, desde o porto de Recife, onde Leonel Vinagre estabeleceu intermediação, até esta capital. “Éden Cinema”: Aguardem os novos filmes chegados pela chata Uruguaiana”. (Folha do Acre, 20.01.1929)). Uma demora de três meses em média, não permitia a locação de filmes como hoje, que por isso eram comprados e revendidos, podendo formar às vezes verdadeiros estoques.
Quanto aos projetores eram importado, o que trazia problemas quanto à falta de peças de reposição.  Data de 1945 a aquisição de um projetor em 16 mm sendo que somente em 1945, o então Cine Recreio é dotado de um projetor em 35 mm sob a direção de Aref Jarud.
O Cine Éden ofereceu oportunidade ao florescente teatro e de música instrumental, a começar pelo fato de que o Cinema Mudo em toda parte fazia-se acompanhar por instrumentistas que obedeciam aos movimentos das imagens projetadas, sessão por sessão. A pequena orquestra do Cine Éden era regida por um pistonista. Plácido de Paiva Melo e por um pianista, Hilda Leite. A irregularidade nas projeções fosse por problemas técnicos, fosse pela demora das remessas, permitia a concorrência de companhias teatrais. Há quem afirme que a freqüência  ao teatro era, inclusive, muito maior que a do cinema. Davam-se ainda espetáculos circenses, pantomimas, arte ventríloqua, etc. Em 1928 o Jornal Folha do Acre, nunciou a exibição de Mário Letona,  peruano que executava música clássica em um serrote de carpinteiro. Mas isto era exceção, sendo o mais comum apresentação de música erudita, com um certo requinte. Em 1921, o filme BHOEMIA da obra de Musset, é exibido, em quatro atos,  acompanhado da orquestra “Voluntários da Lyra”, sendo que a todas essas partes de óperas e óperas cósmicas, Antônia Brandão interpretou com muita alma, surpreendendo a platéia com um argumento de vocalização, tonalidade de volume e extensão de voz”.  E ainda: “O Éden estava cheio, vendo-se ali sua excelência o Sr. Dr. Governador, altas autoridades e muitas famílias” (OACRE, 06.08.1921). Antonia Brandão, cantará, um ano depois “lindos trechos clássicos das operatas “traviata”, “Gioconda” e “Fausto”. O estreito vínculo entre o exercício de altos cargos públicos e a entrada pomposa em noites  de espetáculos condicionou  a freqüência em sessões elegantes e sessões populares. A polícia gozava de camarotes com lugares de honra, ostentando uma respeitabilidade como não se vê. Juizes assinavam portarias normativando com muita eficiência a freqüência  da casa e o exercício da censura era indispensável pois o próprio beijo surgiu nas telas muito depois. Apesar de ficarem restritos às sessões populares, os freqüentadores que exerciam ofícios de catraeiros, carpinteiros, carregadores, etc., gozavam também de respeitabilidade em geral, como pessoas honradas, de boas famílias, numa época em que todos conheciam-se, muito distante dos dias de hoje, em que trabalhadores não são mais pessoas com rosto e um nome e sim categorias, classe social, massa.
O cine que após 1926 passou a ser propriedade da empresa Moleiro Esteves não era tão somente uma casa de diversões com finalidade comercial. Contribuía regularmente com campanhas beneficentes: “Em benefício da Caixa Escolar, a pedido do diretor de Instrução Pública, a Empresa Moleiro e Esteves, na sexta-feira, 30 deste mês, às 9 horas da noite, realizará uma sessão cinematográfica em benefício da Caixa do Grupo Escolar “7 de Setembro” .  Será focalizado o filme “Via Crucis”, caixa escolar é a instituição benemérita que tem por finalidade a freqüência, fornecendo livros, etc., aos alunos  reconhecidamente pobres. A noite será abrilhantada pela banda de música da Força Policial”. (Folha do Acre, 27.09.1921). outro anúncio no (O Acre, 07.09.1921) “Concerto litero-musical em benefício da Santa Casa de Misericórdia do Acre”.  Em outro anuncio do (O Acre, 03.11.1929) “Dentro de brevidades com a próxima chegada da primeira remessa de filmes novos, será o EDEN CINEMA – THEATRO  reaberto ao público, com uma brilhante estréia. Estão, pois, fracamente de parabéns os admiradores da soberba arte moderna. Nota: a fração de 200 réis dos ingressos para as sessões elegantes corresponde ao imposto de caridade taxado pela Intendência Municipal”.
O cine projetava ainda o FOX – Jornal, uma espécie de revista dos principais acontecimentos mundiais em um ato.
Em julho de 1928 o cine Éden promove uma feira  de arte em benefício da estátua  a ser erguida em Fortaleza Ceará ao romancista José de Alencar. O monumento seria inaugurado um ano depois, o próprio governador Hugo Carneiro, participou daquela feira proferindo conferencia. (Folha do Acre, 17.02.1929). em 1929, o Éden exibe o  filme “ATRAVES DO GRAN PARÁ” ou “A CONQUISTA DA GUYANA BRASILEURA”.
As vezes as máquinas saiam para tomar ar fresco: haverá no domingo uma sessão de cinema ao ar livre, na praça Tavares Lyra, em homenagem ao natalício do Sr. Epitácio Pessoa, para que será  ali transportado o aparelho do Éden ...” (Folha do Acre, 26.05.1920).
No cine Éden realizavam-se conferencias sobre os mais variados temas desde a essência do amor”, por Juvenal Antunes até a necessidade do recenseamento”, POR Theodoro Albuquerque. Sendo que os conferencistas eram aplaudidos de pé, em sua entrada.
O maior expoente do teatro nos tempos do Éden foi, sem dúvida, Grijalva Antony, diretor e ator que transferiu-se de Manaus, com sua companhia de teatro da qual faziam parte sua mulher, Bianca Antony e atores como; Elias Andrade e Rui Barreto. “FOGO DE BENGALA”, foi uma  foi uma das peças desse grupo que fez grande sucesso de público e de crítica como as notas no jornal de então.
Os títulos dos filmes da época não poderiam ser mais sugestivos num período de amplo romantismo no cinema: “O Duque Ruivo”, “A Filha do Phaloreiro”, “O Hóspede Mysterioso”, “O Roubo dos Documentos do Canhão”, “Memórias de um criminoso”. As atrizes Bertini e Diane Merene eram as musas de filmes anunciadíssimos como: Ivone e Quando  o Amor Refloresce. Poetas publicavam poesias inspirados naquelas.

O CINE TEATRO RECREIO

O Cine Teatro Recreio é reaberto ao público em 1948. ativistas culturais promovem espetáculos de teatro amador, entre eles, Osvaldo Pinheiro de Lima e Garibaldi Brasil. As sessões continuam abrilhantadas pela Banda de Música. Nas matines, o auto-falante entoa o Cisne Branco para avisar que a projeção já vai começar, roubando os fregueses do largo passeio entre o Bar Brotinho e o Cinema. Carros motorizados nem existiam. Mas o aviação chegava. Nesse mesmo ano, o Aeroporto Salgado Filho é inaugurado por José Guiomard dos Santos, as atenções voltam-se para ele. Chegar e sai, com rapidez, sem a monotonia das longas viagens de chata ou navio, teve uma repercussão imensurável.
É desse período também o surgimento do Cine Rio Branco, na outra margem do rio promovendo uma acirrada concorrência, como se percebe em normais do  período anúncios de quatro a cinco filmes para a semana inteira, entre matines, matinal e sessões noturnas, nos dois cinemas, com remessas diferentes. Hollywood em alta. Ingrid Bergmann e Humprey Bogart dominam a cena, títulos que o cinema atual apenas reinterpreta e velhos temas com tecnologia mais avançada. Um personagem chamado “Raimundo Doido” anuncia os filmes, tocando tambor, pelas ruas do Segundo Distrito, pronunciando barbaramente nomes como Mickey Rooney e Magarreth O’ Brian... ganhava gorjeta mas trabalhava quando queria...
O teatro vai perdendo a efervescência de outrora. Há referências a um Teatro Escolar do Acre que era patrocinado pelo Departamento de Educação e Cultura, o qual encenou dois trabalhos em 1946. do grupo fazia parte a professora de música Elaís Meira. Em 1959, as irmãs do Imaculada Conceição, promovem um espetáculo teatral com suas alunas, entre elas: Íris Célia Cabanellas Zannini, em 1959 no Cine Recreio. O Teatro Escolar apresentava-se no Colégio Acreano, dotado de um palco como se vê até hoje. Nos anos sessenta, um grupo de estudantes encena o “Príncipe Valente”, com Hélio Koury no papel principal, no palco do Colégio Acreano.

A POLÍTICA NO CINEMA: ACABA O FILME

O Cine Rio Branco pega fogo, em 24 de junho de 1956 durante a exibição de “Lampião, o Rei do Cangaço”. Os filmes eram fabricados com material inflamável naquela época. Cinemas incendiavam em todo mundo. O então governador Valério Magalhães fez doação das máquinas para a Santa Casa de Misericórdia que vinha há décadas com seu pires na mão às portas do cinema. No mesmo ano, a Santa Casa de Misericórdia arrenda o Cine Recreio. Durante quatro anos, o cinema do Segundo Distrito, contribui com sua renda para construção do Cine Rio Branco. Um arraial beneficente permite comprar seiscentas cadeiras. O Cine Rio Branco reabre em 1960.
Mas os provedores eram nomeados pelos governos ou interventores que eram nomeados pelos presidentes. Começam a haver divergências entre provedores e gerentes de cinemas. Até mesmo em questões como aquisição de projetores novos, se de marcas nacionais ou importados. Foram-se os tempos de empresários entusiastas como Alfredo Mendes, Sóciodede Leonel Vinagre.
A movimentação no Segundo Distrito cai sensivelmente com a transferência das casas comerciais para o Primeiro Distrito. O Cine Rio Branco passa a dominar na esfera das diversões públicas, tendo por concorrente o Cine Acre por alguns anos. O Cine Recreio torna-se mera filial sem importância, reprisando filmes da matriz, para um público cada vez menor, num bairro cada vez mais sem iluminação.
No anos oitenta, quando Jacó Picolli, era presidente da Fundação Cultural o Cine Recreio foi reconstruído. Ressurge das cinzas como a fênix. Inúmeros espetáculos voltaram a ser encenados ali, sobretudo, na gestão de Gregório Filho. Por último e atual presente da Fundação, “Walter  Félix de Souza, pretende restabelecer o antigo cinema, que aliás é uma expectativa geral. Sobretudo, por parte dos moradores do Segundo Distrito”.


REINAUGURAÇÃO DO CINE TEATRO RECREIO

É com imensa satisfação, que a Fundação Cultural do Acre, reinaugura hoje, dia 21 de maio de 1993, o Cine Teatro Recreio, que contou com a sensibilidade e o entusiasmo do nosso Governador Romildo Magalhães, pois sem o seu apoio seria impossível esta reativação, principalmente na área cinematográfica.
O primeiro cinema de Rio branco, o Cine Ideal, existiu aqui, no Cine Recreio, nos anos de 1918 / 1919, tornando-se em 1920 o Cine Éden, com a aquisição do cinema por um grupo empresarial liderado pelo português Leonel Venagre. Apesar de ter sido o mais importante centro cultural da cidade, durante décadas, com intensa movimentação de atores, literários, músicos e a comunidade em geral, o Cine Éden terminou por desaparecer, dando lugar ao Cine Teatro Recreio, adquirido pelos sócios da Sociedade Recreativa Tentamen, em 1945, sob a liderança de Mário de Oliveira.
As máquinas eram importadas da França e Thecoslováquia, oferecendo inúmeros problemas, face a ausência de peças de reposição no mercado. Somente em 1945, este cinema adquiriu um projetor de 35 mm, sob a direção de Aref Jarude, proprietário naquele período.
Em 1956, a Santa Casa de Misericórdia tornou-se arrendatária do Cine Recreio, após ter recebido a doação das máquinas através de Domingos Jordão, do Cine Rio Branco, pelo então Governador Valério Magalhães.
A intenção da Santa Casa em arrendar o cinema era de promover sessões beneficentes cuja renda era revestida para o hospital.
O cinema em nossa cidade foi um fonte vital de conhecimentos, informações e acontecimentos mundiais. Via-se filmes sobre a revolução francesa, sobre valores culturais brasileiros e principalmente superproduções de Hollywood, como: E O VENTO LEVOU< POR QUEM OS SINOS DOBRAM.


                                                                        Fundação Cultural do Acre





sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O que está por trás da Teologia da Prosperidade?

Revista ISTOÉ ESCULACHA Valdemiro Santiago

À espera de um milagre

ISTOÉ

Rodrigo Cardoso

Quadrilhas de pastores ladrões, dívidas milionárias com as tevês, administração amadora e investimentos equivocados na construção de grandiosos templos. O que está por trás da crise financeira da Mundial, uma das mais poderosas igrejas evangélicas do País




PASTOR
Valdemiro Santiago criou um império religioso, viu seu rebanho se
expandir por cerca de cinco mil templos e, agora, tenta colocar a
casa em ordem ao ver sua igreja sangrar em milhões de reais



Chorar durante a pregação é um dos traços mais marcantes da performance de Valdemiro Santiago de Oliveira, o todo-poderoso da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), no púlpito. Criticado por abusar dessa prática, o autointitulado apóstolo tem motivos mais terrenos para derramar suas lágrimas atualmente. O império neopentecostal construído por esse mineiro de 49 anos, nascido em Cisneiros, distrito de Palma, a 400 quilômetros de Belo Horizonte, vive a maior crise da sua história. O mais recente indício de que a IMPD está fragilizada foi a decisão do Grupo Bandeirantes de encerrar, na semana passada, a parceria que mantinha com Valdemiro, que alugava quase a totalidade da grade da programação do Canal 21 e ocupava cerca de quatro horas diárias nas madrugadas da Band. Motivo do fim do acordo: atrasos no pagamento.

Valdemiro até que tentou impedir o fato. De microfone em punho, o comedor de angu que cuidava de marrecos na roça antes de se converter evangélico usou toda a sua empatia com o povão. No início do mês, pôs o rosto no vídeo, caprichou na voz chorosa e iniciou uma campanha conclamando seus fiéis a ajudá-lo a arrecadar R$ 21 milhões para honrar compromissos com o aluguel de horários na mídia. A Mundial já devia R$ 8 milhões ao Grupo Bandeirantes referentes a setembro. No fim deste mês, outro boleto a vencer: R$ 13 milhões. A emissora paulista não confirma oficialmente, mas a Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, concorrente direta da Mundial, teria entrado na disputa por esses horários e conseguido vencer a briga sobre a maior concorrente na disputa por almas. “Pegaram a gente em um momento de fraqueza”, diz uma liderança da IMPD. “Gastamos R$ 300 milhões com templos ultimamente e vivemos um tempo de estruturação e amadurecimento.”

PODER
Diante da crise, Valdemiro nomeou Jorge Pinheiro (acima), marido da irmã
de sua esposa, para gerir o setor financeiro e administrativo da IMPD no
lugar do bispo Josivaldo (abaixo), transferido para Lisboa


"Cerca de 30% dos recursos que arrecadamos são desviados
por bispos e pastores. Por mês, R$ 30 milhões saem pelo ralo",
afirma um alto dirigente da IMPD do Rio de Janeiro

Quisera Valdemiro Santiago, porém, que seus problemas fossem revezes restritos apenas ao campo administrativo da sua igreja. Em São Paulo, o líder evangélico é alvo de uma investigação do Ministério Público estadual e da Polícia Civil. Desde janeiro de 2013, diligências feitas pelo Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec) e pela Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Fazenda, da Polícia Civil, apuram um suposto crime de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, direitos ou valores. O dono da Mundial virou alvo das autoridades quando elas descobriram que a Fazenda Santo Antonio do Itiquira, localizada em Santo Antônio do Leverger (MT), um conglomerado de 10.174 hectares de terras ocupado por milhares de cabeças de gado, foi comprado por R$ 29 milhões à vista pela empresa W. S. Music, cujos representantes são o apóstolo e sua mulher, a bispa Franciléia. O caso, que pode configurar uso do dinheiro de fiéis para enriquecimento pessoal, corre em sigilo.



A Mundial, fundada em 1998 – antes dela, Valdemiro fora pastor na Igreja Universal por 18 anos (leia quadro) –, viveu um avanço muito grande em um curto espaço de tempo. De 500 templos em 2009, hoje a denominação computa mais de cinco mil unidades, segundo seus membros. Acontece que a vida de uma igreja não se resume ao púlpito ou aos cultos. Administrativa e financeiramente falando, a IMPD não evoluiu. “Cerca de 30% dos recursos que arrecadamos são desviados. Por mês, R$ 30 milhões saem pelo ralo”, afirma um alto dirigente da denominação, lotado no Rio de Janeiro. De acordo com ele, a devoção em torno dos cultos, espécie de pronto-socorro espiritual, onde fiéis garantem ter alcançado a cura divina para alguma enfermidade graças à intercessão de Valdemiro, trouxe notoriedade à igreja e atraiu quadrilhas de pastores que se infiltraram em seus templos para se apropriar das doações. “Há dois anos e meio, por exemplo, o Valdemiro descobriu uma dessas quadrilhas no ABC paulista liderada pelo bispo e por seus auxiliares e os expulsou.”


PREGAÇÃO
Com fama de milagreiro, Valdemiro fez fama ao se aproximar
dos mais humildes. Abaixo, sua esposa, a bispa Franciléia



Esse mesmo dirigente lembra do dia em que, ao manobrar seu carro na saída de um culto, uma fiel bateu no vidro para alertar que pessoas traíam a confiança do líder evangélico: “Pastor, está vendo esse carnê da Mundial? A conta corrente aqui escrita não é a da igreja. Estão distribuindo carnês falsos para o povo pagar! Avisa o apóstolo, por favor!” Ou seja, o dinheiro estava sendo desviado num esquema paralelo ao de Valdemiro. Professor da pós-graduação de Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ricardo Bitun se deparou com essa prática ao ir a campo para a confecção de sua tese de doutorado. Intitulado “Igreja Mundial do Poder de Deus: Continuidades e Descontinuidades no Neopentecostalismo Brasileiro”, o estudo defende que Valdemiro foi o único dissidente da Universal que conseguiu alcançar sucesso. E assim o fez graças, principalmente, à remasterização da cura divina, uma prática bastante difundida no Brasil nos anos 1970. “Um bispo me contou que havia pastores infiltrados em igrejas e até mesmo bispos cobrando propinas de pastores”, diz Bitun.


SUSPEITA
Uso do dinheiro de fiéis para enriquecimento pessoal, como a compra de uma
fazenda de R$ 29 milhões (à esq., o documento de compra em seu nome),
é investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo

Valdemiro é um líder religioso onipresente no altar e nos programas televisivos e demorou a perceber que estava sendo traído por pessoas muito próximas a ele – e do alto escalão da igreja. Havia um grupo próximo a Josivaldo Batista de Souza, que era considerado o número 2 da Mundial, agindo como lobos em pele de cordeiro. “Ele se deu conta de que o problema advinha da concentração de poder em torno dessa turma”, diz um membro da hierarquia paulista da Mundial. “Era gente pedindo avião para fazer não sei o quê, para ter programa na televisão não sei onde, para abrir igreja em um grotão aí...” Segundo esse integrante da IMPD, Valdemiro cometeu erros próprios de líderes que sobem muito e rapidamente. “Ele se cercou de um estafe pequeno que blindava o acesso a ele. E, assim, passou a ouvir pouco outras opiniões. Precisa amadurecer.”


FLAGRA
Membros da Mundial chegaram a clonar carnês para desviar
o dinheiro que era arrecadado dos fiéis nos cultos

Diante das dívidas, dos calotes e das traições, o líder da IMPD está tentando conter a sangria da sua igreja do jeito que pode. Transferiu para Lisboa o pastor Josivaldo, um ex-membro da Universal que o acompanha desde o começo dos trabalhos da denominação em Pernambuco, segundo Estado onde ele fincou sua bandeira. Para substituir Josivaldo, que era responsável pela gestão administrativa e financeira e cuidava do dia a dia da Mundial, além dos bispos e pastores, Valdemiro achou por bem recorrer a um familiar. Empossou o bispo Jorge Pinheiro, marido da irmã da sua esposa Franciléia. Para tentar se reequilibrar financeiramente, conta um bispo paulista, ele decidiu se desfazer de duas Cidades Mundiais, como são chamados os megatemplos da IMPD, em São Paulo e no Paraná. Elas se encontram fechadas pelos órgãos públicos locais, após pouco tempo de funcionamento, por não preencherem requisitos para receber o público. Um claro erro de avaliação que onerou a igreja. “A Cidade Mundial paulista está fechada desde fevereiro de 2012. Mas Valdemiro, todo mês, tem de pagar R$ 5 milhões das parcelas da compra dela”, diz o bispo. Missionário da IMPD, o deputado estadual Rodrigo Moraes (PSC-SP), que foi designado pela igreja para fazer “a coisa caminhar” junto aos órgãos públicos, segue na sua empreitada. “Não recebi o comando de parar o trabalho ainda. Mas a vontade do apóstolo é que fala mais alto”, afirma. Templos pequenos e mal localizados, que não condiziam com a orientação de Valdemiro, também deixaram de ser usados. “Cerca de 15% deles tiveram de ser fechados ou reestruturados”, diz uma liderança da igreja. Pode ser uma saída para que a fama de caloteiro não suplante a de apóstolo milagreiro.


NA JUSTIÇA
Faz três meses que a Mundial não paga o aluguel do imóvel (acima),
localizado em Pirituba (SP): ação de despejo e cobrança de R$ 34 mil.
Abaixo, Cidade Mundial em São Paulo, que será fechada


Não são poucos os templos ocupados pela IMPD que têm problemas com aluguel atrasado ou ações de despejo em curso na Justiça. Em Pirituba, por exemplo, bairro da capital paulista, o proprietário impetrou na justiça uma ação de despejo contra a igreja por não receber o aluguel de seu imóvel desde julho. E cobra, ainda, o pagamento de R$ 34.538,64. De acordo com um de seus representantes legais, essa é terceira vez que a justiça é acionada desde 2010, quando o local passou a ser ocupado pela Mundial. “Não entendo a falta de organização da igreja. Não acredito que ela não tenha caixa para pagar o aluguel”, diz ele, que prefere não se identificar. “Esses problemas diminuíram 70% nos últimos tempos”, garante Dênis Munhoz, advogado da Mundial. À frente também do cargo de vice-presidente da Mundial, Munhoz refuta a ideia de a denominação viver uma crise, argumentando que a IMPD é a evangélica que mais cresce no Brasil. Sobre as quadrilhas de pastores, afirma: “Se existe esse problema, a igreja sempre tomou as providências rapidamente.” Prefere, no entanto, não comentar a perda dos espaços no Canal 21 e na Band. Quem falou sobre o assunto foi o presidente da IMPD, o deputado federal José Olímpio (PP-SP). “Estamos pagando muitas prestações, os valores de aluguéis aumentaram, temos muitas obras em andamento e acabou atrasando alguma coisa. Aí, deixa de pagar um mês e vira um problema para a mensalidade seguinte”, diz.




Para se ver livre de mais problemas, Valdemiro, que, procurado por ISTOÉ, não se manifestou, entregou os horários que possuía na Rede TV! e na CNT. Deixou também de alugar espaço em dezenas de retransmissoras de diferentes estados e recuou no projeto de ocupar a programação de tevês da Argentina, Colômbia e do México. “Muitas vezes, é melhor dar um passo atrás para, depois, dar um maior à frente”, diz o alto dirigente da Mundial do Rio. “Valdemiro me disse que estava, inclusive, vendendo a sua fazenda no Mato Grosso.” Essa informação não foi confirmada pelo presidente nem pelo vice-presidente da IMPD. Mas, na atual situação, receber R$ 33 milhões, valor estimado da Fazenda Santo Antonio do Itiquira, seria como um milagre para o líder evangélico.